Alunos da rede pública de Londrina conhecem roteiros históricos
Projeto da Secretaria Municipal de Educação (SME) promove aulas a céu aberto por pontos que escrevem a história da cidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de outubro de 2025
Projeto da Secretaria Municipal de Educação (SME) promove aulas a céu aberto por pontos que escrevem a história da cidade

Feito museu a céu aberto, a cidade de Londrina é um verdadeiro roteiro de estudos para estudantes de todas as idades. Por meio de atividades planejadas, a Secretaria Municipal de Educação (SME ),confirma o investimento contínuo na formação dos cidadãos. O Projeto Conhecer Londrina é um exemplo deste trabalho. Trata-se de uma metodologia de trabalho baseada em aulas de campo, onde a turma, junto com professor, após ter iniciado o aprendizado em sala de aula, realiza um percurso a pé ou de ônibus, reconhecendo os principais pontos históricos do roteiro escolhido.
Implementado nos anos 90, o projeto Conhecer Londrina contemplava inicialmente uma visita ao Museu Histórico e à alguns pontos de relevância histórica e social para a cidade. Ainda que não houvesse grandes interações, o projeto destacou-se por oferecer o contato com lugares e histórias desconhecidas para grande parte dos alunos. Devido à sua importância na prática educacional dos anos iniciais, o projeto foi retomado em 2002, estendendo suas atividades aos alunos e professores do Ensino Fundamental I e da EJA e da Educação Infantil.

Composto por sete roteiros e contemplando várias regiões, os estudantes são levados a conhecer a cidade, em atividade extraclasse com passeios pelos pontos urbanos. Ao priorizar o aprendizado sobre o município, patrimônios históricos culturais materiais e imateriais, o projeto renova-se e ganha admiradores a cada ano.
Assim, a SME, em consonância com a legislação vigente, propõe que além dos conteúdos referentes à Base Nacional Comum (BNCC), o currículo contemple o estudo e a problematização de temas locais no decorrer do Ensino Fundamental I, sendo tratados de forma específica nos terceiros, quartos e quintos anos por meio da história do bairro, de Londrina e do Paraná. Para tanto, existem formações continuadas e publicações voltadas à história local que favorecem o ensino de História nos anos iniciais.
CONHECER LONDRINA
De acordo com a responsável pela Gerência de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Diversidade, Eliane Candoti, o projeto avança com uma formação com os professores da educação infantil . "O CLEI - Conhecer Londrina para a Educação infantil, teve início com visitas com os professores para repertoear e, de alguma, forma acaba contribuindo com as propostas das turmas da Educação Infantil ", explica.
Candoti acrescenta ainda que trata-se de um olhar especial para a primeira infância para as vivências pela cidade e as aprendizagens que a cidade oferece. "Existe um entendimento por parte da Secretaria de Educação quanto à primeira infância, conhecer a cidade e o explorar os espaços de brincar e as vivências em cada lugar. Por isso essa formação, por isso nesse engajamento também das unidades escolares de Educação Infantil. O mesmo olhar que temos, é o olhar que eles têm. Tanto para os projetos quanto pra para o envolvimento no próprio projeto conhecer Londrina", ratifica.

PASSEIO E APRENDIZADO
"O Projeto 'Conhecer Londrina' das Turmas de P4 - Turma do Chocolate e Turma da Árvore, proporcionou às crianças a oportunidade de desenvolver o sentimento de pertencimento e identidade com o lugar onde vivem". É o que explica a coordenadora do Centro Muncipal de Educação Infantil - CMEI Valéria Veronesi, Talita Rocha Ortega.
De seu entendimento, as experiências concretas e significativas são fundamentais para a aprendizagem, e explorar a cidade — seus espaços, histórias, símbolos e pessoas — amplia o repertório cultural e social das crianças. "Além de despertar valores como o respeito, o cuidado com o patrimônio público, o orgulho de ser londrinense e que fazem parte de uma comunidade", enumera.
A escola tem como diretora Patricia Ribeiro Costa Rios Molena e as educadoras consideram que o projeto também favoreceu o desenvolvimento da linguagem, da curiosidade, da observação e da convivência, pois estimula o diálogo sobre o cotidiano e as características locais. "Dessa forma, o projeto vai além do conhecimento geográfico: ele contribui para a formação cidadã desde a infância, promovendo o vínculo afetivo com a cidade e incentivando o compromisso com sua preservação e valorização", sustentam também as educadoras Thayzi de Abreu Carrara Barros e Maria Thereza Perusso.

HISTÓRIA VIVA
No roteiro do projeto, a primeira parada é o memorial “O Passageiro”, onde, além da descrição do monumento é possível explorar a vista panorâmica, o cruzamento das vias Dez de Dezembro (norte-sul) e da Avenida Leste-Oeste (antiga linha férrea), os grafites que fazem referência à população de Londrina, visualizar a característica do relevo ondulado suave, o Marco Zero, a referência aos ingleses presente no Shopping Boulevard e a rodoviária, por exemplo.
O monumento “O Passageiro”, obra do artista plástico Henrique Aragão, foi inaugurado no dia 10 de dezembro de 1987 (aniversário da cidade), na Avenida Dez de Dezembro. De acordo com o artista, a imagem da figura feminina se volta para dentro e representa a valorização do que somos, enquanto a imagem do homem busca o contato com o universo e representa o desejo de se comunicar com o novo. A semente dourada, por sua vez, no centro do monumento representa tudo o que se cria, tudo que nasce, tudo que se transforma.
Em campo, aprendem sobre o conceito de Marco Zero, que foi onde a cidade começou e entendem que já havia pessoas aqui antes da chegada dos ingleses. Aprendem que onde está o Shopping Boulevard, antes era uma empresa Anderson Clayton de beneficiamento de grãos e de algodão, fabricante de óleo de algodão. E são convidados a observar a chaminé da antiga empresa Anderson Clayton, de beneficiamento de grãos, óleo de algodão e margarina Claybom. Observam os galpões onde armazenavam café, hoje painel de grafite. Depois, contornam a loja Leroy Merlin, apenas parar em frente ao Marco Zero, sem descer do ônibus e ali falar um pouco mais sobre ele.

No Memorial do Pioneiro, onde está a Folha de Londrina, visitam e conhecem mais sobre a Concha Acústica, as edificações presentes desde a década de 60 e as curiosidades como o paralelípedo, mantido como calçamento no local. Identificam a Agência dos Correios, que ocupa o mesmo prédio desde os anos de 1950, e o Bosque Central, aprendem que ele era apenas um terreno que foi doado ao município pelos colonizadores ingleses, mas em 1958, o local passou a se chamar “Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon”, em homenagem ao sertanista Cândido Mariano da Silva Rondon.


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.


