FOLHA ENEM 2021 -

Renovação do banco de questões do Enem é válida e necessária

Inep já demonstrou insatisfação com o atual estoque de perguntas que são usadas na prova; saiba como são criadas as questões do Enem

Edson Neves - Especial para a FOLHA
Edson Neves - Especial para a FOLHA

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) passou por uma grande mudança em 2009, quando o Ministério da Educação anunciou que a estrutura da prova seria focada nas "competências e habilidades" já conhecidas pelos estudantes e abordadas em outros conteúdos do Folha ENEM. 


 

Renovação do banco de questões do Enem é válida e necessária
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Porém, o chamado BNI (Banco Nacional de Itens) do governo federal, que reúne uma coleção de questões a serem usadas em provas não só como o Enem, mas também do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), do Encceja (Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos) e do Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira), não acompanhou as mudanças do formato, recebendo críticas do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), entidade que organiza a prova, dizendo que o banco de questões estava "obsoleto". 


O professor Nilson Douglas Castilho, coordenador de ensino médio do Colégio Marista de Londrina, acredita que o Ministério da Educação demorou demais para fazer essa renovação. "A mudança do Enem foi há doze anos, e só recentemente implantaram uma base curricular" disse, se referindo à BNCC (Base Nacional Comum Curricular), documento que normatiza a elaboração das propostas pedagógicas da educação infantil até o ensino médio no país, homologada em 2018.


Outro argumento levantado por Castilho é da falta de capacitação de professores para se moldar à nova realidade do exame. Para ele, a possível escassez de profissionais adaptados ao "novo" modelo do Enem pode explicar a insatisfação do Inep. "Logo no começo (da mudança), poucos professores tinham essa aptidão de trabalhar em questões inéditas dentro dessa nova perspectiva de competências e habilidades. O formato atual da prova exige reflexão, raciocínio, interdisciplinaridade. Uma visão ampla de mundo. Se o aluno precisa ter essa nova visão, os professores também devem, e isso só vem com capacitações".


"Atualização nunca é demais"

Parte do processo de formulação de novas questões para o Enem podem servir também, de acordo com o professor, para substituir termos já não usados no cotidiano, ou que possuem um entendimento diferente de anos atrás. Castilho vê isso como algo positivo. "A prova do Enem deve ser um reflexo da juventude e dos problemas que esse grupo esteja vivenciando. O dia a dia é muito dinâmico e as coisas podem mudar rapidamente. Hoje, mais do que nunca, o exame precisa acompanhar isso. É superimportante essa revisão, para que a prova acompanhe as atualidade, o que é tido como pauta de interesse público", destacou.

 

Acima de tudo, Castilho reforçou o dever das instituições públicas e privadas em oferecer uma formação continuada nos novos formatos de educação. "Primeiro é necessário que os cursos de licenciatura trabalhem essa aprendizagem por competências e habilidades de uma forma muito prática, para que o professor tenha facilidade de criar questões dentro dessa ótica. Um suporte contínuo é regra fundamental para ter qualidade na formação", concluiu o professor.


Como é feito

Segundo o Inep, o processo de elaboração das perguntas do Enem começa com a publicação de editais para pessoas físicas (professores) ou jurídicas (instituições de ensino) interessados em colaborar. Após o credenciamento, é feita uma seleção dos perfis para fazer parte do grupo que receberá treinamentos para atuação no processo de elaboração das questões, com base na Matriz de Referência da prova e outros critérios da entidade.


Criadas as perguntas, as mesmas passam por um comitê de revisores e por especialistas do Instituto. Se aprovadas, as questões passam por uma espécie de "pré-teste" em alunos com perfil de candidatos do ENEM - sem que eles saibam a finalidade das questões - para avaliar o grau de dificuldade da pergunta e a probabilidade de acerto, com base na  TRI (Teoria de Resposta ao Item). Os itens aprovados passam então a compor o BNI e ficam disponíveis para as edições seguintes do Exame.


Edson Neves/ Especial para a FOLHA


Treine para a Redação e veja: FOLHA ENEM/ CADERNO 9/ REDAÇÃO


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