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Londrina

Folha 2

m de leitura Atualizado em 06/08/2022, 16:25

Era uma vez a música eterna de Ennio Morricone

Filme que homenageia um dos maiores compositores do cinema está em cartaz em Londrina na Festa do Cinema Italiano

PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de agosto de 2022

Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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O primeiro fotograma do documentário de Tornatore em 2021 e dedicado ao gênio Ennio Morricone, intitulado “Ennio: Il Maestro” estreia da Festa do Cinema Italiano, em cartaz no Multiplex Shopping Aurora,  mostra um metrônomo que mede a vida. Este artifício, visto em muitos  documentários e ficções tratando de música, não é original, embora aqui se possa e se deva conviver com esta ideia-símbolo pelos 168 minutos que dura a viagem fantástica que vem a seguir.

O filme terá sua última exibição neste domingo (7),  em Londrina.

Evite a expressão “spaghetti western”. Estas foram duas das (aham!) instruções dadas aos poucos escolhidos para entrevistar Ennio

Morricone ao longo de sua carreira. Eles foram sempre recebidos no palácio renascentista onde ele morava, a poucos passos da Piazza Venezia, no coração de Roma, cercado pela cacofonia do trânsito. Nesse oásis majestoso de sons e silêncios, ele criou suas próprias cacofonias, principalmente para o cinema. Gravou trilhas sonoras por sete décadas para filmes como “Três Homens em Conflito”, “1900”, “Cinzas no Paraiso”, “A Missão”, “Era Uma Vez na América”, “Os Intocáveis”, “Os Oito Odiados” e outros 400 ou 500 títulos mais. O último, o frustrado “Correspondência”, foi dirigido pelo próprio Tornatore. Que, depois de 13 filmes com trilhas de Morricone, daria ao maestro mais uma tarefa: recebê-lo em sua própria casa, gravá-lo falando de si e de sua obra.

Esta é a base de “Ennio, o Maestro”, uma grande tapeçaria de partituras, comum à coleção de clipes de sons e filmes que levam o espectador a uma viagem ao principio e ao fim mistérios musicais. Que alguns dirão à altura de Mozart e Verdi, “mas cada um em seu próprio tempo”, como diz alguém no documentário.

Colaboradores, colegas e admiradores aparecem, muitos. Entre outros, Clint Eastwood, Quentin Tarantino, Oliver Stone, Roland Joffé, David Putnam, Terrence Malick (em um clipe de som), Wong Kar-Wai (um dos produtores do documentário), Dario Argento, Marco Bellocchio e Bernardo Bertolucci, todos do universo cinematográfico. Do lado da música, participam Joan Baez, John Williams, Hans Zimmer, Bruce Springsteen, Pat Metheny e Quincy Jones. Alguns, como Metheny, que além da carreira como guitarrista de jazz também faz trilhas sonoras, oferecem reflexões interessantes, enquanto outros acrescentam pouco mais do que a repetição da palavra que começa com “g”.

Sendo um filme italiano, sobre um artista italiano, muitos compatriotas aparecem e reaparecem, incluindo cantores pop como Edoardo Vianello, Gianni Morandi e Mina, cujos grandes sucessos no início dos anos 60 traziam arranjos inovadores de Morricone. Durante uma inesgotável enxurrada de elogios, muitos redundantes (e que tornam o filme às vezes exaustivo e hiperbólico), o mestre permanece confortavelmente sentado em sua cadeira favorita em seu palácio renascentista onde, com calma, emoção às vezes à flor da pele e com memória prodigiosa, revisa as minúcias requintadas de suas composições, cantarolando e descrevendo sua trajetória através de um excepcional tesouro escondido.

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Mas como, afinal, pode-se definir este afresco de sonoridades iluminadas e silêncios criativos de uma alma que se dedicou, incansável sempre, à procura da beleza ? Tenho certeza de que esta, muito além da homenagem, é uma lição de vida; e, mais interessante, uma aula de arqueologia na qual muitos segredos e contradições que compõem a personalidade deste criador são revelados. "Eu nunca conheci ninguém que não gostasse de sua música", diz Eastwood a certa altura. Sim, pode-se conviver maravilhosamente com a palavra gênio.

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