Consolidada, a relação entre Brasil e Japão se fortalece por gerações. Organizada pela Secretaria Municipal de Governo (SMG), em parceria com as secretarias municipais de Cultura (SMC) e de Educação (SME), a Semana da Irmandade Londrina-Nishinomiya celebra 49 anos de relacionamento entre as duas cidades.

Declaradas cidades-irmãs desde 1976, Londrina e Nishinomiya desenvolveram ao longo desses anos ações mútuas de cooperação internacional e trocas culturais. A Semana da Irmandade Londrina-Nishinomiya integra esse conjunto de ações.

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Foi pela Lei Municipal nº 13.006 de 2020 que a Semana da Irmandade foi instituída no calendário de comemorações oficiais do município. Desde então, as atividades promovidas são sediadas na Biblioteca Pública de Londrina com o objetivo de fortalecer o vínculo de amizade e cooperação do município com sua cidade-irmã Nishinomiya, no Japão.

A programação do evento nesta edição contou com a exposição de desenhos, oficina criativa e contação de histórias. Neste ano, também é comemorado o aniversário de 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegações entre Brasil e Japão, por isso, haverá uma exposição que traz um breve histórico das relações entre os dois países.

A abertura oficial do evento inaugurou a exposição dos desenhos feitos pelas crianças de Nishinomiya às crianças de Londrina. Todos os anos, as crianças japonesas desenham para as crianças londrinenses, em um gesto de amizade que estreita os laços entre as nações.

A pedagoga Renata Suzue ministrando oficinas de desenhos aos alunos da E.M. Arthur Thomas: paisagens de Londrina serão enviadas para escolas de Nishinomiya (Japão)
A pedagoga Renata Suzue ministrando oficinas de desenhos aos alunos da E.M. Arthur Thomas: paisagens de Londrina serão enviadas para escolas de Nishinomiya (Japão) | Foto: Walkiria Vieira

A ação será retribuída pelas crianças londrinenses, que irão produzir, durante oficina de aquarela, desenhos que serão enviados ao Japão. Este intercâmbio entre as cidades faz parte da campanha “World Children’s Exhibition”, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Durante a contação de histórias com a pedagoga Renata Suzue, alunos da E.M Arthur Thomas conheceram “A lenda do pássaro de Hyoko”. O enredo, que é inspirado em uma lenda japonesa, conta a trajetória de um pássaro que nasceu com apenas uma asa e busca incessantemente se encaixar no padrão das outras aves, mas sem sucesso. O livro traz uma reflexão sobre aceitação e autodescoberta.

Alunos da Escola Municipal Carlos Castelo Branco desenham pontos turísticos de Londrina, como a Rodoviária, para enviar a alunos do Japão
Alunos da Escola Municipal Carlos Castelo Branco desenham pontos turísticos de Londrina, como a Rodoviária, para enviar a alunos do Japão | Foto: Divulgação

DESENHOS PARA NISHINOMIYA

Após contação, uma oficina de desenho com aquarela e técnicas mistas, também conduzida por Suzue, permitiu que os alunos criassem desenhos que serão enviadas para Nishinomiya. A exposição será em fevereiro de 2026 na cidade japonesa. “Ministro aulas de desenho há alguns anos, com estratégias organizamos um pequeno plano de ação que desbloqueia a criatividade, ajuda a criança a aproveitar suas ideias e colocá-las no papel, com tinta, lápis grafite, giz de cera e papel especial com gramatura específica. E esses desenhos atravessarão o oceano rumo à cidade Nishinomiya”, destacou a pedagoga.

"Fomos convidados para participar da oficina com a contação de história e uma oficina em aquarela - uma técnica que eles vão aprender nessa oficina - serão 53 alunos do 5º ano", explica a coordenadora pedagógica da unidade, Giovania Ferrarezi. "Na escola, a professora regente explicou sobre esse intercâmbio cultural e essa partilha de conhecimento entre essas duas cidades tão distantes geograficamente. Eles poderão apreciar a exposição dos trabalhos e também enviar uma aquarela pintada por eles para os alunos lá. Mesmo sendo uma atividade tão singela, já configura um intercâmbio entre esses estudantes. Conhecer culturas diferentes e distantes do Brasil é enriquecedor e promove o respeito e a empatia por outros povos", afirma a coordenadora.

