O fã é alguém que se identifica com o artista e que faz parte de um grupo que também tem essa identificação
O fã é alguém que se identifica com o artista e que faz parte de um grupo que também tem essa identificação | Foto: Shutterstock

Ídolo, segundo o dicionário, é um substantivo masculino, cujo significado pode ser: 1. imagem que representa uma divindade e que se adora como se fosse a própria divindade. 2.Figura (sentido) • Figuradamente - Pessoa ou coisa intensamente admirada, que é objeto de veneração. 3.Religião - na tradição judaico-cristã, indivíduo real, imagem representativa de uma entidade fantástica, ou a própria entidade, considerados, de maneira equivocada e herética, portadores de atributos divinos.

Na cultura popular, ídolos geralmente são pessoas de grande visibilidade na mídia, com altos salários, trânsito em todos os meios, que arrebatam multidões de fãs onde quer que vão. E se antigamente a vida dessas pessoas era acompanhada via jornais e revistas, hoje seus feitos - positivos e negativos - são escancarados em redes sociais, com direito a comoção nacional e até briga entre fãs. Mas afinal, que poder essas pessoas têm para ganharem tanto destaque?

Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisador sobre cultura brasileira e de massa, José Maurício Conrado explica que o fã é alguém que se identifica com o artista e que faz parte de um grupo que também tem essa identificação. “No livro Sapiens, Yuval Harari discute porque nossa espécie gosta de se expressar. Ser fã é um tipo de expressão. Outra característica é nos agruparmos. Criamos grupos sociais que se identificam com algo. Para nossa espécie, a vida em grupo é muito importante para a sobrevivência da espécie”, conta.

O amor pelo ídolo surge a partir da identificação com ele, por responderem questões do imaginário coletivo. O professor dá como exemplo a cantora Madonna, que por discutir apoio às minorias e a posição da mulher na sociedade, gera identificação com esse público.

Para ele, ter ídolos é algo saudável desde que essa devoção não atrapalhe outras relações. É normal pessoas quererem esperar por um show, mas permanecer meses na fila, perdendo aula ou dias de trabalho já merece atenção. “Quem está em volta deve perceber quando essa pessoa perde a interação com os outros. Ela começa a se anular, deixa de ser ela mesma”, adverte.

O mesmo cuidado vale para quem parte para a briga na internet com fãs de outras personalidades, ou até passa a ofender determinada pessoa porque ela justamente ou supostamente seria rival de outra. Muitas vezes a rixa não passa de uma imaginação dos fãs, vide Cláudia Leite versus Ivete Sangalo, por exemplo. Conrado diz que isso acontece justamente por causa da identificação e dessa aderência ao imaginário. “E na era das redes sociais as coisas tomam um tamanho muito grande, isso até pode ser perigoso, vide as 'fake news'. As redes sociais têm um papel muito importante, já que através delas conseguimos facilmente encontrar quem gosta das mesmas coisas que nós.”

E para quem se espanta ao comparar ídolos de antigamente, com comportamento aparentemente inapropriado, e alguns atuais, cuja vida não sai das manchetes por escândalos sucessivos, o professor diz que a identificação com determinada pessoa pode acontecer pelos mais variados motivos. “Se pegarmos um jogador de futebol, por exemplo, esse motivo pode ser o sucesso financeiro, ainda mais em um país como o nosso. De repente você deixa de olhar outras questões, só esse sucesso financeiro vira um parâmetro, é uma pessoa que deu certo”, explica.

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