Greening avança no Paraná e já atinge 164 municípios
Doença vem evoluindo a cada ano, com o primeiro caso registrado em 2007 no estado
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 2026
Doença vem evoluindo a cada ano, com o primeiro caso registrado em 2007 no estado
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Doença mais destrutiva da citricultura no mundo, o greening já foi constatado oficialmente em mais de 40% dos municípios paranaenses – são 164 ao todo desde o primeiro caso registrado, em 2007. O levantamento foi feito pela Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná).
“A doença vem evoluindo a cada ano, e não há mais espaço para a citricultura sem o correto e eficiente manejo do greening”, pontua o engenheiro agrônomo Diego Juliani de Campos, chefe da Divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar.
O greening está presente principalmente nas grandes áreas produtoras de citros no estado, como as regiões de Londrina, Cornélio Procópio, Maringá, Umuarama e Paranavaí.
A doença pode se disseminar de duas formas. A mais comum é por meio de um vetor, o psilídeo (inseto muito pequeno) chamado Diaphorina citri. O psilídeo infectado com a bactéria causadora da doença, ao se alimentar em uma planta sadia, transmite a bactéria para a planta. Nesse caso, a planta está sadia no pomar e o psilídeo a contamina.
A outra forma é por meio de mudas de citros já contaminadas com a bactéria. A muda pode ter sido contaminada na produção ou em local que realiza o comércio. Neste caso, as mudas já chegam contaminadas ao pomar.
PORTARIA
Publicada em março deste ano, a Portaria nº 105 da Adapar estabelece critérios e procedimentos complementares para prevenção e contenção do greening. Entre os destaques da norma, produtores com mais de 50 plantas de citros devem se cadastrar na Adapar.
Citricultores que estão em municípios onde o greening já foi constatado, ou então em municípios limítrofes a eles, devem fazer o monitoramento e o controle do psilídeo, além de promover vistorias trimestrais no pomar em busca de plantas com sintomas do greening e apresentar relatório semestral à Adapar contendo as informações das duas vistorias trimestrais anteriores. “Também é obrigatória a eliminação de plantas com sintomas de greening de acordo com a idade das plantas”, acrescenta.
Plantas com sintomas com até 8 anos e com mais de 15 anos devem ser eliminadas imediatamente; plantas com idade entre 9 e 12 anos devem ser eliminadas no prazo de até 4 anos; e plantas com idade entre 13 e 15 anos, eliminadas no prazo de até 3 anos. O prazo conta a partir da publicação da portaria, que é de 10 de março de 2025.
Em municípios com a presença de greening não é permitida a existência de imóveis de produção comercial de citros sem o manejo ou com manejo ineficiente da doença. Os citricultores que não atenderem às determinações da Adapar apontadas em fiscalização poderão ser autuados.
PREVENÇÃO
Para prevenir a doença no pomar, o produtor deve adquirir mudas de citros de viveiros ou empresas comerciantes que estejam registradas no Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas) do Ministério da Agricultura.
“É de grande importância que o citricultor leve a sério o greening, adotando eficientemente as práticas de manejo para que proteja tanto o seu pomar quanto o dos vizinhos.”
O greening afeta as folhas e os frutos das plantas. As folhas apresentam manchas irregulares que alternam entre o verde e o amarelo, sem simetria entre as metades. Já os frutos não amadurecem normalmente, caem precocemente, ficam pequenos e assimétricos. O greening também afeta a qualidade do fruto, que fica mais ácido, menos doce e mais amargo. A doença evolui até a morte da planta.
ERRADICAÇÃO
A produtora rural Catarina Gallerani Galafassi entrou em um processo de erradicação total do pomar de laranjas da sua propriedade em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro). Até o final de outubro, a área com cerca de 26 hectares deverá dar lugar a soja e pastagem.
“O custo para controle do greening e dos outros insumos, como fungicidas, fertilizantes e herbicidas, está muito alto e, em contrapartida, o preço caiu muito. Gastamos mais em insumos do que recebemos pela caixa de laranja colhida e entregue na indústria”, pontua.
Segundo Galafassi, a mão de obra foi mais um fator determinante para encerrar a atividade. “As colheitas são manuais e não encontramos com facilidade pessoas ou equipes para esse trabalho.”
A erradicação colocará fim a uma atividade desenvolvida pela família de Catarina há 22 anos.
A produtora acrescenta que a pressão do greening sobre o pomar começou há cerca de sete anos. “Em 2019, quando fizemos a primeira renovação do pomar, já conseguimos perceber uma pressão maior da doença, principalmente nas plantas mais novas. A quantidade de plantas que apresentavam os sintomas aumentava a cada ano, com isso a dificuldade de se manter um pomar sem falhas ficou cada vez maior”, relembra.
LEIA TAMBÉM:
+ Paraná é destaque na produção de casulos do bicho-da-seda
Com isso, os gastos com erradicação e replantio aumentavam a cada ano e a produção acabou sofrendo esse impacto, já que sempre era necessário retirar plantas e começar novamente o ciclo.
“Somos apaixonados pela citricultura e esperamos que as medidas sanitárias que vêm sendo adotadas sejam aplicadas a todos e cumpridas. Além disso, esperamos que a relação entre os preços de insumos e o valor pago pela caixa de laranja volte a ser vantajosa como em anos anteriores e que as pesquisas avancem em relação a cultivares resistentes, para que um dia possamos voltar para a citricultura com mais segurança”, destaca.


