Vanessa Bomm coordena revolução silenciosa da agricultura regenerativa
Projeto Pro-carbono aumentou 20% de produtividade em período de seca severa na região Oeste do Paraná
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 2025
Projeto Pro-carbono aumentou 20% de produtividade em período de seca severa na região Oeste do Paraná

Quando a arquiteta Vanessa Bomm trocou os projetos urbanos pela gestão da fazenda da família, há oito anos, ela não estava apenas assumindo uma sucessão. Ela se tornou a terceira geração a inovar, enfrentando o maior desafio do produtor rural: “trabalhar numa indústria a céu aberto”.
Vencedora do primeiro lugar de Grandes Propriedades no Prêmio Mulheres do Agro 2024, Vanessa lidera hoje uma transformação focada na agricultura regenerativa. A mudança não foi uma escolha, mas uma necessidade imposta pelos “desafios climáticos”.
“Nós passamos por muitas dificuldades do clima nos quatro anos atrás”, relata Bomm, referindo-se aos períodos de seca severa na região Oeste do Paraná. Foi essa dificuldade que impulsionou a busca por “alternativas e soluções através da agricultura regenerativa”.

Projeto pro-carbono e o “mix de cobertura”
A porta de entrada para essa nova fase foi o projeto Pro-carbono, que “abriu mesmo para essa agricultura regenerativa”. O que começou como um experimento em um talhão da fazenda, logo se provou um divisor de águas.
“Nos anos mais difíceis de seca”, conta Bomm, “os talhões que a gente estava trabalhando o Pro-carbono, com mais palhada, com mais planta de cobertura e mais raízes, começaram a dar diferença de 20% de produtividade”.
O resultado foi tão impactante que a prática, antes restrita ao experimento, foi expandida para 90% a 100% da fazenda. O objetivo, segundo ela, é claro: “Criando um ambiente produtivo mais resiliente”.
Essa resiliência vem de uma mudança completa no manejo do solo, que Vanessa, com sua experiência em arquitetura, encara como uma questão de “planejamento”. “Para trabalhar com essas plantas de cobertura, você precisa todo um planejamento, como se fosse bem dizer, uma terceira safra para nós”, explica.
A principal ferramenta dessa inovação é o “mix de planta de cobertura”. Em vez de uma única espécie, a fazenda planta de cinco a seis tipos diferentes de uma só vez, como aveia, nabo, trigo mourisco e milheto. O objetivo é “rotacionar e intensificar vários tipos de raízes no solo” para um processo mais acelerado de recuperação e proteção.
Além disso, a gestão de Vanessa busca “trabalhar bastante com os biológicos, com bioinsumos também”, focando em “mais vida no solo, mais saúde no solo”.
Uma nova forma de pensar a produção
Para Vanessa Bomm, a inovação não é apenas tecnológica, mas filosófica. Ela rompe com a ideia de que produção e preservação são opostas. “A produtividade sempre vai andar junto com a sustentabilidade. No nosso agro não tem como ser diferente”, afirma.
Essa visão, segundo ela, é também um “toque feminino”. Bomm acredita que a mulher traz para a gestão “muito dessa questão do cuidado, do zelo pelas coisas”, seja na “gestão de pessoas” ou na “parte ambiental mesmo, com o solo”.
Ela vê o solo como o maior ativo da fazenda e a sustentabilidade como um investimento direto nele. “Cuidado com o solo, é um investimento no teu maior patrimônio”.
Ao final, a agricultura regenerativa muda a perspectiva da fazenda, que deixa de ser uma linha de produção para se tornar um sistema vivo. “A gente acaba pensando no ecossistema como um todo”, conclui Bomm. “Você tem um solo mais saudável, que te dá uma planta mais saudável, que te dá um alimento mais saudável”.


Patrícia Maria Alves
Editor e Gerente de Produtos Digitais


