Ela não nasceu no campo, mas hoje colhe os frutos de uma gestão inovadora e sustentável. Flávia Strenger Garcia Cid, paulistana de nascença e paranaense de coração, acaba de receber o Prêmio Agro Mulher 2025 na categoria de grande propriedade. Sua trajetória no agronegócio começou há 10 anos, quando deixou a advocacia para aceitar um desafio proposto por seu marido: cuidar de uma área nova e disruptiva na fazenda da família.

O que começou como um investimento em plantas aromáticas e medicinais para a extração de óleos essenciais em larga escala, logo evoluiu. A fazenda, que já havia sido reconhecida no ano anterior como a mais sustentável do Brasil pelo Globo Rural, deu um novo passo.

Utilizando os princípios da economia circular, Strenger liderou o desenvolvimento de “biossoluções”, bioinsumos feitos a partir dos coprodutos da extração dos óleos.

Esse novo empreendimento, focado em alta produtividade e resiliência para grãos e pastagens, é o projeto que a levou ao pódio. Em conversa durante o evento, Strenger compartilhou os desafios, planos e a mentalidade que a transformaram em uma líder no setor.

O agro ainda é um ambiente muito masculino, mas acredito que a mulher traz uma força única, diz Flávia Strenger
O agro ainda é um ambiente muito masculino, mas acredito que a mulher traz uma força única, diz Flávia Strenger | Foto: Arquivo pessoal

Como foi sua transição de uma carreira urbana para o agronegócio?

Eu nunca fui do agro, era advogada. Meu marido, Maurício, vem de uma família tradicional de pecuaristas e, há dez anos, me convidou para cuidar de uma nova área da fazenda. Aceitei o desafio e começamos a investir no cultivo de plantas aromáticas e medicinais, construindo uma indústria própria para extração de óleos essenciais. Foi o início de uma jornada totalmente nova e transformadora.

Seu projeto mais recente envolve bioinsumos e economia circular. como isso funciona?

Nosso último empreendimento é totalmente baseado em economia circular e sustentabilidade. A partir dos coprodutos da extração dos óleos, desenvolvemos, após anos de pesquisa, bioinsumos — ou biosoluções, como gosto de chamar. Eles são feitos com óleos essenciais e extratos de plantas, promovendo mais produtividade e resiliência em lavouras de grãos e pastagens.

Quais foram os maiores desafios como mulher assumindo um papel de gestão no agro?

O maior desafio é reconhecer o próprio potencial. O agro ainda é um ambiente muito masculino, mas acredito que a mulher traz uma força única. É preciso ter confiança, postura e manter a feminilidade. Eu sempre digo: seja segura, ocupe seu espaço e nunca se menospreze.

Quais são seus planos para o futuro após o prêmio?

Meu foco agora é expandir a Strenger Bioagro, nossa nova indústria de bioinsumos. Quero ampliar o portfólio de produtos e, pessoalmente, pretendo palestrar e inspirar outras pessoas a trabalharem com seriedade no agro. O Brasil fala muito do que está errado; eu quero destacar o que já fazemos de certo e de forma exemplar.

Que mensagem você deixa para outras mulheres que estão começando ou trilhando esse caminho?

Se eu, que não era do agro, cheguei até aqui com fé, trabalho e dedicação, qualquer mulher pode. Nunca pare de aprender. Tudo o que conquistei veio da troca e da curiosidade — é preciso estar sempre disposta a ouvir e evoluir.

Qual a importância de eventos como o Congresso Nacional das Mulheres do Agro?

Esse congresso mudou minha forma de ver o setor. É um espaço de inspiração e conexão. Digo para toda mulher: venha participar. A força feminina no agro é real e transformadora.

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