Paisagens de Londrina, como o Lago Igapó, são temas de desenhos feitos pelos alunos da E.M. Castelo Branco
Paisagens de Londrina, como o Lago Igapó, são temas de desenhos feitos pelos alunos da E.M. Castelo Branco | Foto: Divulgação

KIRIGAMI ENTRE AS ATIVIDADES

Uma oficina de kirigami com Angelo Meneghetti, que é artista kirigamista há mais de 20 anos, também enriqueceu a programação. A oficina foi dividida em duas modalidades: kirigami bidimensional e tridimensional. De acordo com o Meneghetti, os participantes aprenderam a construir insetos, animais, ciranda de crianças e até mandalas. “São dois métodos: o imitativo, a partir de moldes, e o criativo, em que ensino o processo de criação sem moldes e os alunos passam a produzir seus primeiros kirigamis autorais”, explicou.

Alunos do 5º ano da E.M Dr. Carlos da Costa Branco também participaram de uma atividade. De acordo com a coordenadora da unidade, Luciana Fernandes de Oliveira, os 46 estudantes do 3º ano desenharam pontos turíticos de Londrina, apresentando-a para os estudantes do Japão. "Um intercâmbio importante para a formação dos alunos".

O JAPÃO EM LONDRINA

A Praça Nishinomiya também é conhecida como “Praça do Aeroporto” e possui pista de caminhada, campo de futebol, academia ao ar livre e parque infantil. Inaugurada em 02 de fevereiro de 1988 e projetada pelo arquiteto londrinense Humberto Yamaki, a praça reinterpreta os Jardins de Pedra Zen, existentes na cidade de Kiyoto, no Japão.

O local é um símbolo de co-irmandade entre a cidade de Nishinomiya e a cidade de Londrina. Os recursos para a construção da praça vieram da cidade de Nishinomiya (que significa templo do oeste). A estrutura que se assemelha a um gazebo é a representação estilizada dos pórticos de templos xintoístas japoneses conhecidos como Torii. As calçadas sinuosas representam as águas.

A lanterna “Kasugatoro” (lanterna do templo Kasuga) é um símbolo da amizade entre as cidades de Nishinomiya, no Japão, e Londrina no Brasil foi doada pela Prefeitura Municipal de Nishinomiya em setembro de 1989. A lanterna “Kasugatoro” é um exemplar original do Japão e possui mais de 400 anos. No Japão as lanternas são utilizadas como decoração pública.

Responsável pela Gerência de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Diversidade, Eliane Candotti é coordeandora do projeto Conhecer Londrina e oferece conhecimento aprofundando sobre a história da cidade. No roteiro, toda a trajetória de como, os nipônicos, trazendo consigo a semente da educação, e alicerçados nos valores da instrução, planejaram e construíram, com esforços coletivos, a primeira escola japonesa da cidade, dedicada à formação escolar de suas crianças.

Assim, o ambiente de ensino foi erguido em um terreno doado por Hikoma Udihara. Essa escola pioneira foi fundada pela Associação Japonesa de Londrina, que sentiu a necessidade de criar uma instituição de ensino para suas crianças, já que na época não havia nenhuma escola disponível. A colônia não poupou esforços, estendendo suas mãos, e por vezes seus bolsos, para o florescer da educação.

Foi um marco para a colônia japonesa local e para a construção da identidade educacional do município. A escola ficava onde hoje está a rua São Jerônimo e suas atividades tiveram início em 10 de julho de 1933. Segundo registros, a primeira turma era formada por vinte e quatro alunos. Os alunos eram isseis e nisseis, vindos do Japão ou filhos de japoneses nascidos no Brasil. A escola progrediu e, posteriormente, uma nova sede foi construída no cruzamento das ruas Hugo Cabral e Pio XII.

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