A república brasileira parece estar “de ponta-cabeça”, como se diz para a total desordem, envergonhando a cidadania. Candidatos prometem combater o crime organizado que vai sequestrando o país, mas está claro que para isso é preciso de cima para baixo mudar o Brasil, combatendo a corrupção e a sem-vergonhice explícitas até no STF.

É preciso enxugar os poderes públicos mais caros do mundo. O Judiciário brasileiro custa 1,6% do PIB, mais de quatro vezes a média internacional, o segundo custo mais caro do mundo, graças inclusive aos vergonhosos penduricalhos também comuns aos poderes Executivo e Legislativo, além das mordomias costumeiras.

Cada deputado federal pode ter até 25 assessores sem concurso e sem precisarem bater ponto, “trabalhando” “nas bases” eleitorais. Essa abundância assessoral sustenta a prática usual da “rachadinha”, vergonhosa escola de corrupção compartilhada.

No Judiciário grassam os “penduricalhos”, com que juízes chegam a ganhar desavergonhadamente até várias vezes mais do que deveria ser o teto salarial do funcionalismo. E quem pensar em chamar os militares, para “botar ordem” nisso, deve lembrar que eles também recebem penduricalhos, além de privilégios como as pensões para 68 mil filhas “solteiras”, uma sem-vergonhice familiar em massa, enquanto os generais nunca ganharam tanto e os soldados tão pouco.

O inchaço funcional também é generalizado no Poder Legislativo, por exemplo cada vereador de Londrina pode ter até 5 assessores “de confiança”, e São Paulo é campeã disso com até 17 assessores.

O governo federal nem sabe ao certo quantos assessores assim tem, em transparência nebulosa calculando entre 20 mil e 100 mil. Só o governo atual já criou quase 5 mil “cargos comissionados”, sem concurso, e isso é praxe nos governos que se sucedem. Governar no Brasil é, antes de tudo, nomear profusão de assessores.

No Japão, cada deputado pode ter até 3 assessores. Na Suécia, cada deputado pode contar com os serviços de menos de um assessor, em média, pois os assessores concursados atendem a todos os deputados.

Nosso STF tem 2.000 funcionários efetivos e servidores comissionados, e pode até parecer que não caberiam no Palácio do Supremo que aparece nos telejornais, e não cabem mesmo, pois ou trabalham “de modo remoto” ou ficam em prédios vizinhos ligados por passagens subterrâneas, como um Poder que se camufla. Também há 21 Tribunais Estaduais de Justiça, além dos 4 Tribunais Superiores, todos com seus muitos carros e motoristas, enquanto em muitos países os deputados e juízes usam transportes públicos.

Há meses se soube que a esposa do ministro Alexandre de Moraes recebeu 129 milhões do Banco Master para pagar uma assessoria muito mal explicada, e a desavergonhada demora do STF em resolver tal situação passou a simbolizar a degeneração dos poderes públicos. Os brasileiros com consciência de cidadania contam que essa crise sirva para motivar as mudanças vitais para nossa democracia, para sermos tratados como merece o povo que paga os maiores impostos do mundo.

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