Criada há dez anos, a criptomoeda, Bitcoin, segue campeã entre os termos mais buscados na internet. As dúvidas sobre os novos tipos de investimentos, regulamentação do mercado e até conceitos mais simples como “O que são Bitcoins?”. Para responder a essas questões dos internautas até um guia virtual foi criado - "Bitcoins for Dummies" (Bitcoins para leigos) que explica o conceito e o funcionamento da moeda para iniciantes e curiosos.

Imagem ilustrativa da imagem #BITCONS  - MOEDAS DAS DÚVIDAS
| Foto: iStock

Um dos motivos de toda a atenção para a nova moeda é sua alta rentabilidade. A cotação de uma unidade de Bitcoin, na abertura do mercado financeiro na segunda-feira (23) equivalia a 42 mil unidades de Real, com previsão de alta. A sua natureza cosmopolita e digital é outro fator importante. Sem fronteiras, ela permite que seus proprietários realizem pagamentos para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.

Há países inclusive, como a Austrália, que incentivam os turistas a viajarem com Bitcoins. Pelo caráter internacional elas evitam diferenças de cotações e filas em casa de câmbio. A cidade litorânea de Agnes Water, apesar de não constar na lista da revista Forbes em 2018 sobre as dez cidades que mais aceitam criptomoedas - na qual a cidade de Praga na República Tcheca ficou em primeiro lugar (veja quadro 1) - se autodenominou “cidade das moedas digitais.” Com pouco mais de dois mil habitantes, aceita moedas virtuais em mais de 30 comércios locais, que vão desde restaurantes até a “padaria do bairro”. As moedas virtuais para a qual a cidade tem suporte hoje são Bitcoin, Bitcoin Cash, Litecoin e Ethereum, segundo consta no site oficial de boas-vindas aos visitantes (visitaagnes1770.com.au).

Anúncio incentiva turistas a visitarem  a cidade australiana Agnes Water com o uso de moedas virtuais
Anúncio incentiva turistas a visitarem a cidade australiana Agnes Water com o uso de moedas virtuais | Foto: visitaagnes1770.com.au

Hoje, existem mais de 1.600 tipos de moedas virtuais disponíveis e em operação no mercado financeiro. As Bitcoins, apesar de serem as mais famosas, são somente um tipo de unidade monetária num universo que cresce em progressão geométrica (veja quadro 2).

O atrativo financeiro das moedas digitais é que com a falta de regulação a moeda é livre de impostos e sua criptografia não permite rastreio nas operações, o que denota, talvez, seu ponto mais controverso.

Como a principal característica é sua descentralização, isto é, o processamento e a verificação das transações são realizados de forma coletiva em rede, sem a necessidade de uma autoridade central para supervisioná-los, o mercado flutua livre pela lei da oferta e procura. Isso torna o investimento de alto risco e há suspeita de serem usadas para sonegação de imposto, lavagem de dinheiro e atividades criminosas na Dark web . Essas suspeitas, inclusive, são como alguns governos justificam o fato de as moedas digitais terem seu uso barrado para algumas atividades financeiras e outros, como na China e na Coreia do Sul, estudarem formas de proibir definitivamente o uso de criptomoedas em seus territórios.

Quadro 1
Quadro 1

REGULAMENTAÇÃO

No Brasil, a falta de regulamentação está em discussão desde 2015, com o projeto de lei PL2303/15, que visava proibir o uso de bitcoins em compras de milhas aéreas. Após discussões em plenário, a PL teve seu texto modificado para regulamentar o uso geral das moedas virtuais e os programas de milhagens das companhias aéreas de forma independentes para abranger mais itens. Em maio deste ano, a Câmara dos Deputados criou uma comissão especial para discutir o caso das criptomoedas e tentar chegar a um entendimento sobre o assunto.

Como alternativa, a comissão realizou uma audiência pública, nesta última quarta-feira (25), para a qual foram convidados diversos empresários e investidores de Bitcoins para discutir o mercado e a elucidar as dúvidas dos parlamentares. O encontro foi proposto pelo deputado Professor Israel (PV-DF), que justificou a necessidade de se conhecer as "particularidades de cada atividades para entender as necessidades regulatórias".

Essa necessidade de esclarecimentos explicitada pelo deputado também se encaixa no perfil de dúvidas do grande público interessado em entender, analisar possibilidade de investimentos engrossam as estatísticas nos buscadores da web em diversos idiomas.

Bitcoins para iniciantes

O fotógrafo e investidor amador Isaac Fontana, 28, iniciou seus investimentos em criptomoedas em abril deste ano, estimulado por propagandas em sites de notícias. Fontana, que já tinha o costume de investir em capitais, considera sua primeira aplicação no mercado das moedas virtuais moderada, “150 reais. Eu estava guardando dinheiro para comprar um computador e investia esse montante em outras carteiras. Mas quando eu comecei a me interessar por Bitcoins, fui pesquisar. Fiquei apreensivo, pois era um negócio novo e as pessoas diziam 'ganhou quem investiu no começo, quando estourou, agora ninguém ganha mais', mas não é assim”.

Foi em pesquisas na internet que Fontana descobriu o aplicativo de investimento em bitcoins que usa há quase seis meses. Curioso e adepto de novas tecnologias, assume que todo seu conhecimento foi adquirido on-line digitando suas dúvidas nos buscadores. Atualmente ele se considera um investidor de risco e passou todo seu capital de investimentos para as criptomoedas. “Tem dois tipos de pessoas que investem em bitcoins: quem investe pela oportunidade e quem acredita na ideia. Para esse tipo de pessoa não importa a cotação, ele acredita na ideia das criptomoedas, na teoria da descentralização monetária, na independência sobre o sistema bancário. São as pessoas que quando surgiram as primeiras criptomoedas tiraram tudo que tinham para investir, independente ganhar ou perder. E é o futuro, e ele já está aqui.”

Tela de aplicativo usado para day trade de moedas virtuais pelos amigos Isaac Fontana e Gustavo Carneiro
Tela de aplicativo usado para day trade de moedas virtuais pelos amigos Isaac Fontana e Gustavo Carneiro | Foto: Patricia Maria Alves

Por influência do amigo, o fotógrafo Gustavo Carneiro, 33, começou a investir em criptomoedas há seis meses. Ele conta que no início ficou “viciado” em entender o mercado flutuante, estudou gráficos, fez vários cursos on-line e esse aprendizado o ajuda a não perder tanto dinheiro. "Hoje eu não tenho dinheiro investido em Bitcoins, na moeda, eu apenas faço o Day trade, que consiste em uma operação de curto prazo que se baseia na compra e venda dos ativos no mesmo pregão. Eu gosto de investir mais nas moedas Dash e Ripple." Esta última Carneiro considera muito promissora. Segundo ele, por ser uma moeda menos abstrata que a Bitcoins. "Ninguém sabe muita coisa sobre a Bitcoin; a Ripple não, ela foi criada por uma empresa, o mercado funciona diferente, eles têm uma história, um ponto, criadores, isso muda muito a situação de uma moeda".

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