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Folha 2

m de leitura Atualizado em 02/07/2022, 00:08

Gilberto Gil: lançamentos celebram seus 80 anos

Cantor e compositor baiano é homenageado com série documental, álbum gravado com filhos e netos e livro que reúne as letras de sua obra

PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de julho de 2022

Marcos Roman - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Um quarteto de ouro da música popular brasileira comemora oito décadas de idade em 2022: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Paulinho da Viola. O primeiro deles a entrar para o time dos octogenários foi Gilberto Gil, que celebrou seus 80 anos no último domingo (26). O cantor e compositor baiano é autor de trilhas sonoras atemporais que embalam diversas gerações de fãs pelo mundo afora. Abordando temáticas e ritmos diversos, o artista multifacetado tem recebido justas homenagens que destacam a relevância de seu legado musical. 

Merece destaque no combo de tributos prestados ao autor de “Drão” a série documental “Em casa com os Gil”, produzida pela Amazon Prime Vídeo. A produção que estreou dois dias antes do aniversário de 80 anos do artista acompanha os bastidores da preparação da turnê europeia que o cantor e compositor está realizando junto de sua família. Com cinco capítulos, o reality mostra os ensaios do show e a convivência dele em torno de seu clã formado por filhos, netos, bisnetos e agregados.  

Confira trailer da série "Em  Casa Com os Gil"

 Durante as filmagens Gil conversou com sua prole sobre assuntos variados, incluindo o que o inspirou a compor algumas canções emblemáticas, as experiências vividas durante período em que ficou exilado em Londres e episódios racistas que enfrentou. Cenas de embate familiar que aconteceram durante o reality também são mostradas. Porém, a amorosidade e a humanidade emanadas pelo patriarca predominam o ambiente e conseguem afinar a grande orquestra composta por seus ascendentes. 

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Gil também foi homenageado na última edição do programa Domingão com Huck. O cantor e compositor participou do quadro “'Visitando o Passado”. Ao lado dos filhos Preta, José Gil e Bem, e dos netos Francisco, Flor e João Gil, o cantor ‘retornou’ à casa de sua tia Margarida, onde morou dos 9 aos 20 anos, local onde compôs as suas primeiras canções. Emocionado, o artista lembrou vários episódios de sua infância e adolescência.

Os tributos ao baiano se estenderam pelas redes sociais, onde célebres amigos felicitaram o cantor e compositor por seu aniversário. Dentre eles, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, que junto com Gil formaram o grupo “Doces Bárbaros” na época da Tropicália, movimento musical que promoveu uma revolução estética e comportamental na cultura brasileira entre as décadas de 1960 e 1970. Em uma mensagem de vídeo postada no Instagram, Daniela Mercury elogiou a brilhante trajetória do aniversariante. “Referência fundamental para todos. Uma pessoa que alcançou todos os níveis da erudição, da beleza, da poesia, das melodias e harmonias. Um virtuoso tocando”, comentou. 

 MARCADO NA HISTÓRIA DA MPB

A cantora baiana não exagerou nos elogios. Desde que estreou no mercado discográfico nacional em 1967 com o álbum “Louvação”, Gil deixou seu nome marcado na história da MPB como um dos artistas mais importantes de todos os tempos. Em 60 anos de carreira, lançou quase 60 discos. Conforme dados do Ecad, entidade brasileira responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais no Brasil, Gil tem 784 composições autorais registradas e 2.529 gravações em sua voz. Suas músicas mais tocadas são “Vamos fugir”, “Aquele Abraço”, “A Novidade”, “Não Chores Mais” e “Palco”.   

Com mais de 4 milhões de cópias vendidas, o baiano conquistou nove prêmios Grammy e várias outras premiações nacionais e internacionais. Foi embaixador da ONU para agricultura e alimentação e ministro da Cultura do Brasil, entre 2003 e 2008, durante partes dos dois mandatos do ex-presidente Lula. Em abril de 2022 tornou-se “imortal” ao ser empossado como o novo ocupante da cadeira 20 da Academia Brasileira de Letras (ABL).  

Em seu perfil no Instagram, Gil fez um balanço de sua trajetória. "Vendo o panorama geral da minha vida, eu fiz tudo para ser quem eu sou, para estar no lugar em que estou e sentir a vida de modo a estar em conformidade com ela. É o que sempre digo: conformidade conforme a idade. Tenho a idade que tenho hoje e uma vida em conformidade com ela", disse o artista imortal.  

Livro reúne a obra do compositor 

Dono de uma obra marcada pela pluralidade, Gilberto Gil tem abordado temas diversos em suas canções, sobretudo questões existenciais. Em 1996, as composições de autoria do artista foram reunidas no livro “Todas as Letras”. Celebrando os 80 anos do cantor e compositor baiano, a publicação ganha uma terceira edição ampliada que chega às livrarias de todo o país no próximo dia 8. 

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. |  Foto: Divulgação
 

Organizada por Carlos Rennó, responsável também pelas duas publicações anteriores, a edição de 2022 conta com 572 páginas que destacam 400 comentários de Gil a respeito de suas composições. O livro traz ilustrações inéditas de Alberto Pitta e reproduz os textos de Arnaldo Antunes e José Miguel Wisnik.  

O livro reúne letras das músicas compostas pelo baiano no decorrer de sua trajetória artística iniciada em 1962 em Salvador (BA), cidade natal do artista. A nova versão de “Todas as Letras” inclui músicas do último álbum do cantor com repertório inédito, Ok Ok Ok, lançado em 2018. 

Da Bossa Nova a canções de protesto 

Nascido em Salvador, em 26 de junho de 1942, Gilberto Gil iniciou sua trajetória artística na Bahia em 1963, quando lançou seu primeiro disco, o compacto duplo Gilberto Gil – Sua Música, Sua Inspiração, que traz referências a seu ídolo João Gilberto. 

Em 1965, mudou-se para São Paulo e ficou conhecido nacionalmente depois do sucesso da música “Louvação”, composição sua gravada por Elis Regina (1945-1982). Em 1967, grava seu primeiro LP com distribuição nacional e que foi batizado com o título da música eternizada pela “Pimentinha”. Em 1968, participou do álbum "Tropicália ou Panis et Circensis". 

Aproximou-se dos ritmos africanos nos anos 1970, período em que introduziu o reggae à sua obra após gravar “Não Chore Mais”, versão de “No Woman No Cry”, de Bob Marley.  Na década de 1980 viveu a fase mais pop de sua carreira, época em que deu voz a hits como “Realce”, “Extra” e “Palco”.

Flertou com o rock nacional nos anos 1990. E nos anos 2000 retomou elementos musicais nordestinos em discos como “As canções de Eu Tu Eles (2000)”, trilha do filme homônimo que inclui a música “Esperando na Janela”, tocada por rádios de norte a sul do país. Seu último disco (Em casa com os Gil", lançado recentemente, inclui músicas gravadas para a série documental homônima exibida pela Amazon Prime Vídeo.

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