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Londrina

Folha 2

m de leitura Atualizado em 05/08/2022, 09:40

Palestra e performance alerta sobre violências contra a mulher

atriz e pesquisadora Marina Stuchi apresenta “performopalestra” neste sábado (6), às 17h, no Sesc Cadeião Cultural

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de agosto de 2022

Reportagem local
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Imagem ilustrativa da imagem Palestra e performance alerta sobre violências contra a mulher Imagem ilustrativa da imagem Palestra e performance alerta sobre violências contra a mulher
|  Foto: Divulgação
 De quantos nãos a vida de uma mulher é feita? É assim que a atriz Marina Stuchi inicia a peça “Me chame pelo meu nome”, em que aborda os mais diferentes tipos de violências sofridas pelas mulheres. A apresentação acontece neste sábado (6), às 17h, no Sesc Cadeião, e foi batizada pela atriz como “performopalestra” para tratar desde a violência simbólica enraizada na cultura e no cotidiano da sociedade – e que busca anular e objetificar a mulher – até a violência psicológica, a física, a doméstica e o feminicídio.

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Doutora em Estudos Literários, a atriz conta que a ideia da “performopalestra” surgiu da intenção de trazer mais realidade e clareza para o tema. “Entendi que dar uma aula, fazer uma palestra, não adianta. Já dei muita aula sobre esse tema e parece que estou sempre falando para as mesmas pessoas. Percebo que tenho uma voz, mas que ela não está reverberando. E quando vou para o campo da performance, usando meu corpo para mostrar o sofrimento de todas as mulheres, parece que consigo atingir melhor as pessoas”, explica.

Segundo Marina, a sociedade é muito permissiva com a violência contra a mulher, um problema cultural que ela procura apontar no espetáculo. “A última ponta é o feminicídio, quando não há mais o que fazer, mas o feminicídio existe porque existe uma coisa anterior, a violência simbólica. A gente precisa combater o feminicídio? Sim, porque é uma epidemia, é uma das principais causas de mortes de mulheres no Brasil. Mas não adianta combater a ponta do iceberg se a sociedade continua reproduzindo todo um discurso que dá base para o feminicídio”, acrescenta a atriz.

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|  Foto: Divulgação
  

O monólogo traz figurino e elementos que estão conectados com livros que a autora leu, peças que assistiu, pesquisas acadêmicas que realizou, relatos de mulheres que ouviu, experiências que viveu. “Eu falo do lugar que conheço, o de pesquisadora, mulher branca, estudada, privilegiada, mas que nem por isso deixa de ser alvo”, avisa Marina, destacando que a peça também tem como matéria-prima a violência que ela mesma sofreu.

Sobre o monólogo e o fato de incluir sua própria história no roteiro, a atriz diz que tem como objetivo mostrar que uma violência nunca é individual, ela é social. “Às vezes a gente acha que a nossa história é única e a nossa história é social sempre. Então se eu fui estuprada, isso não é algo único, meu, particular, isso faz parte de uma cultura, chamada cultura do estupro”, lamenta. De cada 10 mulheres entrevistadas para sua pesquisa acadêmica, recorda Marina, nove confessaram que já sofreram algum tipo de abuso sexual. A atriz observa que para construir a peça usa muitos dados porque eles são alarmantes, mas ainda sim maquiados, uma vez que nem toda violência é denunciada.

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|  Foto: Divulgação
 

A sua intenção é que as mulheres aprendam a reconhecer, se proteger e entender o quanto a violência está enraizada dentro de cada um. “Às vezes a gente nem sabe que está sofrendo violência, não sabe o que está acontecendo porque está tudo naturalizado”. Apesar dessa intenção, Marina também tem como foco os homens. Para ela é muito importante que eles vejam e entendam o quanto reproduzem a violência, o discurso violento, o machismo, mesmo quando acreditam que não são machistas. “Teve homem que assistiu à peça e entendeu o quanto a violência contra a mulher está entranhada e perpassa as relações. Existe um campo de permissividade e isso pode acontecer dentro da própria casa, da própria família”.

A apresentação tem apoio do Núcleo Londrina do Grupo Mulheres do Brasil. “A forma como ela aborda os tipos de violências sofridas pelas mulheres é muito clara e impactante. Todo mundo precisa ver essa peça, tanto mulheres quanto homens”, afirma Charlene Tófano, líder do colegiado do Núcleo Londrina. Quando a peça estreou em março, Marina Stuchi não tinha a intenção de circular com a apresentação. Porém, diante do tema tão importante para a sociedade e para as ações abraçadas pelo Grupo Mulheres do Brasil na cidade, as lideranças incentivaram a atriz e pesquisadora a fazer mais apresentações. Como resultado, ela fará esta apresentação em Londrina, no próximo sábado, e mais três em setembro em outras cidades do Paraná.

Serviço::

“Me chame pelo meu nome”- Performopalestra com Marina Stuchi

Quando - Sàbado (6), às 17h

Onde - Sesc Cadeião (rua Sergipe, 52)

Quanto - R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

*Os ingressos poderão ser adquiridos na portaria do evento às 16h

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