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Folha Mais 5m de leitura Atualizado em 04/12/2021, 10:21

Muito mais do que 'dançar ao redor de uma barra'

Atribuição de valor técnico esportivo possibilita uma visão mais ampla do pole dance

PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de dezembro de 2021

Barbara Santos (estagiária)*
AUTOR autor do artigo

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Muito mais do que ‘’dançar ao redor de uma barra’’, o pole dance une dança a força e movimentos da ginástica, sendo reconhecido internacionalmente como esporte desde 2017. A Gaisf (Global Association of International Sports Federation) reconhece a modalidade desta maneira pela existência de arbitragens, regulamentos e técnicas específicas para o exercício da atividade que, ainda assim, convive com estigmas e tabus.

Imagem ilustrativa da imagem Muito mais do que 'dançar ao redor de uma barra'
 

A atribuição de valor técnico possibilita uma visão mais ampla do pole dance - frequentemente associado somente às casas de shows, boates e a sensualidade. Encará-lo como um esporte que demanda esforço e dedicação, assim como diversas outras modalidades esportivas, apresentando seus benefícios, pode ser um passo para a desmistificação dessa prática que vêm se popularizando no país como alternativa à rotina comum de exercícios físicos. 

Os benefícios do pole dance são inúmeros. Considerada uma atividade completa por trabalhar o fortalecimento de todos os músculos do corpo, desenvolver a flexibilidade, a força, e ajudar na qualidade de vida, ela também proporciona rendimentos na saúde mental e emocional. 

Foram essas características que cativaram a estudante de arquitetura Laura Bicalho (24). Ela conta que já tentou diversas atividades, como o ballet e o muay thai, mas que somente no pole dance encontrou uma atividade física realmente prazerosa. ‘’O que me despertou mais interesse, além da prática, foi o ambiente! Encontrei muitas mulheres legais, muito acolhimento e vi que o pole não é somente sobre ser sensual! Isso foi um diferencial muito grande pra mim’’, afirma. O crescimento e observação pessoal, a possibilidade de lidar com as limitações do corpo em relação ao tempo e a rede de apoio feminina que encontrou no esporte, são tópicos que fizeram a jovem se identificar com o pole dance há três anos. 

A psicóloga Priscila Sakuma explica que atividade física por si só já faz com que o corpo libere os hormônios da dopamina e endorfina, que estão diretamente ligados ao bem estar. Entretanto, quando existe uma identificação da pessoa com a atividade escolhida, esse prazer se intensifica.  ‘’O pole dance vai trabalhar diversos aspectos do bem estar, a parte de autoestima, novos desafios, novas conexões, novas relações. É importante que se encontre na atividade física esses pontos, por que isso proporcionará bem estar e saúde emocional’’, esclarece.

Lidando com o tabu 

A origem do pole dance vem da ginástica acrobática Mallakhamb, praticada há mais de 200 anos por homens na Índia e China. Com o passar do tempo, a prática ganhou um olhar erótico quando foi incorporado em circos e clubes de strip-tease nos Estados Unidos.  Atualmente a modalidade esportiva do pole dance não tem enfoque somente na sensualidade, porém, os praticantes lidam com comentários preconceituosos frequentemente. 

Laura explica que convive com colegas que recebem críticas pela prática do esporte, mas que o direcionamento dos comentários a ela sempre assumem uma forma velada. Os vídeos e fotos dos ensaios e aulas publicados pela estudante em suas redes sociais já foram alvo de críticas alegando ‘’certa vulgaridade’’ e que ela ‘’deveria tomar cuidado’’. Em outra situação, a estudante afirma já ter sido convidada ‘’para dançar em uma festinha’’.  

Para Sara Lopes (36), dançarina e proprietária de um estúdio de pole dance, a associação estritamente sexual para o esporte é equivocada. ‘’Existe técnica a se construir e muitas outras etapas antes da opção de sensualizar: tem que ganhar força, concentração. A sensualidade vem com o tempo, caso ela queira ser exercida!’’, explica. A própria dançarina, praticante do pole dance há oito anos,  conta que antes de ter acesso ao esporte era recheada de preconceitos e dessa ideia pré-concebida. Entretanto, ao tomar conhecimento do que se tratava e das técnicas específicas, se apaixonou e indica a prática para todos. 

Quero praticar o pole dance, e agora?

Sara recomenda que o medo não seja um empecilho para começar. ‘’Se tiver medo, vai com medo mesmo!’’, comenta entre risos. O ideal é que antes de começar qualquer esporte ou atividade física a pessoa consulte um médico para preservar seu corpo e saúde. A profissional afirma que não existe um corpo padrão para começar, estar magra ou ser forte, ‘’se você quer aprender uma coisa, o que importa é o seu interesse e a sua vontade’’, finaliza ela.

Quanto às críticas, a psicóloga Priscila explica que o importante é refletir sobre o que faz sentido para a pessoa e pensar nos benefícios que o esporte trará para a rotina e para a qualidade de vida. Para ela, o debate sobre a variedade presente nos esportes é indispensável na quebra de estigmas associados a eles. ‘’Quanto mais informação trazemos para a população, mais diminuímos esses preconceitos’’, conclui. 

*Supervisão de Patrícia Maria Alves (editora)

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