Parcerias frutíferas e longevas são valiosas. Na música, o bis reverbera com a soma de talentos, sobretudo quando os holofotes se voltam para homenagear gênios da MPB, como Milton Nascimento. Pois esta é a proposta de Mônica Salmaso e André Mehmari para a 46ª edição do Festival Internacional de Música de Londrina. A apresentação será nesta quarta-feira (15), às 20h30, no Cine Teatro Ouro Verde. Os ingressos estão esgotados, mas haverá fila de espera na porta do teatro. Quem tiver interesse deve chegar com antecedência para tentar comprar o ingresso.


Parceiros profissionais consolidados e virtuosos, os artistas se reuniram durante o isolamento da pandemia de Covid-19 para gravar o projeto “Quarentena”, no qual incluíram “Morro Velho”, de Milton Nascimento, canção que os dois já interpretavam em duo há tempos. Em sintonia, a emoção daquele momento despertou o desejo de um segundo encontro, agora dedicado inteiramente a homenagear Milton e seus parceiros de composição.

Neste show, que tem produção executiva assinada por Carla Assis, Mônica Salmaso assume voz e handpan, André Mehmari toca piano e marimba, o som é de Carlos Rocha e o responsável pela luz é Silvestre Junior. No palco, os artistas celebram a obra do cantor mineiro, em uma seleção afetiva que olha não só para sua música, mas para o País que ele canta e sonha há décadas. O repertório reúne canções como “Canção Amiga” (com Carlos Drummond de Andrade), “Credo” (com Fernando Brant), “Paula e Bebeto” e “Terceira Margem do Rio” (ambas com Caetano Veloso), esta última mergulhada no universo de Guimarães Rosa.

'LONDRINA GOSTA E RECEBE A MÚSICA'

Em entrevista à FOLHA, os artistas falaram um pouco mais sobre a turnê e o show no festival. Em sua mais recente apresentação em Londrina, Mônica Salmaso esteve ao lado de Guinga e Teco Cardoso - e recorda com alegria a ocasião. "Fomos muito felizes!!!", exclama. Suas impressões a respeito da cidade, do ponto de vista artístico e cultural são positivas. " É uma cidade para onde eu gostaria de ir mais vezes, visitar minha amiga Silvia Borba (que canta lindamente) e levar os meus trabalhos", divide. A artista recorda ainda sobre o FIML de oito anos atrás. "Antes disso, participei junto com o Nelson Ayres do Festival Internacional de Música de Londrina em 2018 em um concerto com a OSUEL e foi lindo. A impressão que temos é a de que a cidade gosta e recebe a música de uma maneira afetiva, calorosa e feliz", declara.

Em uma breve pausa entre um compromisso e outro, o músico André Mehmari, de igual modo, reconhece a relevância do Festival Internacional de Música de Londrina no contexto nacional. "O festival, que é um evento reconhecido por sua qualidade e profundidade, é de suma importância para a cultura brasileira. Londrina tem se mostrado uma cidade que valoriza a cultura e promove encontros valiosos. De minha parte, só tive experiências lindas em Londrina e fico muito feliz em poder voltar para compartilhar minha arte por aqui", conta o pianista aos leitores da Folha.

Mônica Salmaso e André Mehmari: show em Londrina e elogios à cidade pela recepção que a música tem nos espaços locais
Mônica Salmaso e André Mehmari: show em Londrina e elogios à cidade pela recepção que a música tem nos espaços locais | Foto: Dani Gurgel/ FIML/ Divulgação

Mehmari afirma ainda que será uma grande alegria integrar nesta edição do FIML. "Vamos apresentar nossas leituras para a obra de Milton Nascimento, uma de nossas maiores referências". Lembra ainda que a parceria com Salmaso nasceu como um especial online de pandemia. Em plena quarentena e isolamento, reuniram-se com todos os cuidados em seu estúdio na Cantareira e, em um único dia, levantaram todo o repertório e gravaram áudio e vídeo. " Ficamos tão felizes com o resultado que decidimos transformar em um álbum e turnê nos palcos, logo que isso foi possível. Reencontrar o público e apresentar essa música preciosa foi uma grande emoção e esperamos que o público de Londrina embarque conosco nessa aventura pelo coração de Milton", celebra.

'EU AMO FAZER PESQUISA'

Muito respeitada pelo resgate de artistas e obras que realiza em seus projetos, Mônica Salmoso rende-se à pesquisa com esmero. "Como eu não sou compositora, meu ofício nasce daquilo que outras pessoas criam e essa é a minha matéria-prima", afirma. De modo primoroso, aprofunda-se e, neste processo, "Eu amo fazer pesquisas de repertório e considero muito importante fazer alguns projetos temáticos, pois eles localizam determinadas obras, determinados compositores e são importantes para dar a dimensão desses trabalhos", observa.

A intérprete conta que em discos de repertório variado, que também adora fazer, as canções se juntam a serviço do todo. Já em projetos especiais, como os Afro-Sambas, ou o Corpo de Baile, a atenção se volta inteiramente ao resgate daquela obra. " Isso é importante de ser feito. Quando eu e o Bellinati gravamos os Afro-Sambas, eles nunca tinham sido inteiramente gravados depois do disco original e de um disco feito pelo Baden". Ela confessa que conhecia os Afro Sambas mais famosos e regravados individualmente (Berimbau, Consolação, Canto de Ossanha). "Mas não conhecia os outros. Quando vi que eram parte de uma obra temática dentro da parceria do Baden com o Vinícius, achei impressionante que ninguém mais tinha regravado a integra desse material", expõe a surpresa.

SERVIÇO

46º Festival Internacional de Música de Londrina

Mônica Salmaso e André Mehmari – Milton Nascimento

Quando: quarta-feira (15), às 20h30, no Cine Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)

Programação completa no site do Festival

Ingressos: Sympla

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