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Londrina

Folha 2

m de leitura Atualizado em 23/05/2022, 00:00

O canto de despedida de Elza Soares

Registro de show realizado no Teatro Municipal de São Paulo três dias antes da morte da cantora é lançado nas plataformas digitais

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de maio de 2022

Marcos Roman - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Divulgação / Victor Affaro
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Três dias antes de morrer, Elza Soares subiu ao palco do Theatro Municipal de São Paulo para realizar duas apresentações. A gravação dos shows que aconteceram em 17 e 18 de janeiro de 2022 deu origem a um CD e um DVD patrocinados pela Natura Musical. O álbum musical foi lançado recentemente pela gravadora Deck e já está disponível nas plataformas de streaming. Já a data de lançamento do registro audiovisual ainda não foi divulgada. 

O empresário da cantora destaca que o local da última apresentação da artista tem um valor histórico. "Já estávamos na efeméride dos 100 anos da Semana de Arte Moderna. O que há de mais moderno 100 anos depois? Uma mulher, negra, periférica, que sofreu abusos e glórias, chegando aos 91 anos como rainha no Theatro Municipal de São Paulo! Foi assim que tudo começou a ser pensado!”, conta Pedro Loureiro ao destacar que não se trata de um trabalho com os principais clássicos da carreira de Elza, mas sim de músicas que contam passagens de sua vida e como ela enxergava o mundo.  

O álbum reúne 15 canções. “Meu Guri” abre o disco e ganhou um clipe gravado na sala onde acontece a exposição Contramemória (em cartaz até o dia 5 de junho), parte da programação do centenário do movimento Modernista no Brasil. No vídeo inédito, a cantora dialoga, a partir de seu corpo, performance, músicas, vestes e adereços, com a própria estrutura do Theatro, tensionando assim a formalidade e o estilo neoacadêmico da construção. O clipe conta com o pianista Fábio Leandro ao piano. A direção geral é de Pedro Loureiro e a direção cinematográfica de Cassius Cordeiro. 

A música “Se acaso você chegasse" ganha uma versão inédita, com toques caribenhos que misturam samba com ritmos latinos. “Dura na queda”, “Lata d'Água” e “Volta por cima” aparecem quase biográficas na voz de Elza. “Maria da Vila Matilde” traz o compromisso da artista contra a violência às mulheres, “A Carne” denuncia o racismo estrutural presente na sociedade brasileira. Dentre os sambas, foram escolhidos “Saltei de Banda”, “O Morro”, “Salve a Mocidade”, “Malandro” e “Balanço Zona Sul”. “Mulher do fim do mundo”, encerra o disco e tem um fim emocionante com um improviso: Elza a termina com um suspiro e a frase emblemática, à capela, “Me deixe cantar até o fim”.  

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"Reunimos o melhor de todas as experiências anteriores que tivemos com Elza nos últimos cinco anos. Sempre que criamos um visual afrofuturista pra ela, inspirados nas rainhas nagô, a reverberação foi enorme. Dessa vez, fomos ainda mais longe na cenografia e nos figurinos. Mais de uma tonelada de placas de acrílico em recortes geométricos, em alusão a diferentes etnias africanas, foram dispostas como móbiles gigantes no teto do palco”, conta Allex Colontonio, diretor artístico do espetáculo.  

Imagem ilustrativa da imagem O canto de despedida de Elza Soares Imagem ilustrativa da imagem O canto de despedida de Elza Soares
|  Foto: Divulgação / Victor Affaro
 

Serviço: 

Álbum - Elza Soares – Ao Vivo no Municipal 

Gravadora – Deck 

Disponível nas plataformas de streaming 

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