É crescente o uso de drones agrícolas no Paraná, seja com produtores adquirindo aeronaves próprias, seja contratando empresas que prestam serviços de pulverização com drones. A afirmação é de Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.

“Os drones entraram, inclusive, no portfólio de serviços das principais cooperativas do Paraná. Elas têm papel importante na assistência técnica nas diversas cadeias produtivas. Nesse contexto, os drones de pulverização têm passado a compor o portfólio de serviços ofertados aos produtores cooperados.”

O uso de drones é altamente recomendado em situações onde o equipamento terrestre (trator/autopropelido) ou a aviação convencional tripulada (avião/helicóptero) encontram limitações técnicas, como áreas de difícil acesso ou irregulares; solo encharcado ou operações pós-chuva; aplicação em áreas pequenas ou com obstáculos; aplicação pontual para combater pragas e doenças localizadas e aplicação de baixa vazão.

Por outro lado, o uso do drone no campo não é recomendado em algumas situações: áreas muito extensas, onde os aviões agrícolas ou pulverizadores autopropelidos são melhores opções, econômica e operacionalmente; limitação climática, como ventos fortes, e a bula do produto, que pode restringir a aplicação por via aérea.

“Se o produto não for compatível com a formulação para aviação, a aplicação com drone é irregular. E também tem restrições financeiras, devido ao alto investimento inicial em equipamentos, baterias e qualificação profissional”, destaca.

A produtora rural Kelly Alves Taborda começou a utilizar drone de imagens em 2021 para fazer o acompanhamento das lavouras. Um ano depois, fez a aquisição de um drone de pulverização para a sua propriedade em Castro, nos Campos Gerais.

“Tínhamos a dificuldade com o pulverizador agrícola, pois nossas áreas são de difícil acesso e tudo muito distante, algumas com relevo, dificultando ainda mais o manejo. Então começamos as pesquisas sobre drone de pulverização e meu marido foi se especializar na área. Ele fez curso de aplicação e conseguimos nosso primeiro drone, que atendia muito bem nossa demanda”, relembra.

Hoje ela utiliza três drones, um de imagens e outros dois para pulverização. “Usamos defensivos necessários para a cultura de milho, soja, batata, abóbora cabotiá e também na dessecação da soja.”

Sobre os resultados do drone, em um primeiro momento Taborda já observou um ganho na produção de soja de até 8%. “Com o trator tinha muito amassamento. Outro detalhe significativo é que economizamos nos produtos e na quantidade de água utilizada, pois os produtos ficam mais concentrados”, destaca.

O filho de Kelly Taborda, Lucas Gabriel, faz intercâmbio nos Estados Unidos na área de agronomia para trazer ainda mais inovação e conhecimento no tema. “Se ficarmos fazendo sempre a mesma coisa com toda essa tecnologia, ficamos para trás no setor do agronegócio”, concluiu Taborda.

BENEFÍCIOS

As vantagens apontadas pelos fabricantes e revendas do drone na pulverização agrícola são muitas, seja em relação à qualidade da aplicação (não existe amassamento), à economia de insumos e à maior segurança operacional, tanto para o aplicador, quanto para o meio ambiente (ultrabaixo volume de calda e aplicação localizada).

“Isso precisa e vem sendo estudado pela academia, mas ainda há poucos resultados científicos práticos. Mesmo assim, há cada vez mais empresas prestando serviços de pulverização com drones, porém, ainda com entrada de pessoas sem o conhecimento adequado. Não é diferente com os revendedores de drones, cada vez mais numerosos”, destaca o dirigente da Faep.

CRITÉRIO

Apesar da relação custo/benefício das aeronaves de menor porte – com foco no imageamento e mapeamento de áreas – ser muito vantajosa para a maioria dos proprietários, é necessário um pouco mais de critério do produtor rural na tomada de decisão de investir em aeronaves de pulverização próprias.

O dirigente da Faep explica que, considerando a necessidade de pessoas qualificadas e do custo de aquisição relativamente elevado, apesar de estar reduzindo a cada ano, é preciso critério para ser um operador de um drone agrícola.

“Tenho atividades, capital humano e área que justifiquem a aquisição? O investimento a ser realizado dará retorno? Hoje há empresas prestadoras de serviço de pulverização idôneas, sendo recomendada a contratação delas para avaliação de resultados e auxílio na tomada de decisão.”

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Segundo ele, mesmo com aumento da capacidade dos tanques, a duração das baterias continua sendo um grande desafio para os produtores. “Hoje a maior parte das aeronaves continua vindo da China, mas a tendência é que os projetos, em pouco tempo, estejam mais bem conectados à realidade brasileira e com preços ainda mais atrativos.”

APLICAÇÕES

O drone não é a melhor alternativa para irrigação em função da capacidade limitada dos tanques, mesmo nos modelos maiores.

Além da utilização na aplicação de defensivos, os drones agrícolas podem ter tanques para sólidos, utilizados para lançar adubos granulados, corretivos ou defensivos biológicos (como agentes de controle de pragas) com alta precisão.

Outra utilização possível é a semeadura, como o espalhamento de sementes de cobertura, como braquiária, sendo muito eficientes em terrenos íngremes ou de difícil acesso.

Além do registro no Ministério da Agricultura, que é feito de forma automatizada via sistema Sipeagro, os operadores de drone agrícola necessitam dispor de profissional qualificado com curso específico e, em determinados casos, de responsável técnico, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal, para coordenar as atividades.

CURSOS

O Sistema Faep oferta cursos sobre o uso de drones na agricultura desde 2018. Desde então, passou a estar entre os cursos mais demandados, figurando sempre entre o Top 5.

Em 2025, por exemplo, foram mais de 500 turmas ofertadas, para mais de 4 mil participantes concluintes, incluindo as turmas ofertadas aos Colégios Agrícolas, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação do Paraná. Sobre os drones agrícolas de pulverização, desde 2022 há a oferta de treinamentos específicos.

Atualmente são duas modalidades ofertadas: operação de drones de pulverização (24 horas), nos CTAs (Centros de Treinamento Agropecuário) de Assis Chateaubriand e de Ibiporã; e o CAAR (Curso Aplicador Aeroagrícola Remoto), com 32 horas, liberado por solicitação dos Sindicatos por ofício, após análise da demanda, com foco no atendimento de produtores rurais, seus familiares e funcionários.

O curso CAAR é o exigido pelo MAPA para operadores de drones agrícolas – uma determinação da Portaria 298, de setembro de 2021.

Para se inscrever, o interessado deve entrar em contato com o Sindicato Rural mais próximo, consultar turmas programadas no site (https://www.sistemafaep.org.br/cursos-busca/) ou acessar o app do Sistema Faep.

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