Sessão de documentário sobre a Palestina mobiliza o público
Exibição de “Notas Sobre um Desterro” reuniu centenas de pessoas na terça-feira no Cine Ouro Verde; nesta quarta (15) haverá mais 2 sessões gratuitas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Exibição de “Notas Sobre um Desterro” reuniu centenas de pessoas na terça-feira no Cine Ouro Verde; nesta quarta (15) haverá mais 2 sessões gratuitas
Lucas peraro/ Especial para a FOLHA 

A exibição do documentário "Notas Sobre um Desterro" reuniu em torno de 300 pessoas na noite de terça-feira (14), no Cine teatro Ouro Verde. Promovido pelo SindSaúde-PR, o evento foi seguido de um debate que reforçou o papel do cinema e da universidade na ampliação das discussões sobre a causa palestina.
Dirigido pelo cineasta paranaense Gustavo Castro, o longa é apontado como o primeiro documentário brasileiro a abordar diretamente a realidade vivida pelo povo palestino em meio ao conflito em Gaza. Segundo o diretor, a proposta inicial do filme passou por mudanças ao longo do processo.
“Fui para a Palestina em 2018, e a ideia inicial era mostrar os conflitos religiosos que envolviam a região. Por conta da guerra que se iniciou em 2023, houve uma reestruturação relevante na maneira que conduzimos a história. Foi se tornando algo pessoal. No início eu não iria aparecer nem narrar o filme, mas decidimos por isso na edição, deixando clara a posição que adotamos”, afirmou.
Leia mais:
Castro também destacou o crescimento do interesse do público. “Hoje foi a nossa maior sessão. Normalmente recebemos entre 100 e 150 pessoas, e hoje tivemos em torno de 300. Isso mostra a força que a causa pró-palestina vem ganhando. Esperamos que o filme alcance mais salas de cinema e gere conscientização para mais pessoas a respeito do genocídio que está acontecendo na região.”, disse.
O debate ainda contou com a participação de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), que destacou uma mudança no debate público brasileiro sobre o tema.
“Eu sinto que o debate público brasileiro mudou. Antes, ninguém falava sobre sionismo. Hoje, uma pessoa comum já discute isso e tem consciência do quanto o povo palestino sofreu ao longo dos anos nesse conflito com Israel. Os debates nas universidades têm contribuído muito, dando mais espaço à causa palestina”, avaliou.
Ualid também apontou caminhos para ampliar o engajamento. “O que podemos fazer daqui para frente é estudar mais sobre a Palestina nas universidades, incentivar pesquisas, doutorados e trabalhos de conclusão de curso. Também é importante visitar a região ou mesmo atuar nas redes sociais, compartilhando conteúdos que mostrem o que está acontecendo. Tudo isso ajuda a fortalecer a causa e dar visibilidade”, afirmou.

OPINIÃO DO PÚBLICO
Entre o público, o impacto do documentário foi imediato. A advogada Amani Said, que tem familiares em Gaza, destacou a carga emocional da obra.
“Me impactou sensivelmente, pois tenho familiares e amigos que estão em Gaza. O filme é um presente em termos de resgate histórico do povo palestino. O Gustavo trouxe um acervo impressionante, com imagens antigas, registros da visita dele à região e vídeos de redes sociais que mostram o genocídio que vem acontecendo nos últimos anos”, relatou.
Ela também ressaltou a resistência do povo palestino diante do cenário atual. “É triste ver o que está acontecendo, mas o povo palestino não tem medo de morrer. A gente não se curva e vai até o fim. Se for preciso, reconstruímos tudo do zero novamente”, concluiu.
Organizado pelo SindSaúde-PR em parceria com a Divisão de Cinema e Vídeo da UEL, o evento integra uma série de exibições gratuitas que buscam aproximar o público brasileiro de narrativas sobre a Palestina, em um momento de crescente atenção internacional ao tema. Nesta quarta-feira (15), ocorrerão as duas últimas sessões do documentário no Ouro Verde, uma às 16:00 e outra às 19:30, ambas com ingressos gratuitos.





