Ovnis de Londrina, ‘extraterrestre’ trilionário e o rastro de açúcar
Nas redes sociais, vídeos mostravam o movimento de luzes, 'especialistas' cravaram diagnósticos
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domingo, 19 de julho de 2026
Nas redes sociais, vídeos mostravam o movimento de luzes, 'especialistas' cravaram diagnósticos

Após terem o visto interplanetário negado pelo governo dos Estados Unidos, os extraterrestres desistiram de uma abdução em massa no Hard Rock Stadium, em Miami, durante o confronto entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo. Decidiram então fazer uma incursão por um território mais receptivo e menos burocrático: Londrina, no interior do Paraná.
Do alto de suas naves, sobrevoaram o Norte do Estado e avistaram uma grande estrutura cônica de mais de 120 metros de altura. Intimidadora, lembrava um foguete espacial. Acreditaram que aquilo poderia ser uma arma e os habitantes dali poderiam fazer parte de uma sociedade mais evoluída. Então, acionaram suas turbinas de plasma e se afastaram cerca de 100 quilômetros a leste, a uma distância segura.
Sobrevoaram um grande e simpático lago e decidiram dar voltas no céu para apreciar a beleza local. Logo na chegada, quando sobrevoaram a zona oeste, a região menos verticalizada daquela cidade chamada Londrina, já chamaram a atenção dos moradores, com suas luzes reluzentes cortando o céu da cidade.
Queriam ficar, mas descobriram que não tinham autorização para pousar. O aeroporto local, apesar de contar com luzes e sistema de pouso por aparelhos, ainda não era autorizado a receber naves espaciais. Nem pista de taxiamento tinha. Descobriram que o campo de pouso interplanetário mais próximo ficava a 1.000 quilômetros de distância dali, em uma cidade chamada Barra do Garças (MT).
Um subordinado tentou argumentar que tinha visto uma nave espacial pousada na cidade.
- Ali, um disco voador. Deve ser arcadiano.
- Não estou vendo, respondeu o superior.
- Olha, ao lado daquele esqueleto. Parece uma obra que está inacabada há bastante tempo.
O comandante recorre então ao oráculo de sua organização, o Grok, e descobre se tratar de uma coisa chamada rodoviária.
Assim, vão embora tristes, prometendo voltar um dia.
Em pouco tempo o assunto se espalhou pela cidade. Nas redes sociais, vídeos mostravam o movimento circular e atípico das luzes; “especialistas” cravaram diagnósticos. Mas então apareceram eles, os incrédulos astrônomos. Sempre eles.
Trata-se de satélites artificiais seguindo sua rota no céu, sentencia o Gedal, o Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina, colocando fim ao sonho do contato imediato de terceiro grau, em mais uma frustração do londrinense após a eliminação precoce do Brasil na Copa.
Mas o fato é que os adeptos das teorias da conspiração podem ter um fundo de razão. Se os satélites pertencerem à Starlink, são de Elon Musk, o excêntrico trilionário sul-africano que já declarou ser extraterrestre.
No Calçadão, há quem jure ter visto os ETs disfarçados pelas ruas de Londrina. Um deles estranhou muito a aparência de um homem que tomava uma vitamina na Sergipe. Acredita que os extraterrestres gostaram tanto da iguaria que levaram suprimentos para fazer a receita no planeta deles:
- Você não viu que encontraram açúcar no céu? Com certeza caiu da nave. Agora se encontrarem abacate pode ter certeza que os ETs roubaram nossa receita.


Celso Felizardo
Editor com foco em conteúdo e planejamento.


