A valorização recorde da cafeicultura e a melhoria da qualidade do café paranaense formaram o foco central do 31º Encontro Estadual de Cafeicultores, que reuniu cerca de 500 pessoas, entre produtores, técnicos, pesquisadores e lideranças do setor no dia 9 de abril, na ExpoLondrina 2025.

A programação, que faz parte da Via Rural Smart Farm, espaço do Sistema Estadual de Agricultura (Seagri), incluiu debates sobre aspectos técnicos da produção, temas de mercado, organização de produtores e o encerramento do Concurso Café Qualidade Paraná 2024.

O engenheiro agrônomo Eduardo Mazzuchelli, do IDR- Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), discorreu sobre a agricultura regenerativa e enfatizou que a maioria dos agricultores já conhece as boas práticas para isso, mas ressaltou a importância de utilizá-las para integrar sustentabilidade, renda e competitividade. “O objetivo é apresentar o conceito de agricultura regenerativa e como ele pode ser implementado pelos cafeicultores no Paraná”, explicou.

Umidade do solo

Mazzuchelli ressaltou que os regimes de chuva têm se tornado mais espaçados e quando elas chegam, atingem o solo com bastante intensidade. Por outro lado, há períodos longos de estiagem. Ele enalteceu a utilização de plantio de plantas forrageiras entre as carreiras de café para segurar a umidade no solo e, com isso garantir mais produtividade. Esse manejo contribui para ter um solo menos compactado e raízes mais profundas.

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“A implementação da agricultura regenerativa não precisa ser toda de uma vez. Ela pode ser implementada de forma gradual. “A capacitação deve ser contínua e é preciso criar redes de apoio e troca de experiências e o desenvolvimento de técnicas adaptadas à cada região”, apontou, lembrando ainda que a aquisição de insumos e maquinários em associação possibilita maior mecanização das atividades.

Francisco Barbosa Lima, engenheiro agrônomo que trabalhou no extinto IBC (Instituto Brasileiro do Café) e que se tornou auditor agropecuário aposentado do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), relatou que o preço do café atualmente superou o preço atingido em 1977, após a geada negra que dizimou os cafezais do Norte do Paraná.

O preço chega atualmente a 410 dólares por libra de café arábica (média mensal), na bolsa de Nova York. Vale lembrar que há 25 anos esse preço era de aproximadamente 100 dólares por libra de café. Ele indicou que os altos preços do café têm origem em vários fatores, entre eles a forte seca que atingiu o Vietnã e a Tailândia; o baixo volume de estoques de café; o aumento de demanda do produto, entre outros.

Premiação

No fim do encontro de cafeicultores foi realizada a premiação do 22º Concurso Café Qualidade Paraná. Na categoria Natural foram premiados Maristela Souza (Tomazina), Ariele Afono (Curitiba) Flávia Silva Rosa (Apucarana), José Santiago (Grandes Rios) e Sérgio Miranda (Cambira).

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Na categoria Cereja Descascado, os vencedores foram Claudeir de Souza (Tomazina), Valdeir de Souza (Tomazina), Márcia Cristina Costa (Tomazina), Juarez Colatino de Barros (São Jerônimo da Serra) e Sirlei de Fátima Carvalho (Joaquim Távora).

Os campeões regionais foram Palmyos Eduardo Araújo Martins (Iretama), Aparecida de Oliveira Saboré Lopes (Braganey), João Paulo Sgorlon (Pitangueiras), Daiane Elisabete Colombo Teixeira (Jesuítas), Wilson Lopes (Mandaguari), Magna Aparecida Nunes (Congonhinhas) e José Aparecido Sanches (Terra Boa).

“O café especial tem sido um divisor de águas para a cafeicultura familiar. É muito gratificante fazer parte da história do café especial no Paraná. Agradeço aos patrocinadores e ao IDR-Paraná”, destacou a produtora Flávia Rosa, de Apucarana.

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, lançou a 23ª edição do concurso e anunciou que irá dobrar a premiação com o auxílio dos patrocinadores “Nós dobramos o PIB do Paraná e vamos dobrar a premiação. Vamos garantir a presença dos lotes vencedores na Semana Internacional do Café, em novembro, em Belo Horizonte”, acrescentou.

Hoje, a premiação concedida aos ganhadores varia entre R$ 8 mil por saca para os primeiros lugares a R$ 2,5 mil para os quintos colocados. Os campeões regionais recebem R$ 2,5 mil.

A Semana Internacional do Café (SIC) é uma das maiores feiras mundiais do setor, reunindo produtores, compradores, especialistas e torrefadores em competições, degustações, palestras, cursos, workshops e apresentação de pesquisas.

O secretário anunciou também a pretensão de criar um programa que vai beneficiar pelo menos 150 produtores de cada município do Estado com a doação de 10 toneladas de calcário, mil quilos de fósforo e mil quilos de potássio. Será um investimento de R$ 200 milhões do Estado para beneficiar cerca de 60 mil produtores no total.

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