"A Vida é Bela", de Roberto Benigni
"A Vida é Bela", de Roberto Benigni | Foto: Divulgação

A Vida é Bela. O filme de Roberto Benigni mostra o drama de um pai que tenta esconder do filho os terrores da Itália em plena Segunda Guerra Mundial. A obra ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1997, mas como esta, outras grandes peças mostram o talento audiovisual italiano na produção de boas histórias. Sérgio Sabioni, 65, professor de italiano e um dos organizadores do Cine Café, projeto que divulga filmes italianos em Londrina, fala sobre a história da sétima arte naquele país.

“O que eu acho legal do cinema italiano é que eles querem sempre contar uma história, não se preocupam muito com efeitos”, explica Sabioni. Segundo ele, o texto é o que impera nas grandes obras do país. “O texto é a grande sacada, seja irônico, divertido, criativo, é o grande apoio, a estrutura. Não tem, com raras exceções, investimento visual. E isso é legal”, aponta.

“O Carteiro e o Poeta”, de Michael Radford
“O Carteiro e o Poeta”, de Michael Radford | Foto: Divulgação

Sabioni conta que o cinema italiano teve uma grande reviravolta com o neorrealismo. “A partir de 1946, com Roberto Rossellini, Pupi Avati e outros tantíssimos diretores da época”, indica. O professor explica que após a destruição do país com a Segunda Guerra Mundial não havia financiamento para grandes produções e o movimento que iniciou com a fotografia, partiu para o cinema, quando se fazia o registro das paisagens e as pessoas do povo eram os atores. “Ladrões de Bicicleta (Luigi Bartolini) foi feito assim, pegaram os artistas da rua, do povo, trouxeram falas e a coisa toda ganhou essa intensidade”, afirma.

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Nos anos 1960, as grandes comédias ascenderam e a década trouxe às telonas os nomes de Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Na década de 1970, a Itália passa por tempos difíceis. “Período das Brigadas Vermelhas, ocorreram muitos filmes, como os de Damiano Damiani, contra os malefícios da máfia”, afirma. No mesmo período entra o principal nome quando se trata de cinema italiano: Federico Fellini. “Veio com os cinemas de autor, que não se preocupam muito com bilheteria. Aí entram Mario Monicelli, Etore Scola, Giuseppe Tornatore, Roberto Benigni e Alberto Simone”, elenca.

Muitos desses diretores já se apresentaram no Cine Café, projeto do Ibravissimi (Associazione Culturale Italiana de Londrina), que já vai para o 14º ano de realização. O intuito é divulgar o cinema italiano para a comunidade. As apresentações são feitas de março a novembro, toda a primeira quarta-feira do mês, às 21h, no Hotel Crystal. Com essa organização, várias obras passaram por lá. Sabioni aponta as mais famosas: O Carteiro e o Poeta, Cinema Paradiso e A Vida é Bela. Além destes, outras obras foram mencionadas como indicação para quem quer saber mais sobre o país ou quer simplesmente se divertir com uma boa história.

DICAS DE FILMES

O Segredo de Santa Vittória

Tempo: 2h19

Ano: 1969

Direção: Stanley Kramer

Um Defeito de Família

Tempo: 1h42

Ano: 2002

Direção: Alberto Simone

Uma Janela para a Lua

Tempo: 1h28

Ano: 1994

Direção: Alberto Simone

O Jovem Toscanini

Tempo: 1h47

Ano: 1988

Direção: Franco Zeffirelli

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