E o Kikito de melhor filme vai para... Minas Gerais
'Nosso Segredo', rodado em Belo Horizonte e dirigido por Grace Passô, é o grande vencedor do 54º Festival de Gramado
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 2026
'Nosso Segredo', rodado em Belo Horizonte e dirigido por Grace Passô, é o grande vencedor do 54º Festival de Gramado
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

GRAMADO (RS) - Em noite de premiação dividida, “Nosso Segredo”, filme de Grace Passô representando Minas Gerais, venceu na principal categoria da 54ª edição do Festival de Gramado, encerrado sábado (22). O longa metragem de ficção concorria com “Chorão: Só os Loucos Sabem”, “Pele de Rinoceronte”, “Feito Pipa”, “Leite em Pó” e “Justino – Nos Bastidores do Reino”
Com a conquista em Gramado, a equipe do filme recebeu, além do troféu Kikito (estatueta do festival), um prêmio de R$ 60 mil - divididos em R$ 40 mil em dinheiro e R$ 20 mil em locação de equipamentos de iluminação e acessórios. "Este foi um projeto longo, que levou muito tempo para ser feito. Era o prêmio que eu mais queria ganhar, porque ele é o que determina a força coletiva deste filme. Foram mais de 150 pessoas envolvidas na produção", explicou a diretora Grace Passô no discurso de agradecimento. Ela também reverenciou especialmente o ator mirim do longa, Efraim Santos, protagonista da história. "Sem você, esse filme não sustentaria”, disse a ele, presente no palco no momento da premiação. E encerrou conclamando a plateia: “Conheçam o cinema que Minas Gerais está fazendo!”
O longa-metragem conta a história de uma família da periferia de Belo Horizonte, que vive na mesma casa. Unidos dentro das quatro paredes, eles tentam reconstruir a rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de fazê-los enfrentar a dor e, juntos, descobrir um novo caminho.
Distribuído pela Vitrine Filmes, “Nosso Segredo” tem lançamento nacional previsto para a próxima quinta-feira (27) nas principais capitais brasileiras.
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O MAIS PREMIADO
Embora não tenha obtido o prêmio principal, o filme cearense “Feito Pipa” se consagrou como o mais premiado da noite. Levou os Kikitos de melhor ator coadjuvante (Lázaro Ramos), melhor atriz (Teca Pereira), melhor direção (Alan Deberton, melhor filme pelo júri popular e menção honrosa para o garoto Yuri Gomes.
Rodado em Quixadá, no interior do Ceará, a realização conta a história de Gugu (Yuri Gomes), um garoto de 11 anos que sonha se tornar um grande jogador de futebol e, ao mesmo tempo, adora se maquiar, dançar e vestir roupas femininas. Criado livremente pela avó Dilma (Teca Pereira), ele tenta continuar junto a ela, que apresenta os primeiros sinais de Alzheimer, enquanto evita o pai (Lázaro Ramos), com quem mantém relação difícil. A estreia do longa em salas brasileiras acontece no dia 5 de novembro, distribuído pela Paris Filmes.
DOIS ATORES DIVIDEM PRÊMIO
O único Kikito dividido na noite de premiações foi o de melhor ator. José Loreto, interpretando Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr. O longa “Chorão: Só os Loucos Sabem”, é dirigido por Hugo Prata e é sua terceira cinebiografia, depois de “Elis – Viver é Melhor que Sonhar” (2019) e “Ângela” (2023).
Único prêmio importante para “Justino – nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte, o Kikito de melhor ator foi também para Christian Malheiros, que faz o personagem título. Também uma cinebiografia, o filme faz implacável devassa nos mecanismos persuasivos e punitivos de poderosa igreja neopentecostal. O roteiro é baseado na autobiografia “Nos Bastidores do Reino: a Vida Secreta na Igreja Universal do Reino de Deus”, do ex-pastor Mario Justino.
UM KIKITO PARA GONZAGUINHA
Na categoria documentário, a vitória foi de “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, um bom exemplar do gênero que “busca resgatar em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de um dos artistas mais importantes para a construção e a discussão popular de nossa história democrática”, segundo definição da diretora Suzana Lira. O carisma, o talento e a rebeldia inata do compositor e cantor Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, aliás Gonzaguinha, surgem inteiros na tela em culto fiel e respeitoso de uma personalidade tão precocemente desaparecida do cenário musical do país.
* O jornalista viajou a convite do Festival.





