Os perigos da moeda virtual
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de setembro de 2019
Erika Gonçalves - Grupo Folha 
Justamente por usar apenas códigos durante as transações financeiras, que são praticamente impossíveis de serem rastreadas devido à criptografia, as criptomoedas são bastante procuradas por aqueles que não querem ter sua vida financeira investigada.
Para quem não conhece, há uma parte da internet que fica fora dos buscadores convencionais, como o Google, e onde são negociados todos os tipos de mercadorias, chamada dark web. Nem tudo que acontece lá é ilegal, mas muitas transações envolvem todo tipo de crime, como tráfico de drogas, pornografia infantil, venda de armas, tráfico humano, entre outros. E é claro que ninguém quer deixar rastros nesse tipo de transação.
Uma pesquisa realizada pela empresa Recorded Future revelou que a bitcoin está perdendo espaço como a principal moeda e sendo substituída por outras criptomoedas, como o Dash e o Monero. O motivo seria os custos das transações envolvendo as bitcoins, devido a sua popularização. Mesmo assim, segundo um relatório da empresa de análise de blockchain Chainalysis, o uso de bitcoins em atividades ilegais neste ano pode super o valor de U$ 1 bilhão.

Outra polêmica que envolve a bitcoin e outras criptomoedas é a ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. Como as operações não dependem de bancos e outros órgãos oficiais, fica quase impossível para a justiça reaver esses valores.
Justamente por isso alguns países buscam regulamentar as criptomoedas. No Brasil, desde 1º de agosto tanto as corretoras deverão informar as transações dos seus clientes quanto as pessoas físicas que investem mais de R$ 30 mil em um mês deverão informar à Receita Federal sobre suas operações.
Nos Estados Unidos, as transações envolvendo criptomoedas devem ser informadas à Receita Federal. No Japão, o Marco de Serviços de Pagamento regulamenta as operações e delimita as regras que as empresas devem seguir. Elas também devem checar a identidade dos usuários e os registros de transações.


