O que gera dúvidas nos investimentos em criptomoedas diz respeito mais ao nosso costume de carregar as moedas, de tê-las em carteira, tocá-las. As bitcoins se encaixam nesse padrão de moedas, mas sem a sensação tátil de posse. Elas ficam armazenados em carteiras digitais e, assim como as transações bancárias, podem ser movimentadas através de cartões e assinaturas digitais, um código que legitima a transações virtuais e as registram em um blockchain - banco de dados de informações sobre aquela unidade de valor.

Imagem ilustrativa da imagem Investimentos em Bitcoins

Sinival Osório Pitaguari, professor de economia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) explica que as moedas dos países, como o real, o dólar ou o euro, sofrem regulamentação dos seus governos, geralmente através do seu Banco Central, segundo regras que garantem uma certa segurança. Já no caso das criptomoedas, toda a regulação é feita por empresas ou investidores, sem interferência ou garantia governamental. Seria uma forma de ter uma moeda que não sofresse com crises econômicas ou má gestão dos governos. No entanto, empresas também podem sofrer com má gestão.

Ainda segundo o professor, a finalidade do bitcoin é ser apenas uma moeda alternativa às moedas governamentais, e provavelmente, dentro de algum tempo ela se tornará apenas isso. Assim como as demais moedas que também são usadas como investimento, na prática não será a melhor opção de investimento.

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“Tem gente que investe em dólar, mas ele não é rentável. Em 2002, o a moeda chegou a R$ 4 e hoje vale pouco mais desse valor. Vemos que a longo prazo não é um bom investimento”, comenta o professor. “Essas criptomoedas, no longo prazo, não deverão funcionar como investimento porque vai chegar uma hora em que elas vão estar consolidadas, vai haver uma quantidade tão grande de criptomoeda que vão se estabilizar e serão uma moeda como outra qualquer. A questão será quem administra de forma mais eficiente a sua economia para desvalorizar menos as suas moedas. Certamente, entre as criptomoedas haverá aquelas que são melhor administradas. Os valores também irão variar e a questão será a seguinte: devo ou não devo investir? Se eu investir em criptomoeda, em qual investir?”

O risco maior nesse caso é que na empolgação em ganhar dinheiro, muitas pessoas não se atentam em como estão investindo, nem investigam a idoneidade da corretora a quem confiam seu dinheiro. Busca por informações na internet não é suficiente. Com a falta de conhecimento e nenhuma ajuda especializada, são maiores as chances de se perder tudo quando a empresa não entrega o que prometeu.

"Algumas são empresas de fachada, que pegaram o dinheiro, prometeram vender bitcoin, ficaram com o dinheiro e não entregaram o produto”, explica ele. Assim como investir na Bolsa de Valores, comprar bitcoins pressupõe aceitar o risco. A diferença é que as regras da Bolsa são aprovadas por lei e visam controlar a prática de má fé; já com as criptomoedas isso não existe.

"Alguns governos já pensam em proibir, acho isso difícil porque foge ao controle do Estado. Alguns países estão discutindo a possibilidade de regular isso, criar uma forma de os Bancos Centrais fiscalizarem essas operações de criptomoeda. Inclusive estão buscando isso porque como hoje as operações não têm regulamentação, acabam sendo usadas por criminosos que fazem lavagem de dinheiro. Já outros acusam o governo, ao pensar em um regulamento, de estar de olho nos impostos que possa cobrar”, diz o economista.

Para quem quiser investir em bitcoins ou em outra criptomoeda, a orientação é buscar uma corretora séria e, o mais importante, diversificar seus investimentos. “Por enquanto ela ainda é um investimento, ainda é um ativo financeiro que está tendo valorização. O conselho que eu dou para quem vai começar é se informar entre as corretoras que existem, buscar as mais antigas, que têm mais tempo de mercado, verificar se tem reclamações. E desconfiar sempre se o milagre for demais. Se a pessoa quer investir, separe um percentual não muito grande para investir nisso, depois pode até ir ampliando, mas a regra básica é não investir todo o recurso em nenhum tipo de investimento.”

Pitiguari defende que o perfil de investidor para as criptomoedas ainda se restringe a homens jovens, com grandes conhecimentos de tecnologia e mais propensos ao risco financeiro. “Por ser uma moeda eletrônica e ainda novidade, quem investe nela é quem tem mais conhecimento de tecnologia de informação, quem nasceu na época dos aplicativos, da internet. Eles têm mais facilidade de entender o mecanismo de funcionamento do bitcoin, embora muitas pessoas entraram por causa do modismo. Como é uma novidade e que ainda está crescendo, a demanda é alta e por isso a valorização também tem sido alta."

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