DEDO DE PROSA - Serões
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de novembro de 2020
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Durante o tempo em que moravam na zona rural de Reserva, meus pais e sua, ainda, pequena família, davam a si e aos filhos o direito de relaxar um pouco nos finais de semana. O mesmo acontecia com todas as famílias dos sitiantes da região. De maneira que eles se alternavam no oferecimento de suas propriedades para realização dos chamados serões. A reunião começava no sábado e durava até as primeiras horas do domingo.
Os donos da casa da vez providenciavam os comes e bebes, mas os visitantes contribuíam com doações daquilo que produziam em suas propriedades. Assim, havia riqueza e diversidade de alimentos e, para beber, eram providenciados leite quente, café, refrescos feitos com as frutas da época, cerveja (na região é tradição faze-las até hoje) e até vinhos artesanais.
As carroças, charretes e cavalos iam chegando e a turma, entre barulhenta, conversadeira e feliz ia apeando dos cavalos ou descendo de seus veículos para, assim que cumprimentassem os donos da casa, todos iam organizar as arrumações de cadeiras e mesas no terreiro, para poder ali colocar os alimentos e as bebidas à disposição de todos.
As crianças? Ah, essas se espalhavam por aqui e ali, ora ajudando, ora brincando.
Violeiros, sanfoneiros e gaiteiros se posicionavam e começavam a cantoria que, embalando a noitada, chamava os presentes a dançar. De modo que adultos e até as crianças se dispunham a chacoalhar seus corpos e arrastar seus pés, porque era assim que os mais novos aprendiam a dançar.
Havia também as pessoas que gostavam de cantar, como meu pai, minha mãe e alguns outros. E meus pais não se faziam de rogados e tomavam a frente para entoar canções. E no repertório deles sempre havia duas músicas que todos pediam (de vez em quando até duas vezes!), e que eles cantavam com prazer: "Paraná querido" (de Goia e Paulinho Gama) e "Amapola" (de José María Lacalle - 1920). A cantoria ecoava noite adentro e até as crianças se aventuravam a cantar de tão descontraídas que ficavam.
Ao fim do serão, a disposição das famílias era a mesma para arrumar tudo para ir para suas casas. Afinal, todos sentiam muita satisfação e alegria nessas ocasiões que era quando todos os integrantes das famílias participavam juntos, de todas as atividades.
Marina Irene Beatriz Polonio é leitora da Folha


