Com mais de 300 queijarias, PR evolui em premiações
Segmento cresce, mas ainda precisa de regulamentação e associação estadual
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 2025
Segmento cresce, mas ainda precisa de regulamentação e associação estadual
Lucas Catanho - Especial para FOLHA 

Com mais de 300 queijarias, o Paraná vem evoluindo em premiações pela qualidade do produto nos últimos anos. Para se ter uma ideia, o número de produtores paranaenses premiados no Mundial do Queijo da França, uma das principais disputas do ramo, saltou de um, em 2021, para sete, neste ano.
Claudemir Roos, presidente da Aprosud (Associação dos Produtores de Queijo Artesanal do Sudoeste do Paraná), explica que essa evolução é resultado de uma busca constante por conhecimento na produção com excelência.
“Além disso, a cada concurso vem aumentando o número de medalhas por justamente haver uma maior difusão de informações sobre a importância na participação dessas disputas”, pontua.
Apesar da evolução do Paraná nesse quesito, Roos destaca alguns desafios do ramo, como o advento de uma legislação específica para a produção artesanal e o envolvimento de universidades em pesquisas para aprimorar ainda mais os queijos produzidos.
Outro desafio é a criação de uma entidade estadual que reúna os produtores de queijo de todo o estado – hoje o Paraná conta com três associações que cobrem regiões específicas do território paranaense. “Num futuro próximo, será indispensável a formação de uma associação estadual.”
A Aprosud, entidade comandada por Roos, reúne 19 produtores de queijo do Sudoeste do Paraná. A entidade viabiliza participação em eventos e proporciona cursos de qualificação aos associados. “Também por meio da Aprosud conquistamos a marca coletiva e IG [Indicação Geográfica] do Queijo Colonial do Sudoeste.”
EXEMPLO
Foi de uma propriedade em Santana do Itararé, no Norte Pioneiro, que saiu um dos premiados no Mundial do Queijo deste ano, na França. O queijo maná paraná recebeu medalha de bronze na competição que premiou sete produtos lácteos paranaenses.
Leomar Martins, do Sítio Nova Aliança, relembra que o maná paraná começou a ser produzido em novembro do ano passado. Em menos de um ano, já é a terceira premiação que o queijo recebe – ganhou medalha de ouro no Prêmio Queijo Brasil e foi o melhor queijo da categoria no Prêmio CNA Brasil Artesanal na categoria Tradicional, ambos em julho.
O produtor explica que o queijo maná paraná é produzido utilizando leite de altíssima qualidade. O produto é maturado de 30 a 180 dias – quanto mais tempo de maturação, maior a qualidade.
“O maná paraná é um queijo de massa mole, bem autoral, da linha do gruyère. Como característica principal, tem uma leve picância e notas de amêndoas e nozes”, descreve.
O queijo premiado harmoniza com espumante, com bons vinhos. Por outro lado, por ter um sabor suave, também agrada ao paladar das crianças.
Martins começou a produzir queijos há oito anos e, nesse período, o produtor já soma 25 premiações em concursos nacionais e internacionais. “Esta foi a terceira premiação na França”, celebra
TRIPLA
A primeira premiação na França foi em 2021, com o queijo maná concafé. Neste ano, Leomar foi o único paranaense premiado no concurso. O produto leva na composição o café produzido no Norte Pioneiro.
Em 2023, Martins venceu com o queijo maná safras, que conta com sassafrás em sua composição – uma folha comum de ser usada no chimarrão, com leve ardência, parecida com cravo.
“Esta foi a terceira premiação na França. Não deixa de ser uma grande valorização para o queijo artesanal, visto que na nossa propriedade praticamos a agricultura familiar. Mais esta premiação de agora aumenta a nossa responsabilidade e os estudos, existe ciência para fazer os queijos”, pontua.
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O Sítio Aliança produz hoje seis variedades de queijo. Para garantir a qualidade máxima dos queijos, um dos focos é proporcionar alimentação balanceada às vacas. “Temos tentado trabalhar com o pasto mais natural possível para os animais da raça Jersey, com obtenção de leite de altíssima qualidade”, conclui.




