À medida que a cortina cai sobre uma carreira extraordinária que se estende por mais de quatro décadas, o Sepultura se despede com o EP “The Cloud of Unknowing”, que está em todas as plataformas digitais, via ONErpm. Com mais de 40 anos de história, 14 discos de ouro e apresentações em mais de 80 países, o Sepultura se destaca como o emissário intransigente do Brasil no cenário mundial e uma das bandas de metal mais influentes da atualidade.

Embora atualmente ainda levem seu som pioneiro a públicos em todo o mundo na turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, surgiu a pergunta: como o Sepultura deveria marcar o fim de uma jornada tão monumental? A resposta veio naturalmente: capturando um momento criativo final e preservando-o para a posteridade.

A banda escolheu o lendário Criteria Studios, em Miami, um espaço histórico que já recebeu inúmeras gravações icônicas de diversos gêneros, como cenário para este capítulo final. Produzido pelo amigo e colaborador de longa data Stanley Soares, o EP tomou forma de maneira orgânica ao longo de dez dias no estúdio.

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“Nós arranjamos tudo diretamente no estúdio”, lembra Andreas, guitarrista da banda. “Não havia pressão! Nenhuma data de lançamento, nenhum título de álbum, nenhum nome de música. Nós simplesmente compusemos e tocamos. Em uma faixa, nos inspiramos nas influências jazzísticas de Greyson, o que trouxe uma nova dimensão ao nosso som. Foi uma experiência incrível, e estou orgulhoso de que, em nosso último ano, possamos lançar algo tão espontâneo e honesto — e tocá-lo ao vivo em turnê também.”

O resultado é “The Cloud of Unknowing”, um dos projetos mais diversificados e comoventes do Sepultura. “O nome faz referência a um termo usado em um movimento cristão que aconteceu pouco depois de 1390, e que questiona toda essa parafernalha de livros, imagens e locais sagrados usados para conexão espiritual, dizendo que isso é completamente desnecessário para ter uma conexão direta com a natureza ou com as sensações que criamos e desenvolvemos dentro de nós. É como se a gente estivesse lendo o menu para matar a fome”, explica Andreas.

QUATRO FAIXAS CRIATIVAS

Ao longo de quatro faixas, o EP serve como uma despedida agridoce, mostrando todo o espectro da criatividade da banda. Sobre o formato escolhido para o projeto, Andreas fala da força direta e impulsionadora de “All Souls Rising”, que explode em momentos de grandiosidade orquestral, até a balada introspectiva “Beyond the Dream”, com seus vocais limpos, o EP reflete tanto a ferocidade quanto a profundidade que definiram o legado do Sepultura.

O vocalista Derrick Green explica os temas por trás de “All Souls Rising”: “A ideia central foi inspirada por um livro de Madison Smartt Bell sobre a rebelião de escravos no Haiti da década de 1780. Em um nível mais amplo, ela aborda o que está acontecendo na sociedade hoje — o quanto pode ser mudado quando nos unimos além de raça, religião e política. Trata-se também das mudanças que podemos fazer dentro de nós mesmos.”

Um sentimento semelhante de reflexão social sustenta a faixa “The Place”, que se desenvolve lentamente. “Essa música trata de imigrantes que chegaram a um lugar em busca de refúgio e para começar uma nova vida. Uma vez assimilados por uma falsa sensação de segurança e por uma propaganda implacável, eles começaram a agir contra o que odeiam em si mesmos. A transição começa com a fuga do ódio a si mesmo e com o ataque às pessoas que acreditavam nas mesmas ideias. Sinto que a letra acompanha verdadeiramente as transições da música. Começando com decepção e chegando à raiva”, esclarece o vocalista Derrick Green.

DECLARAÇÃO FINAL

"Beyond the Dream", segunda música do EP, se destacou entre os fãs por trazer o formato de balada, diferente do estilo clássico da banda. “Era um desejo antigo da banda explorar esse formato, desde que o Derrick entrou trazendo sua capacidade vocal. A gente tinha tentado, mas nunca saiu do jeito que imaginávamos, sempre ia pra um lado mais pesado”, explica Andreas. O guitarrista também comenta a escolha pelo formato EP para o projeto: “É muito comum dentro do thrash metal. Eu tenho vários EPs favoritos com baladas, como “Creeping Death”, onde o Metallica faz a versão da ‘Am I Evil?’; EP ‘Armed and Dangerous’ do Anthrax, que também introduziu uma nova formação da banda; o ‘Haunting the Chapel’ do Slayer, que tem a “Chemical Warfare".

Dessa vez, a música contou com a colaboração de Tony Bellotto e Sérgio Britto, membros dos Titãs, músicos que possuem uma história compartilhada com a banda e são reconhecidos como especialistas no gênero e compositores de clássicos como "Polícia": “Eles são da família, compositores espetaculares, escreveram baladas lindas na história dos Titãs. A gente se juntou e o processo foi maravilhoso. É uma honra ter os dois num projeto do Sepultura, de uma forma tão íntima nesse formato, com uma música que saiu maravilhosamente bem. A gente conseguiu realizar esse último desejo antes de acabar”, finaliza Andreas.

“The Cloud of Unknowing” surge como uma declaração final. Sem filtros, destemida e profundamente humana. É o Sepultura no seu momento mais reflexivo e livre, oferecendo um último testemunho poderoso antes que a cortina caia.

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Imagem ilustrativa da imagem Sepultura se despede com o EP 'The Cloud of Unknowing'
| Foto: Divulgação

* Com assessoria.

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