Custo de produção preocupa cadeia do leite no Paraná
Outro desafio apontado pelos produtores é o mercado com demanda cada vez menor
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 2025
Outro desafio apontado pelos produtores é o mercado com demanda cada vez menor
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Produtores de leite do Paraná vêm enfrentando uma série de desafios, como reduzir o custo de produção e lidar com um mercado cada vez com menor demanda e maior concorrência. O alerta é do Sindileite-PR (Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná).
Elias Zydek, presidente do sindicato e presidente executivo da Frimesa, considera que a redução do custo de produção está muito ligada ao sistema utilizado em cada propriedade rural.
Segundo ele, essa redução depende de vários fatores, como o modelo de produção, se há mão de obra própria ou contratada, qual modalidade de fonte de energia, entre outros.
Em comparação a outros países, tem sido mais caro produzir leite no Brasil. “O custo de produção do litro de leite na Argentina e no Uruguai está em torno de 35 a 38 centavos de dólar, enquanto no Brasil fica entre 45 e 48 centavos de dólar”, compara.
O Brasil vem importando cerca de 9 milhões de litros de leite por dia neste ano, em média. “Quem está importando são as grandes indústrias que utilizam leite em pó nas suas formulações – por exemplo, indústrias de biscoitos, doces, achocolatados, sorvetes e grandes empresas que usam leite em pó na formulação de produtos derivados do leite”, explica.
Outro mercado importador são os varejistas – o varejo que importa queijo e leite em pó para revenda no Brasil.
Segundo o Sindileite, com relação ao preço pago por litro de leite ao produtor no mês de setembro, o valor médio pago pelas indústrias ficou em torno de R$ 2,40, mas varia dependendo da qualidade, dos sólidos, da gordura e da sanidade do leite.
O sindicato estima 110 mil produtores de leite em atividade no Paraná atualmente. Desse total, cerca de 80% são médios e pequenos produtores, responsáveis por produzir cerca de 3,9 bilhões de litros de leite por ano.
O Paraná é o segundo maior estado produtor nacional – fica atrás apenas de Minas Gerais. O Brasil produz cerca de 35 bilhões de litros de leite por ano.
“É uma cadeia produtiva muito importante do ponto de vista econômico e social, gera empregos, distribui renda e está muito capilarizada. Em praticamente todos os municípios do Paraná existe a atividade leiteira, seja produtores, laticínios, queijarias, indústrias. Por isso, a atividade ganha uma importância econômica e social muito grande para o Estado.”
DEMANDA
Analisando o cenário da cadeia produtiva do leite, Zydek cita a oferta e a demanda. “No Brasil, infelizmente o que está acontecendo no leite poderá acontecer em outras cadeias produtivas, porque o consumidor está com um poder aquisitivo muito baixo.”
O presidente do Sindileite-PR destaca que existe uma tendência, segundo as estatísticas, de a cada ano mais gente depender de benefícios do governo – um “assistencialismo”, segundo ele, que pode ser predatório no sentido de reduzir cada vez mais o consumo.
“Porque essas pessoas, não tendo renda, ou tendo renda limitada apenas para sobrevivência, certamente não têm recursos para gerar consumo, seja de alimentos ou outros produtos, e isso é um risco que o Brasil corre neste momento, por questões de um sistema econômico levando cada vez mais gente à dependência e cada vez menos gente trabalhando, produzindo e gerando riquezas”, conclui.
INCENTIVO
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, participou recentemente da audiência pública “Crise no Preço do Leite”, realizada na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná).
O encontro teve como objetivo debater mecanismos para valorizar os produtores de leite e a agricultura familiar, além de combater a concorrência desleal do leite reconstituído de origem estrangeira, que vem impactando diretamente o preço pago ao produtor.
Entre as medidas em andamento, o secretário lembrou do investimento de R$ 1,5 bilhão na aquisição de 2.063 máquinas da linha amarela para melhoria das estradas rurais em todos os municípios paranaenses.
“Cada município recebeu R$ 3,7 milhões para cuidar das estradas rurais. E, segundo o presidente do Sindileite, Elias Zidek, se a estrada estiver em boas condições, o produtor pode receber até oito centavos a mais por litro de leite”, observou Nunes.
Leia mais:
No âmbito da assistência técnica, o secretário anunciou que todos os municípios do Paraná passaram a contar com profissionais do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná).
“Nenhum município ficará sem técnico local. Já contratamos 173 novos profissionais para garantir assistência técnica e extensão rural de qualidade”, prometeu.




