A médica Renata Liboni com os filhos Augusto, 15, e Heitor, 9: "Os primeiros plantões não foram fáceis"
A médica Renata Liboni com os filhos Augusto, 15, e Heitor, 9: "Os primeiros plantões não foram fáceis" | Foto: Marcos Zanutto

Entre as diversas tarefas desempenhadas pelas mulheres, conciliar maternidade e trabalho talvez seja uma das mais difíceis. Se não bastasse o cansaço físico que ambas exigem, ainda há o fator culpa, presente na vida de muitas mulheres. E quando a profissão exige disponibilidade em horários alternativos é preciso mais jogo de cintura para conciliar tudo.

A médica endocrinologista e professora da PUCPR Câmpus Londrina Renata Dinardi Borges Liboni tinha acabado de concluir sua residência quando nasceu seu primeiro filho, Augusto, hoje com 15 anos. Como o consultório ainda não tinha muito movimento, ela conta que fazia plantões em pronto-socorro.

“Eram plantões de 12 horas, eu procurava fazer durante o dia, mas eventualmente precisava fazer noturnos. Fiz plantões até ele ter quase 3 anos de idade, depois que fui deixando”, diz.

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Durante essas ocasiões era seu marido, também médico, que assumia os cuidados com o filho, o que sem dúvidas trazia mais tranquilidade. Os avós também auxiliavam sempre que necessário, segundo ela, e por isso não era preciso contratar uma babá. A maior dificuldade, segundo ela, era não dormir muito bem por causa dos cuidados com o bebê e no dia seguinte ter que manter o foco e a concentração.

“Os primeiros plantões não foram fáceis. O final da amamentação, a questão da distância, dos cuidados em geral, a ausência no período, não foi uma coisa fácil. Mas por outro lado o que procurei fazer foi racionalizar, não jogar a culpa do meu trabalho em cima disso, para não desgostar do que eu estava fazendo. Eu tinha a necessidade de trabalhar, mas também gostava bastante, em todos os sentidos. Procurei não culpar nem um, nem outro. Não era fácil, principalmente no final do plantão porque estava cansada e sabia que ia ter que dar conta do bebê. No consultório a secretária concentrava minhas consultas para um ou dois dias de atendimento, aí eu ficava mais livre”, explica Liboni.

A médica conta que o casal optou por assumir os cuidados com o filho justamente pela formação do vínculo. Depois que o consultório estava mais estabelecido ela passou a fazer apenas plantões à distância, sendo chamada em emergências relacionadas à sua área de atuação. Com a chegada do segundo filho, Heitor, hoje com 9 anos, ela deixou os plantões.

“Depois desse segundo nascimento sentamos e reorganizamos a rotina da casa e ficamos com horários para atender demandas, como buscar na escola. O trabalho do meu esposo ficou mais intenso também, então fizemos esse ajuste para estarmos com eles. Se não conseguíamos estar juntos em uma reunião da escola, em um jogo de futebol, pelo menos um fazia esforço para ir, mostrando que trabalho e maternidade são duas coisas que podem existir. Não poderia estar presente em tudo, mas quando estivesse seria como um todo.”

MEDICINA E MATERNIDADE

Para Liboni, apesar de a formação em medicina trazer mais segurança em problemas mais simples de saúde, como febres e gripes, o fato de ser mãe era algo diferente, já que envolvia a emoção. “Tem coisas que você compreende só quando se torna pai e mãe. Atendo crianças e adolescentes e sinto facilidade de comunicação com elas porque conheço a linguagem, o que gostam, facilita tanto lidar com pacientes quanto com os pais. Sei o que representa para os pais quando um filho tem problema de saúde, o que representa para a criança”, afirma.

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