Ídolos anônimos
Desconhecida do grande público, médica oncologista pediatra faz a diferença em sua comunidade
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sábado, 22 de junho de 2019
Desconhecida do grande público, médica oncologista pediatra faz a diferença em sua comunidade
Erika Gonçalves - Grupo Folha
Nem todo ídolo vive nas capas de revista, é perseguido por paparazzi ou recebe salários estratosféricos. Anônimas do grande público, essas pessoas fazem a diferença na comunidade onde atuam e são muito importantes, servindo de inspiração para muitas outras.
Oncologista pediatra, em seu dia a dia Tânia Anegawa lida com seus pequenos pacientes e seus pais. Por ser uma doença estigmatizada, com tratamento delicado, muitos acabam focando apenas no lado difícil, se esquecendo da possibilidade de cura. E nesse momento ter um médico que ofereça tratamento humanizado faz toda a diferença, muitas vezes influenciando toda uma vida, muito além da cura.
Foi em 2009, aos 8 anos, que a hoje estudante de enfermagem Paola Ramos Silvestrim, 19, descobriu um câncer no ovário. Depois do diagnóstico, ela foi encaminhada para tratamento com Anegawa e essa relação foi muito além do consultório, influenciando a escolha profissional da jovem.
“Ela me acompanhou todo o período do tratamento, por cinco anos, até eu estar curada e continua me acompanhando até hoje. Sou muito apegada a ela, estou com 19 anos mas continuo indo na minha pediatra”, diz rindo.
Em sua opinião, a médica sempre dispensou um tratamento muito além do visto em outros profissionais. “Quando era para ser descontraída ela era, quando era para pegar no meu pé ela pegava, quando era para ser séria ela era também. Ela mudava o cenário, ela foi um apoio para a minha família também", garante.
A estudante disse que não aceitava que tinha câncer e foi a oncologista que a incentivou a ir na ONG Viver. “O ambiente lá era bom, colorido, mas eu não gostava de ir. Ver as outras crianças doentes me deixava triste. Claro que hoje isso mudou”, diz a hoje voluntária. E se a sua intenção era seguir profissionalmente na área da saúde, o exemplo de Anegawa só veio corroborar sua vontade.
“Minha escolha tem tudo a ver com ela, tenho um vínculo e uma confiança muito grande. Ela me tratou, me inspirei muito nela. Eu já queria fazer algo na área de saúde, mas ela me inspirou. Eu quero poder impactar outras pessoas assim como ela me impactou. Pode ser que eu ainda mude de ideia, mas minha intenção é trabalhar na pediatria ou na pediatria oncológica, por causa dela”, explica.
Apesar de Anegawa também ser docente na Universidade Estadual de Londrina, não ministra aulas para o curso de Enfermagem. Mesmo assim, ambas já puderam estar juntas em um evento acadêmico. “Tivemos a Liga Acadêmica de Pediatria, a doutora Tânia foi lá dar uma palestra e ainda me usou como exemplo, disse que entre todos havia uma pessoa que havia se curada do câncer. Ela nunca me disse que eu ia morrer. Eu não sei como ela consegue, sempre vê o lado bom, é muito forte, não se deixa abalar. Eu a amo!”
"MÃEZONA"
Mãe de Pedro, 10, a dona de casa Ana Paula Lone é outra fã incondicional da oncologista. Há um ano o menino faz tratamento contra o câncer e frequenta as sessões de quimioterapia semanalmente. “A doutora Tânia é muito sincera, tenta ajudar a família toda. Ela é muito dedicada, carinhosa, meiga, uma mãezona”, descreve Lone.
Ela confessa que quando o neurologista fez o encaminhamento para a oncologista, foi procurar referências com outras pessoas e só encontrou elogios. “As outras mães na ONG Viver também adoram a doutora. Ela é um anjo na vida das crianças, sempre muito dedicada. Pedro tem uma outra doença, ele é muito sensível e ela o conhece muito bem. Qualquer problema mando mensagem e assim que possível ela me retorna, não importa a hora. Ela cuida das mães também, não só das crianças. E junto com o Pedro, são duas crianças. Ela faz parte da nossa família”, destaca.
MAIS FÃS DO QUE ÍDOLO
Com 22 anos de formada, Tania Anegawa conta que tanto carinho dos pacientes é apenas reflexo de atuar em uma área muito difícil e que ao mesmo tempo possibilita grandes aprendizados. “Convivo com pacientes incríveis e com famílias maravilhosas, eles me permitem fazer parte da família! A confiança que eles depositam em mim, é mais do que uma responsabilidade, é um estímulo para que eu me dedique a eles. Acredito que a atenção ao paciente como um todo, bem como sua família, pode fazer a diferença no tratamento”, aponta.
Ela diz ficar muito
orgulhosa de cada paciente e o seu desenvolvimento, tanto pessoal
quanto profissional. Além de Paola, que segue carreira na
enfermagem, Anegawa tem outros pacientes que também optaram pela
área de saúde. “Desde que Paola comentou sobre a escolha
profissional eu a incentivei, mas nunca achei que fosse por
influência minha, e talvez, nem posso admitir isso. Ela sempre foi
uma menina incrível e tem uma mãe forte e batalhadora! Ela conheceu
várias enfermeiras que também foram grandes e boas influências.
Lógico que todas as vezes que eu a encontro nos corredores do
hospital, agora como uma estudante e em breve como uma profissional,
meu coração pula de alegria. E quando ela me abraça , é um orgulho
imenso, pois sei que ela será uma profissional extraordinária.”
Para a médica, a oncologia é uma área realmente difícil, mas, independentemente da gravidade da doença, as famílias precisam sentir que o médico está ao lado delas. Dessa forma, mesmo que o resultado não seja a cura, elas sentirão que todo o possível foi feito e que os profissionais estiveram empenhados.
“Não me sinto ídolo, muito pelo contrário. Conheço pessoas fantásticas como a Dorian Guerra, que é uma pessoa iluminada, que afeta as pessoas positivamente só de estarem ao lado dela, além de ter fundado uma entidade tão importante para o apoio das crianças e adolescentes em tratamento com câncer, a ONG Viver. Destaco também todos os voluntários e funcionários da ONG Viver; médicos incríveis como a minha falecida amiga Ides Sakassegawa, que sempre me incentivou e inspirou; cada paciente é especialmente inspirador e muitas mães são tão maravilhosas que viro fã mesmo! Então sou muito mais fã do que ídolo”, destaca rindo.
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