O 46º Festival Internacional de Música de Londrina abre espaço para noite inteiramente dedicada à obra de Radamés Gnattali, com o espetáculo Ensemble Radamés Gnattali convida Maria Teresa Madeira. O quinteto é formado por Carla Rincon (violino), Gideôni Veríssimo (violino), Gustavo Fontes (contrabaixo), Flávia Motta (viola) e Mariana Amaral (violoncelo), que se une à pianista Maria Teresa Madeira para apresentar um repertório raro, composto por obras que o próprio Gnattali executou uma única vez.

A apresentação será nestaquinta-feira (16), às 19h, no Teatro Crystal e os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla.

Para Maria Teresa Madeira, o programa representa um desafio inédito em sua trajetória. "Esse repertório que a gente vai fazer é pouco conhecido. Além de um compositor excepcional, Radamés era um pianista fantástico, e a escrita dele é muito bem feita, um orquestrador de primeira. Este é um repertório que nunca toquei. Vai ser a estreia pra mim com esse repertório e pro quinteto também, porque são obras raras."

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A BRASILIDADE DE RADAMÉS

A pianista destaca a diversidade da linguagem do compositor. "Acho que o público vai se surpreender, porque o Radamés tem uma brasilidade muito diversa. Ele era muito inteligente, sabia escrever bem pro piano. Apesar dele ter uma mão enorme e eu ter uma mão pequena, no final vai dar tudo certo", diz ela.

A parceria também é celebrada por Carla Rincon, idealizadora do projeto ao lado do quinteto. "Quando pensei nesse programa, que é um quinteto com piano, eu sempre pensei na Maria Teresa. A gente sempre compartilhou esse amor pela música brasileira", afirma.

A violinista reforça o caráter inédito do encontro musical proposto pelo espetáculo. "Nós vamos praticamente estrear obras que ele tocou uma única vez, e quando ele fez, e quando executou, era ele o pianista. Então depois do Radamés, Maria Teresa: dois artistas do mesmo tamanho. Estou muito feliz com esse momento."

O programa passeia por diferentes fases da produção camerística de Gnattali, compositor conhecido por transitar entre o erudito e o popular na música brasileira. Abre a noite o Divertimento para quarteto de cordas e piano, escrito em Buenos Aires em 1941, seguido de Reminiscência, obra composta em Porto Alegre em 1928. Seguem-se a Pequena Suíte do Folclore Brasileiro, para quarteto de cordas e piano, criada em Porto Alegre em agosto de 1931, e os 4 Noturnos para cordas e piano.

Imagem ilustrativa da imagem FIML tem noite dedicada a Radamés Gnattali nesta quinta (16)
| Foto: Fábio Alcover/ FIML/ Divulgação

QUEM É QUEM

Maria Teresa Madeira (piano) construiu uma carreira marcada pela pesquisa e pela divulgação da música brasileira. Bacharel em piano pela Escola de Música da UFRJ, mestre pela Universidade de Iowa e doutora pela UNIRIO, já se apresentou como solista à frente de orquestras como a Sinfônica Brasileira, a Petrobras Sinfônica e a Orquestra Sinfônica da USP, além de participar de 16 Bienais de Música Brasileira Contemporânea com estreias de compositores como Ronaldo Miranda e Leandro Braga. Professora da UNIRIO e indicada ao Grammy Latino em 2003, soma mais de 30 CDs em sua discografia, entre eles a premiada Integral de Ernesto Nazareth e os mais recentes Francisca, dedicado a Chiquinha Gonzaga, e o álbum sobre Henrique Alves de Mesquita, lançado em 2026 pela Naxos.

Carla Rincón (violino) é referência internacional na música de câmara latino-americana, com apresentações em palcos como o Carnegie Hall e a Sala Cecília Meireles. Fundadora e primeiro violino do Quarteto Radamés Gnattali, tornou-se a primeira mulher a gravar a integral da obra para quarteto de cordas de Heitor Villa-Lobos, conquistando os prêmios Carlos Gomes e Rumos Itaú Cultural e uma indicação ao Grammy Latino. É responsável pela reunião das Orquestras Sociais no Festival de Londrina.

Gideôni Veríssimo (violino) iniciou os estudos de violino aos oito anos, em Volta Redonda, passando por projetos como Cidade da Música e Música nas Escolas antes de se formar pela academia da OSESP em 2015. Sua trajetória inclui participações nos festivais de Pelotas, Campos do Jordão e Femusc — este último com premiação de aluno revelação. Desde 2015, integra o naipe de violinos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Flávia Motta (viola) faz parte da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2013. Iniciou-se aos oito anos em Juiz de Fora e formada pela UNIRIO, já atuou como chefe de naipe na Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e na Camerata Antiqua de Curitiba, além de fundar o premiado Quarteto Boulanger. Sua trajetória internacional passa pelo Schleswig-Holstein Musik Festival e por apresentações com a Orquesta Simón Bolívar sob regência de Claudio Abbado e Gustavo Dudamel.

Mariana Amaral (violoncelo) formou-se no Conservatório de Tatuí antes de seguir para a Ferenc Liszt Music Academy, em Budapeste, e a Folkwang Universität der Künste, na Alemanha. Já se apresentou como solista junto à Orquestra Sinfônica Brasileira e a orquestras alemãs, e integrou formações como a Staatsorchester Rheinische Philharmonie. Violoncelista convidada da OSESP desde 2008, é também professora do Instituto Baccarelli e mestranda pela UFRN.

Gustavo Fontes (contrabaixo) é natural de Florianópolis e graduado pela USP, com pós-graduação na Alemanha em Mannheim e Colônia. Atuou em orquestras como a Filarmônica de Stuttgart e a Sinfônica da Rádio de Colônia, dedicando-se também à composição e à regência — foi diretor artístico da Orquestra Filarmônica Santa Catarina entre 2009 e 2015. Atualmente é professor de contrabaixo e música de câmara na EMESP e doutorando pela UNESP.

* Com assessoria.

SERVIÇO:

46º FIML - Festival Internacional de Música de Londrina.

Ensemble Radamés Gnattali

Quando: quinta-feira (16) , às 19h

Onde: Teatro Crystal

Ingressos: Sympla

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