A atriz e escritora Ana Beatriz Kleber lança o livro "Eu, Bia. Bia e Eu." nesta sexta-feira (18) e no domingo (20), dentro da programação do 21º Londrix Festival Literário de Londrina, no Museu Histórico.

A obra é um relato autobiográfico franco sobre sua relação com o vício em cocaína — uma história que levou cinco anos para ser escrita e dez para ser vivida.

O projeto nasceu no final da pandemia, em 2021. "O ato de escrever foi uma forma de ir desenterrando minhas verdades e vislumbrando quais dessas verdades eram mentiras. Foi um ato de trazer para a concretude tudo que em mim estava obscuro. Revelar para rever. Escrever foi um ato de libertação do que estava guardado, e para fazer as pazes com a minha história. Passei a limpo todo esse período que durou 10 anos e 16 internações", conta a autora.

Bia está há sete anos livre do vício em cocaína e também superou outros quadros que atravessaram sua trajetória como bulimia, anorexia e cleptomania, além de conviver com manias, TOC e fobias. Apresentou sintomas de esquizofrenia pelo efeito da droga e foi justamente o ato de assumir a própria loucura que a ajudou a superá-la.

“Compartilhar o que passei pode somar ao contexto pelo qual muitas famílias passam hoje em dia, além de me libertar de minha sensação de estar sendo julgada. Assumo meu passado para o abandonar. Em paz.”

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A CURA PELA ESCRITA

Sem acompanhamento terapêutico durante a escrita, Bia encontrou nas próprias páginas o espaço de superação que buscava. "Escrever foi um processo de cura. Não fiz terapia, mas a escrita foi terapêutica", diz. O caminho, no entanto, não foi isento de ambivalências sobre a própria carreira que estava começando no Rio de Janeiro. Aluna da CAL e formada em Artes Cênicas pela UNIRIO, ela foi convidada para assumir um papel em uma novela no horário nobre da Rede Globo e se esquivou. Uma única carreira de cocaína a desviou de seu caminho.

"Eu me arrependo da primeira vez que usei cocaína, mas não de todas as outras vezes. Foi tudo o que passei que me deu a força que tenho hoje. Mas se o ‘primeiro tiro’ não tivesse ocorrido, tudo seria diferente."

Ao concluir o livro, depois de cinco anos de trabalho, a autora fala sobre uma sensação de reconciliação com a própria história, e destaca o apoio recebido da família – dos pais e da irmã – ao longo do processo. "Quando vi o livro finalizado, me senti realizada. É uma história que eu preferia não ter para contar, mas me senti vencedora. Tenho orgulho das batalhas que eu venci", relata.

BASTIDORES DA OBRA

O livro contou com a consultoria da escritora Karen Debértolis, que ajudou a organizar o volume e indicou caminhos para a construção do relato. O jornalista e escritor Bernardo Pellegrini também colaborou com direcionamentos ao longo do processo e assina o prefácio da obra. Já o filósofo Pedro Poncioni contribuiu com um aprofundamento teórico sobre a humanidade presente na loucura de cada pessoa, ampliando as camadas de leitura do livro.

A contracapa, Bernardo Pellegrini anuncia: “Vá preparando o espírito e tirando a roupa das ideias prontas que explicam (mas não entendem) as vertigens alheias. Porque, neste rápido e precoce relato autobiográfico, aquela adolescente mal chegando à maioridade vai revelar coisas do arco, revirar momentos de intensidade incessante – como quem relata sua temporada num inferno de emoções, relacionamentos, impossibilidades, incertezas. Como quem percorre e vive ao mesmo tempo capta e narra seu longo roteiro de emoções à flor da pele, seu itinerário de desvarios. Como quem faz das ‘trips’ coração.”

* Com assessoria.

Imagem ilustrativa da imagem 'Eu, Bia. Bia e Eu': história de vida e superação
| Foto: Divulgação

SERVIÇO:

Lançamento do livro "Eu, Bia. Bia e eu."

Autora: Ana Beatriz Kleber

Valor promocional de lançamento: R$40,00

Quando: sexta-feira (18), das 18h às 21h)

Domingo (20), das 15h às 19h

Onde: Museu Histórico de Londrina - dentro da programação do 21º Londrix - Festival Literário de Londrina

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