ELEIÇÕES 2020 -

IPTU, número de candidatos e pandemia barram reeleições na Câmara

Coligação de Marcelo Belinati elege nove parlamentares; 12 siglas diferentes ocupam 19 cadeiras

Guilherme Marconi - Grupo Folha
Guilherme Marconi - Grupo Folha

Com seis vereadores reeleitos, 12 novatos e uma ex-parlamentar de volta, a Câmara Municipal ganhará uma nova configuração em 2021 para discutir assuntos de grande repercussão na cidade como o Plano Diretor e o orçamento municipal no contexto da pandemia. Para o presidente da Casa, Ailton Nantes (PP), a renovação de 68,4% é reflexo de questões internas e externas. As mudanças na legislação com o fim das coligações nas proporcionais culminaram no número recorde de candidatos a uma cadeira na Câmara. O vereador reeleito com 2.652 votos admite também que debates internos como a votação da planta genérica de valores com aumento do IPTI acabou afetando a reeleição dos atuais parlamentares.


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"Houve uma pulverização dos votos com o fim das coligações, o número maior de candidatos e também a questão das cotas femininas. Também vejo que hoje a população consegue avaliar melhor o trabalho do vereador. Há uma transparência nas informações, isso facilita ao munícipe avaliar o trabalho para ver se o vereador tem o perfil que agrada. E obviamente ele pode renovar", avalia. 


Questionado, o presidente da Câmara admite que a conta da revisão da planta de valores no final de 2017 acabou saindo mais cara para o Legislativo do que para a gestão Marcelo Belinati, que foi responsável por emitir o boleto do IPTU em 2018. "O Executivo que encaminhou o projeto, ele que faz a cobrança, mas ele tem como diluir esse ônus através de obras e serviços. O Legislativo debateu e votou, mas para parte do munícipe fica a impressão de que fomos os responsáveis pelo aumento. Só ficamos com o ônus", reconhece o parlamentar, que é da base de apoio de Belinati. 


Entre os partidos, aquele que obteve o maior número de cadeiras para a 18ª legislatura foi o Progressistas, com quatro postos. Em seguida aparecem Pros (Partido Republicano da Ordem Social), PL (Partido Liberal), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e o PSC (Partido Social Cristão), com 2 cadeiras cada um. A coligação "Londrina por quem entende de Londrina", de Marcelo Belinati, era formada por seis siglas (PP, PTB, PL, PSDB, PATRI e Solidariedade) e terá 9 vereadores no total. 


TUCANOS DE FORA 

Pela primeira em 30 anos o PSDB não elege parlamentares na Câmara de Londrina. O vereador Amauri Cardoso atingiu 1.818 votos. Mesmo com mais votos que a vereadora eleita Sonia Gimenez  (PSB), que teve 1.681, o tucano ficou de fora pelo quociente eleitoral. Segundo o cálculo do partido, faltaram 173 votos para Cardoso conquistar a cadeira, que acabou indo para o vereador eleito Marinho, do MDB.  


Cardoso aponta diversos fatores que prejudicaram o partido na conquista de uma vaga. Além da crise política que já havia afetado a sigla nas eleições de 2018, no âmbito local alguns candidatos com votos expressivos como Sonia Gimenez  e o ex-vereador Gustavo Richa (PTB) deixaram a legenda. O PSDB também não contou neste pleito com o vereador Gerson Araújo, decano da Câmara, que anunciou aposentadoria e não disputou a reeleição. "Eu fui o mais votado do PSDB na última eleição, com 2.950 votos, mas tinham outros candidatos fortes." Amauri Cardoso também cita que a coligação do prefeito lançou muitos candidatos professores e, com isso, o voto do seu nicho na educação ficou fragmentado. "Os nomes que restaram no partido são de pessoas mais novas, ainda desconhecidas." 


Nos últimos 30 anos, o PSDB vinha conquistando entre duas a três cadeiras em média por legislatura. O pastor Gerson Araújo, Paulo Arildo e Roberto Kanashiro se revezaram nas últimas duas décadas, contando ainda com a presença do agora deputado estadual Tercílio Turini (hoje no Cidadania), que esteve no PSDB na legislatura 2000/2004. O partido também teve tradição na disputa majoritário com candidaturas a prefeito do então deputado federal Luiz Carlos Hauly e Valter Orsi. 

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ESQUERDA DENTRO

Lenir de Assis (PT) é a única ex-parlamentar a voltar para a Câmara em 2021 para o seu terceiro mandato, com 2.546 votos. Na atual legislatura ela ficou de fora pelo quociente eleitoral, mesmo obtendo 3.138 votos nas eleições de 2016. "O Partido dos Trabalhadores é um partido de esquerda e do campo progressista e fizemos uma chapa extraordinária, com muito comprometimento na vida comunitária", avalia.


Apesar da diminuição do número de parlamentares petistas na cidade, que já teve dois prefeitos nos últimos 25 anos, Lenir ressalta que o retorno do PT para a Câmara servirá para ocupar um espaço de representatividade popular. " O espaço que vamos preencher na Câmara é uma vitória do campo democrático e vitória da resistência. É fundamental que tenhamos no legislativo a representatividade das mulheres, dos movimentos sindicais e populares e dos trabalhadores".    


Conhecida pela atuação combativa na legislatura 2013/2016, ao lado de Elza Correia e Sandra Graça, na denominada "bancada do batom", a futura vereadora petista ressalta a importância da representatividade feminina, agora com sete mulheres eleitas. "São mulheres de diferentes filosofias políticas, eu vejo como fundamental esse momento. Londrina mostrou que é preciso a participação das mulheres. Eu vejo como um avanço muito grande para a política londrinense", finaliza.  


RÉUS DA ZR3 

Os vereadores Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB) tiveram 402 e 341 votos, respectivamente. Ambos estão entre os 13 réus no processo da Operação ZR3 do MP (Ministério Público), que denunciou um suposto esquema de corrupção em tratativas de projetos de lei sobre o zoneamento urbano. Em janeiro de 2018, os parlamentares foram afastados do cargo por decisão da 2ª vara criminal de Londrina. Eles só puderam retornar à Câmara em meados de 2019. Nesse ínterim também foram investigados por quebra de decoro parlamentar sobre os mesmos fatos em uma Comissão Processante aberta na Casa, mas foram absolvidos no julgamento político. Ambos negam as acusações do MP.

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