Mais de cinco mil pessoas são esperadas para a 2ª Parada Cultural LGBTI+ de Londrina, realizada neste domingo (2), dessa vez com uma letra a mais na sigla, em alusão a lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, intersexuais e outros. No ano passado, cerca de cinco mil pessoas se reuniram durante a 1ª Parada Cultural LGBT na cidade. Este ano, já são mais de oito mil pessoas interessadas em comparecer à caminhada no evento oficial no Facebook. A concentração começa às 13h, no Caldação de Londrina, na esquina entre a avenida Paraná e a rua Pernambuco. De lá, dois trios elétricos guiarão o público até o palco do Zerão, onde a parada se estenderá até às 21h, com diversas atrações, como o cantor londrinense Dan Murata, que participou do programa "X Factor Brasil" em 2016 e a cantora Mayara Steel. A temática deste ano é "Temos família e seremos família".

2ª Parada Cultural LGBTI+ de Londrina deverá começar no Calçadão e, animada por trios elétricos, seguir até o palco do Zerão
2ª Parada Cultural LGBTI+ de Londrina deverá começar no Calçadão e, animada por trios elétricos, seguir até o palco do Zerão | Foto: Lírica Aragão/ Divulgação




A palavra cultura aparece no próprio nome da parada. "Quando tratamos de cultura, estamos tratando de arte, religião, dos conceitos sociais, de política, enfim, da identidade de uma sociedade. E trazemos isso para a nossa caminhada porque queremos estabelecer esse diálogo entre movimento, sociedade, espaço de resistência, de visibilidade da população LGBTI+, como também trazer a questão da nossa arte", diz Mariana Valle, integrante do Movimento Construção, coletivo responsável pela organização da parada. "A arte está inserida em todos os espaços e, por que não, no espaço de militância e de ativismo, onde necessitamos tanto da sensibilidade artística como do desenvolvimento do ser humano."

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Por meio dos artistas convidados, o movimento quer dar mais visibilidade à população LGBTI+. "Nós sabemos que aqui na cultura brasileira, diante de uma sociedade machista, a expressão artística acabou dando visibilidade positiva para os poucos nomes LGBTI+ reconhecidos que temos no cenário da cultura nacional", diz Mariana, citando Cássia Eller, Ângela Rô Rô, Cazuza, Renato Russo e a recente Pabllo Vittar. "Nós queremos colorir a cidade com muito respeito, muita atenção aos direitos de todos e todas, e em busca de uma cidade mais justa e igualitária."

Uma das atrações do evento é a drag queen Dimmy Kieer, alter ego do londrinense Dicesar Ferreira, ex-BBB e que se apresenta há mais de 20 anos em todo o país, já tendo gravado CDs e DVDs. Para ele, uma parada LGBTI+ não pode ser somente uma festa, mas, sim, uma causa política. "Não pode ser um carnaval. Une-se une arte à militância não ficando pelado na rua, não falando besteira. Tem que se dar respeito, porque tem vovozinha, tem criança assistindo. Pode, sim, tocar um "I Will Survive", dançar, cantar, mas com postura, com elegância.

Dimmy Kieer, alter ego de Dicesar Ferreira: "Une-se arte à militância, a parada não pode ser um carnaval"
Dimmy Kieer, alter ego de Dicesar Ferreira: "Une-se arte à militância, a parada não pode ser um carnaval" | Foto: Divulgação



O músico brasiliense Pedro Quevedo é outra das atrações da parada. Durante o evento, ele estará promovendo seu novo álbum, "A Casa Sonho", em um estilo que mistura MPB e pop, com canções autorais e covers que vão de Chico Buarque à Xuxa. "A arte tem o poder de ensinar às pessoas novas formas de se viver, sempre direcionado a uma forma idealizada, em que as pessoas se tratem com mais respeito, mais amor", diz Pedro.


As rainhas do arrasto

Drag queen, um homem que se veste com roupas tipicamente associadas ao feminino, incluindo maquiagem pesada e vestimentas exóticas, como diversão ou trabalho. Há também a versão feminina, o drag king, no qual uma mulher assume um papel associado ao masculino. Muitas vezes confundidas com travestis ou transsexuais, as drag queens são uma forma de expressão artística que envolve a elaboração de uma personagem geralmente caricata, com direito a danças performáticas e dublagens, não querendo dizer que a performer se identifica com o gênero da personagem ou ande montada (produzida) no dia a dia.

Joe Veloso como Jojo Kendals: " Sinto como se a Jojo fosse uma fênix que vive em mim e às vezes precisa vir à tona"
Joe Veloso como Jojo Kendals: " Sinto como se a Jojo fosse uma fênix que vive em mim e às vezes precisa vir à tona" | Foto: Fer Stein/ Divulgação



Hoje com 22 anos, Joe Veloso descobriu sua paixão por personagens aos 11 anos, durante as aulas de teatro. "Com o tempo fui juntando a minha admiração pelo feminino às vontades de interpretação". Começou treinando maquiagem em casa, até decidir se aventurar pelo universo drag. Há três anos, nasceu Jojo Kendals, a personagem drag de Joe. "Me ver montado me fez entender um sentimento louco que sempre tive mas nunca consegui entender por completo, sinto como se a Jojo fosse uma fênix que vive em mim e que às vezes precisa vir à tona."

A drag queen Dimmy Kieer é, há mais de 20 anos, o alter ego do londrinense Dicesar Ferreira, de 50 anos, ex-BBB e que se apresenta em todo o país e no exterior levando a arte drag, já tendo gravado CDs e DVDs. Durante todos esses anos, Dicesar viu muitas mudanças no mundo das drags. "Antigamente, se eu precisasse ir de um clube para outro no meio da noite, tinha que tirar a peruca, senão achavam que eu estava tentando me prostituir, mas eu não fazia por isso, é por amor à arte. Hoje, é uma coisa muito mais profissional."

Dimmy Kieer e Jojo Kendals se apresentarão durante a 2ª Parada Cultural LGBTI+ de Londrina neste domingo (2), a partir das 13h, no Calçadão da cidade, esquina com a rua Pernambuco.

*Supervisão Célia Musilli
Editora da Folha 2

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