A colheita de tabaco no Paraná ultrapassou a safra anterior e atingiu 213,7 mil toneladas. Essa marca foi divulgada pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

O volume de produção superou em 7% o total colhido em 2025, quando foram retiradas 199,7 mil toneladas de folhas.

Segundo o agrônomo do Deral, Hugo Godinho, o principal fator para explicar o recorde no volume registrado no estado é o cultivo em uma área recorde. “Isso, por sua vez, acontece pela estabilidade da cadeia ao longo dos anos, principalmente quando comparada com outras atividades rurais, que apresentam oscilações de mercado mais intensas”, analisa.

O tabaco produzido no Paraná fica mais no mercado interno, mas, com a expansão das exportações de outros estados, ganha uma fatia mais importante do mercado local. “Também colaborou com a expansão a limitação que tivemos há duas safras, em função de problemas climáticos”, acrescenta.

Os bons volumes atingidos, no entanto, vieram acompanhados de recuos nos preços recebidos pelo produtor.

Os valores apurados em maio refletem isso. Em maio de 2026, o preço médio do quilograma do tabaco (estufa) foi de R$ 18,71, valor 3% menor que o praticado em maio de 2025 (R$ 19,22).

O processo de colheita do tabaco no Paraná acontece principalmente no verão, porém ainda há algumas lavouras com folhas plantadas tardiamente, visando complementar a renda dos produtores.

“A produção paranaense é prioritariamente destinada ao mercado interno. O processo de integração pressupõe o processo de secagem das folhas na propriedade, para posterior beneficiamento na indústria”, explica.

Segundo o técnico, os relatos mais comuns dos produtores são relativos à classificação das folhas, com o processo dominado pela indústria. “Fora isso, há os problemas mais comuns à agricultura familiar como um todo, como sucessão familiar, por exemplo.”

DESTAQUE

Localizado nos Campos Gerais, São João do Triunfo é o município que mais produz tabaco no Paraná e o segundo maior produtor do Brasil. Ao todo, são quase 2,4 mil famílias dedicadas ao cultivo.

Uma dessas famílias é a de Juliano Maier, que hoje tem 9 hectares de tabaco cultivados e se dedica à atividade há 25 anos. “Na época em que começamos, o tabaco já era o carro-chefe da propriedade e, mesmo passando muitos anos, ainda continua sendo o que alavanca a economia da cidade”, pontua.

A expectativa neste ano é comercializar folhas de tabaco provenientes de 140 mil pés. Apesar da produção expressiva, o produtor diz que o produto vem sendo desvalorizado no mercado. “A atividade já foi lucrativa, mas infelizmente nesta safra fomos castigados pela desvalorização”, pontua.

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Além de enfrentar a desvalorização, Maier destaca outros desafios para manter a atividade. “São muitos, entre eles a falta de mão de obra e a falta de incentivo por parte de nossos governantes, pois o clima também vem castigando. Chuva, seca, granizos, vendavais, sendo que somos uma empresa a céu aberto”, enumera.

Para manter uma produção eficiente em volume e qualidade, Maier adota uma série de práticas, com foco no respeito ao meio ambiente. “Fazemos adubação verde, rotação de cultura, plantio direto e temos uma orientação por parte das empresas, sendo que pesquisas e inovações nos auxiliam na conquista de uma maior produtividade”, declara.

RIQUEZA

Em 2024, o VBP do tabaco alcançou quase R$ 380 milhões em São João do Triunfo. A produção da safra 24/25 superou 23 mil toneladas em 10 mil hectares. No ranking nacional, o município ficou atrás apenas de Canguçu (RS), segundo levantamento realizado pela Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil).

A produção de tabaco em São João do Triunfo é remetida para quatro filiais de indústrias, localizadas em Rio Negro (Região Metropolitana de Curitiba), Rio Azul (Centro-Sul), São Mateus do Sul (Centro-Sul) e Canoinhas (SC).

Essas filiais captam a produção dos agricultores e a remetem para Santa Cruz do Sul (RS), onde o tabaco é processado para fabricação e exportação de cigarros. Em alguns casos, o cigarro já sai pronto; em outros, é enviado apenas o blend — matéria-prima já preparada para que a indústria produza o cigarro no exterior.

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