A máquina de separação de café instalada no barracão onde será construído o Terminal Metropolitano de Londrina, na Avenida Leste Oeste (região central), começou a ser retirada na segunda-feira (24), com previsão de conclusão dos trabalho em até dois dias. O equipamento está sendo transportado para a sede da SRP (Sociedade Rural do Paraná), na zona oeste, onde ficará exposto devido ao valor histórico para a cidade, mas a montagem no novo local só deve começar depois da ExpoLondrina.

Segundo o chefe de gabinete da Amep (Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná), Rodrigo Rodrigues da Silva, a extração é feita por meio de guindaste, devido às dimensões e peso, e, para isso, foi necessário retirar a cobertura do antigo galpão da Intercontinental, empresa que fazia o transporte do produto.

Prevista e autorizada desde janeiro, a transferência da máquina selecionadora de café começou na segunda com a retirada da cobertura do galpão. A manobra foi necessária para içar partes do equipamento do prédio até uma carreta, que o leva para a sede da SRP.

Na manhã desta terça (25), parte do primeiro módulo chegou ao recinto da Rural e a segunda parte estava prevista para a tarde do mesmo dia. “Acredito que, em dois dias, esteja tudo aqui”, afirma o presidente da entidade, Marcelo El Kadre.

Ele afirma que o trabalho precisa ser feito meticulosamente para que não se perca nenhuma peça. “É um ato cirúrgico desmontar, porque a máquina é preservada e tem muito detalhe, muitas peças. Se fizermos com pressa, podemos perder alguma coisa”, afirma o presidente, que contou que foi necessário contratar empresa especializada de fora de Londrina para executar o desmonte e remonte.

O equipamento foi adquirido pelo governo do Paraná junto com o prédio, comprado em 2024 para a construção do terminal metropolitano. Como não houve interesse do antigo proprietário em ficar com ela, o governo doou para a SRP. O chefe de gabinete da Amep afirmou que, assim que o maquinário for retirado, terá início a demolição do prédio.

A exposição dela, entretanto, deve demorar mais um tempo. Segundo El Kadre, os módulos serão envelopados até que seja construído um anexo ao museu da SRP, onde permanecerá para visitação. O projeto está pronto e, segundo o presidente, as obras devem ser rápidas, mas, só devem começar após a ExpoLondrina 2025, que será realizado de 4 a 13 de abril.

“Londrina começou com o café, fomos a capital mundial [do produto]. Londrina tem essa pujança hoje por conta dessa história, que é importante ser preservada para que a população de hoje saiba como chegou o progresso, por meio de uma máquina que nos trouxe a riqueza e o título de capital mundial”, diz El Kadre.

Imagem ilustrativa da imagem Máquina histórica de café é retirada de terreno da Leste-Oeste
| Foto: Roberto Custódio

DÉCADA DE 1960

O barracão onde operou a Intercontinental foi construído na década de 1960 e tem habite-se desde 1963, segundo histórico produzido pelo Ippul (Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina). No estudo em relação à construção do futuro terminal metropolitano, o órgão considera que o terreno, “além de localização estratégica do ponto de vista logístico por ser vizinho ao Terminal Urbano e favorecer a integração”, reforça a representatividade da relação da edificação com o eixo da antiga ferrovia e a importância para a logística da produção cafeeira dos anos 1960 em Londrina.

No mesmo documento, o Ippul sugere a execução de estudos que considerem as vantagens da conservação e utilização do barracão como parte do terminal, ou, no caso da demolição, que sejam preservados os módulos estruturais onde a máquina está localizada, para que sirva de contextualização de seu uso por meio de visitação pública. “O fato de possuir um exemplar desses barracões é uma grande oportunidade de construir um equipamento de tal importância metropolitana com muito significado e valor histórico e afetivo agregado, apresentando Londrina e o norte do Paraná aos cidadãos de diversas cidades que chegarão a Londrina por este Terminal.”

TERMINAL METROPOLITANO

O Terminal Metropolitano de Londrina será erguido no terreno de 12 mil metros quadrados. De acordo com a Amep, a estrutura terá 15 plataformas para ônibus e outras cinco áreas de espera. A expectativa é que a licitação da obra seja realizada ainda neste semestre e a conclusão fique para 2026. A área construída será de cinco mil metros quadrados.

A construção do terminal é uma demanda antiga da população, uma vez que o transporte entre as cidades do entorno é feito apenas por meio de pontos de ônibus, sem um local centralizado e apropriado. Diariamente, circulam em Londrina cerca de 50 mil pessoas residentes nos municípios vizinhos, como Cambé, Ibiporã, Rolândia e Jataizinho. (Com AEN)

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