Após terem o visto interplanetário negado pelo governo dos Estados Unidos, os extraterrestres desistiram de uma abdução em massa no Hard Rock Stadium, em Miami, durante o confronto entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo. Decidiram então fazer uma incursão por um território mais receptivo e menos burocrático: Londrina, no interior do Paraná.

Do alto de suas naves, sobrevoaram o Norte do Estado e avistaram uma grande estrutura cônica de mais de 120 metros de altura. Intimidadora, lembrava um foguete espacial. Acreditaram que aquilo poderia ser uma arma e os habitantes dali poderiam fazer parte de uma sociedade mais evoluída. Então, acionaram suas turbinas de plasma e se afastaram cerca de 100 quilômetros a leste, a uma distância segura.

Sobrevoaram um grande e simpático lago e decidiram dar voltas no céu para apreciar a beleza local. Logo na chegada, quando sobrevoaram a zona oeste, a região menos verticalizada daquela cidade chamada Londrina, já chamaram a atenção dos moradores, com suas luzes reluzentes cortando o céu da cidade.

Queriam ficar, mas descobriram que não tinham autorização para pousar. O aeroporto local, apesar de contar com luzes e sistema de pouso por aparelhos, ainda não era autorizado a receber naves espaciais. Nem pista de taxiamento tinha. Descobriram que o campo de pouso interplanetário mais próximo ficava a 1.000 quilômetros de distância dali, em uma cidade chamada Barra do Garças (MT).

Um subordinado tentou argumentar que tinha visto uma nave espacial pousada na cidade.

- Ali, um disco voador. Deve ser arcadiano.

- Não estou vendo, respondeu o superior.

- Olha, ao lado daquele esqueleto. Parece uma obra que está inacabada há bastante tempo.

O comandante recorre então ao oráculo de sua organização, o Grok, e descobre se tratar de uma coisa chamada rodoviária.

Assim, vão embora tristes, prometendo voltar um dia.

Em pouco tempo o assunto se espalhou pela cidade. Nas redes sociais, vídeos mostravam o movimento circular e atípico das luzes; “especialistas” cravaram diagnósticos. Mas então apareceram eles, os incrédulos astrônomos. Sempre eles.

Trata-se de satélites artificiais seguindo sua rota no céu, sentencia o Gedal, o Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina, colocando fim ao sonho do contato imediato de terceiro grau, em mais uma frustração do londrinense após a eliminação precoce do Brasil na Copa.

Mas o fato é que os adeptos das teorias da conspiração podem ter um fundo de razão. Se os satélites pertencerem à Starlink, são de Elon Musk, o excêntrico trilionário sul-africano que já declarou ser extraterrestre.

No Calçadão, há quem jure ter visto os ETs disfarçados pelas ruas de Londrina. Um deles estranhou muito a aparência de um homem que tomava uma vitamina na Sergipe. Acredita que os extraterrestres gostaram tanto da iguaria que levaram suprimentos para fazer a receita no planeta deles:

- Você não viu que encontraram açúcar no céu? Com certeza caiu da nave. Agora se encontrarem abacate pode ter certeza que os ETs roubaram nossa receita.

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