Alunos da rede municipal são guardiões das 'abelhas sem ferrão'
Práticas investigativas e lúdicas oferecem conhecimento sobre a importância da polinização no meio ambiente a mais de 11 mil alunos de Londrina
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de novembro de 2025
Práticas investigativas e lúdicas oferecem conhecimento sobre a importância da polinização no meio ambiente a mais de 11 mil alunos de Londrina

As abelhas desempenham um papel fundamental no meio ambiente devido à polinização - crucial para a produção de alimentos - bem como por sua organização social complexa e disciplinada. Símbolo de cooperação e trabalho em equipe, as abelhas são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas e a fertilidade de grande parte das plantas com flores e culturas agrícolas.
A Secretaria Municipal de Educação de Londrina (SME) desenvolve o Projeto de Educação Ambiental “Abelhas sem Ferrão: conhecer para preservar” desde 2022. A iniciativa tem como objetivo instalar colmeias de abelhas nativas sem ferrão da espécie Jataí (Tetragonisca angustula) em unidades que já possuem hortas escolares ou jardins sensoriais.
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O projeto busca informar e sensibilizar a comunidade escolar sobre a importância dessas abelhas para a polinização, destacando seu papel essencial na manutenção dos ecossistemas e na preservação da biodiversidade. O trabalho é coordenado por dois servidores da SME, a responsável pelo Apoio Pedagógico de Ciências, Cristina Borba, e o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Guilherme. No total, a iniciativa atende 11.500 crianças, desde a Educação Infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental.
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De acordo com Borba, o projeto também possui um forte caráter pedagógico, pois transforma as colmeias em espaços de aprendizagem. "Os estudantes vivenciam experiências práticas, investigativas e lúdicas, que ajudam a compreender o papel das abelhas na natureza, fortalecendo o conhecimento científico e a consciência ambiental desde os primeiros anos escolares", explica.
O projeto foi inicialmente implementado nas Escolas Municipais Maestro Andrea Nuzzi, Maestro Roberto Pereira Panico e Profª Noêmia Alaver Garcia Malanga, despertando o interesse genuíno dos estudantes pelo tema e promovendo a sensibilização sobre a importância das abelhas sem ferrão e da preservação ambiental.
De acordo com os coordenadores, as colmeias foram instaladas com recursos próprios das escolas ou por meio de doações da comunidade. Diante desta iniciativa, a SME estabeleceu parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) por meio da professora Dra. Silvia Helena Sofia do Departamento de Biologia Geral para a realização de palestras a essas unidades.

RECONHECIMENTO E PRESERVAÇÃO
A BNCC aborda a biodiversidade em diversas habilidades, tanto em Ciências da Natureza quanto em Geografia, focando na sua importância, características e preservação. Habilidades específicas incluem analisar a interação das sociedades com a natureza e caracterizar ecossistemas brasileiros, incluindo sua fauna e flora.
Reconhecendo a relevância deste projeto para a Educação Ambiental (EA), a SME submeteu-o à 20ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) em 2023, obtendo aprovação e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Chamada CNPq/MCTI nº 01/2023), que além de impulsionar o projeto das abelhas nativas também foi direcionado para o projeto das hortas escolares na rede municipal.
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Essa iniciativa permitiu a expansão do projeto de três para quinze unidades escolares, a padronização das casinhas com colmeias de abelhas Jataí (Tetragonisca angustula) que receberam cadeado para garantir a segurança, foram fixadas em toras de eucalipto e contornadas com pavers hexagonais, criando um ambiente lúdico para os estudantes. Além disso, foram implementados jardins com plantas melíferas, essenciais para a alimentação das abelhas e para a promoção da biodiversidade local.
A escolha da abelha Jataí para o projeto não foi aleatória. Esta espécie é nativa do Brasil e é conhecida por seu hábito social, eficiência na polinização e grande capacidade de adaptação a diferentes ambientes. As Jataís são abelhas sem ferrão, o que as tornam ideais para um ambiente escolar, promovendo experiências educativas práticas e seguras aos estudantes. A execução do projeto incluiu a formação para gestores e professores das unidades participantes e o projeto inclui a visita técnica do meliponicultor Alexandre Santos de Souza, de papel fundamental para a garantia da saúde e do bem-estar das colmeias. Souza oferece orientações práticas sobre o manejo sustentável das abelhas na unidade.
Além da instalação de casinhas, colmeias, plantas melíferas, da realização das formações e das visitas técnicas, o projeto também investiu na aquisição de recursos pedagógicos. Foram adquiridos livros sobre abelhas e biodiversidade, disponibilizados para empréstimo às unidades participantes. Esses materiais servem como suporte para atividades pedagógicas, estimulando o interesse dos estudantes pelo tema e complementando as experiências práticas vivenciadas nas observações das colmeias.
Durante as atividades, os estudantes observam e compreendam de perto o ciclo de vida das abelhas, suas funções e seu papel essencial na natureza. Esse aprendizado prático enriquece o conhecimento teórico e torna o estudo mais envolvente e significativo.
Também fomenta o desenvolvimento da consciência ambiental e a responsabilidade sobre o impacto humano na natureza, incentivando práticas sustentáveis e a valorização da biodiversidade. "Ao aprender sobre as abelhas e sua importância para o meio ambiente, os estudantes são incentivados a adotar atitudes mais conscientes e a se engajar em ações que promovam a preservação ambiental", complementa Bor

MAIS EXPANSÕES
Ainda em 2024, o projeto foi novamente submetido e selecionado para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (21ª SNCT), por meio da chamada CNPQ/MCTI nº 08/2024. E expandiu suas atividades, ampliando sua presença para um total de 45 unidades escolares municipais. Essa expansão permitiu que um número ainda maior de professores e estudantes se beneficiem das valiosas experiências pedagógicas oferecidas pelo projeto, fortalecendo a educação ambiental e sensibilizando sobre a importância das abelhas na biodiversidade e na sustentabilidade.
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"Ao longo desses anos, desde a implementação do projeto, as unidades participantes vêm desenvolvendo atividades fundamentadas em uma abordagem investigativa, que estimula a curiosidade, a criatividade, a problematização e a compreensão de fenômenos ligados ao modo de vida e à relevância das abelhas polinizadoras para o equilíbrio ambiental", destaca. No ano passado, o projeto “Abelhas sem ferrão” foi submetido e novamente selecionado na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (21ª SNCT). Com um financiamento no valor de R$ 50 mil, o projeto pôde viabilizar a sua expansão para mais 30 escolas e CMEIs", comemora Borba.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.




