Encorpando a feijoada

Embrapa e Fundação Triângulo iniciam a produção de sementes BRSMG 715A, uma soja de coloração preta, rica em antioxidantes e de sabor suave. Objetivo é que a novidade entre no cardápio do brasileiro

Victor Lopes - Grupo Folha
Victor Lopes - Grupo Folha


Soja preta, marrom e amarela: os grãos de coloração preta possuem grande quantidade de ácidos graxos monoinsaturados, o que lhes confere maior estabilidade oxidativa
Soja preta, marrom e amarela: os grãos de coloração preta possuem grande quantidade de ácidos graxos monoinsaturados, o que lhes confere maior estabilidade oxidativa | Divulgação/Embrapa
 


A soja transgênica já está inserida em muitos produtos industrializados e, de certa forma, faz parte da alimentação da população. Mas quando pensamos na leguminosa inserida no cardápio diário - como uma opção nutritiva e saborosa para as principais refeições - muita gente ainda torce o nariz, principalmente por não agradar o paladar ou mesmo não vê-la se encaixar de forma harmônica nos pratos. 

Bem, o fato é que a pesquisa ligada à oleaginosa está além do foco na resistência a doenças, intempéries climáticas, precocidade ou produtividade. O trabalho para emplacar a soja na alimentação do brasileiro vem desde a década de 1980 e ganha uma variedade que pode ser chave nesta mudança de hábito. 




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A Embrapa - em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e com a Fundação Triângulo - inicia para a safra 2019/20 a produção de sementes BRSMG 715A, uma soja de coloração preta, rica em antioxidantes e de sabor suave. Pesquisadores de diversas frentes da instituição trabalham no desafio para que a leguminosa seja bem aceita  pela população, sendo capaz inclusive de  enriquecer nutricionalmente uma feijoada, ou mesmo substituir completamente o feijão, já que é uma excelente fonte de proteína. 

O trabalho vem sendo desenvolvido há quase dez anos e coube ao melhorista Neylson Eustáquio Arantes - já aposentado da Embrapa - selecionar as primeiras linhagens dessa soja preta, na cidade de Uberaba, em Minas Gerais. Posteriormente, a Epagmig entrou junto nas ações, para que a soja não tivesse apenas boas características agronômicas, mas também boas características na panela, passando por testes de cozimento, paladar, apresentação e outras características sensoriais. 


Segundo o pesquisador Roberto Zito, no Paraná a soja ainda não foi testada, mas existe bom potencial de adaptação na região Norte e outros locais de cultivares mais tardias
Segundo o pesquisador Roberto Zito, no Paraná a soja ainda não foi testada, mas existe bom potencial de adaptação na região Norte e outros locais de cultivares mais tardias | Divulgação /Embrapa
 


O pesquisador da Embrapa Soja, Roberto Zito, relata que a nova variedade já foi colocada em alguns supermercados para que o consumidor pudesse ter o contato com o produto. A expectativa inicial é de uma produção de sementes em 50 hectares, tanto em Minas Gerais como Mato Grosso. “Parece pouco (o tamanho da área), mas considerando que é uma soja de nicho, é o suficiente para iniciar o processo, podendo aumentar conforme a demanda.”


TESTE


No Paraná, a soja ainda não foi testada, mas segundo Zito, existe bom potencial de adaptação, principalmente na região Norte e outros locais de cultivares mais tardias. O pesquisador explica que comparado a outras cultivares comerciais da Embrapa que estão no mercado, ela se mostrou com boa produtividade. “Em relação ao combate a doenças, ela é resistente ao nematoide  meloidogyne javanica, problema importante na região, e também nematoide de cisto, muito sério no Cerrado, embora tenha no Paraná também.”

Outro ponto interessante - agora pensando na dieta da população - é que o feijão tem 18% de proteínas, enquanto a soja 40%. Para Zito, é uma forma de enriquecer a dieta sem fazer mudanças abruptas nos hábitos alimentares do brasileiro. Em testes feitos com o prato pronto, misturando diversas frações da soja em meio ao feijão, a aceitação foi excelente. “Foram feitos testes sensoriais e (em alguns casos) os provadores deram notas melhores para a soja do que para o próprio feijão. O sabor não foi um grande empecilho para ser introduzido na dieta”.  

Por fim, o pesquisador cita o potencial da nova oleaginosa, inclusive, em atender questões sociais de alimentação importantes do País. “Ela pode atender iniciativas, em regiões mais necessitadas, na mistura da soja com o feijão, aumentando o teor de proteína para a população marginal a custo baixo.”


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