Como já é habitual neste último meio século, faça frio ou faça sol, ou chuva – às vezes, raras, um pouquinho de neve deslumbra os milhares de turistas que acorrem em agosto à Serra Gaúcha –, nesta época do ano acontece um fato determinante para o calendário artístico e turístico do país: o Festival de Cinema de Gramado, a única mostra anual de filmes brasileiros inéditos que, apesar dos pesares (alguns temas de horror, como pandemia e enchentes, tentaram sem sucesso minar esta carreira ininterrupta de cinco décadas), permanece como sólida ressonância de nossas qualidades cinematográficas e da resiliente capacidade que tem o Rio Grande do Sul de captar e organizar um evento cultural com características únicas.

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Neste exato momento de muita ebulição do audiovisual brasileiro, a 53ª edição do certame de Gramado será oficialmente aberta nesta sexta-feira (15) às 18 horas, no Palácio dos Festivais. Na abertura, fora de competição, o primeiro dos 74 filmes, entre longas e curtas, selecionados para a mostra: “O Último Azul” (Urso de Prata em Berlim 2025), de Gabriel Mascaro, com Rodrigo Santoro, homenageado este ano com o Troféu Kikito de Cristal.

No sábado, além do início do Conexões Gramado Film Market e das mostras de filmes universitários e mostra de curtas gaúchos, começa a mostra competitiva de longas metragens brasileiros. E começa com o filme paranaense “Nó”, de Laís Melo. Rodado em Curitiba, o roteiro acompanha Gloria, protagonista de um divórcio complicado. Além de situação financeira difícil, ela quer a guarda das três filhas do casamento. Na segunda parte da sessão, em exibição “hors- concours”, ocorre o lançamento da série “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente”, de Marcelo Gomes e Caro Minêm.

Imagem ilustrativa da imagem Festival de Gramado: a festa do cinema continua
| Foto: Divulgação

Os demais longas concorrentes, durante a semana, são: “Papagaios”, de Douglas Soares; “Querido Mundo”, de Miguel Falabella; “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo; “Sonhar com Leões”, de Paolo Marinou-Blanco. E na mesma noite tem início a mostra competitiva de documentários brasileiros, “Para Vigo Me Voy”. De Lirio Ferreira e Karen Harley, sobre vida e obra de Cacá Diegues, O filme teve estreia este ano em Cannes.

Outros três documentários em competição: “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini, “Lendo o Mundo”, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira; “Os Avós”, de Ana Ligia Pimentel, e “Até Onde a Vista Alcança”, de Alice Villela e Hidalgo Romero.

O festival termina no sábado (23), com a entrega dos Kikitos durante cerimônia que será transmitida pelo Canal Brasil a partir das 9 da noite.

* O jornalista viajou a convite do Festival de Cinema de Gramado.

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