Da política à cultura, o fim de semana é das mulheres
Márcia Lopes, ministra das Mulheres, faz palestra no Sesc Cadeião Cultural neste sábado (07), destacando políticas públicas de proteção à mulher
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de março de 2026
Márcia Lopes, ministra das Mulheres, faz palestra no Sesc Cadeião Cultural neste sábado (07), destacando políticas públicas de proteção à mulher

Em sua 6ª edição, o Sesc Mulheres 2026 traz para Londrina uma programação que evidencia o protagonismo feminino no campo das artes e da cultura. Em Londrina, as ações serão realizadas no Sesc Londrina Cadeião até 31 de março. Além das atividades em Londrina, há programação nas unidades Sesc da Esquina (Curitiba); Sesc Foz do Iguaçu; Sesc Paço da Liberdade (Curitiba); Sesc Maringá e Sesc Pato Branco.
Estão previstos debates, bate-papos, oficinas e apresentações artísticas produzidas e encenadas por mulheres, além de reflexões a partir do olhar feminino sobre o fazer cultural, acadêmico e artístico no Brasil.
Todas as atividades são gratuitas e o público é convidado a trocar itens de higiene feminina, como sabonetes, desodorante, creme dental, absorvente, shampoos, que serão destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade.
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O projeto celebra as mulheres e sua rica e indispensável contribuição para a construção sociocultural de nosso país, também suas vivências e desafios na sociedade brasileira, debatendo e incentivando políticas públicas de equidade tendo como eixo central o enfrentamento da desigualdade de gênero no Brasil.
É uma realidade o fato de que as mulheres ainda recebem, em média, 30% menos que homens nos mesmos cargos, e a situação é ainda mais grave entre mulheres negras, cuja renda equivale a menos de 60% da dos homens brancos.
ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA
No Brasil, sete mulheres são mortas por dia vítimas de violência doméstica, o que reforça a urgência de ações concretas de conscientização e transformação social.
Não por acaso "Políticas públicas de enfrentamento ao feminicídio no Brasil", é o tema da palestra da assistente social e atual Ministra das Mulheres, a londrinense Márcia Lopes, às 15 horas, neste sábado (7). Na ocasião, a ministra abordará as políticas e ações de fortalecimento da rede de proteção, igualdade de gênero e enfrentamento ao feminicídio no Brasil, que têm aproximadamente quatro mulheres mortas por dia no Brasil.
Por telefone, a ministra falou aos leitores da Folha de Londrina a respeito da relevância do assunto. "O enfrentamento, principalmente nesse momento, é um tema nacional e vou falar sobre o enfrentamento das violências contra as mulheres, principalmente a questão do feminicídio", expôs. Ratificou ainda a atenção e todo o trabalho do Ministério das Mulheres no Brasil a casos tão chocantes. "Na palestra, irei contextualizar essas realidades, a questão da violência e como cada município pode participar desse processo", adiantou.
Nesta semana, na abertura do Seminário “Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres” - organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (apelidado de Conselhão), no Palácio do Planalto e divulgado pela Agência Brasil, a ministra reforçou que em todo o mês de março o governo federal terá atividades em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e que as mensagens levadas pelos integrantes do Conselhão têm o poder de mudar a realidade do país.

“Neste país que é tão grande – somos 107 milhões mulheres –, quem cuida das mulheres, quem assegura a liberdade e a igualdade de gênero, cuida da sociedade e projeta o país de futuro que sonhamos?”, questionou.
A ministra ainda destacou o compromisso firmado entre os Três Poderes para focar em medidas pelo enfrentamento contra o feminicídio e pela garantia da vida de meninas e mulheres. “Vamos compor uma agenda comum que radicalize e ponha o dedo onde é preciso para fazer chegar as ações aos estados e municípios.”
Lopes também reiterou o compromisso do Estado no combate ao feminicídio, principalmente para conter casos de violência como o estupro coletivo da menina de 17 anos no Rio, que está nos noticiários atualmente. De acordo com Lopes, "indignação apenas não basta".
AS MULHERES E A ESCRITA
Às 16 horas, o bate-papo: "O que querem as mulheres que escrevem", com Layse Moraes e Amanda Damasio aborda a necessidade das mulheres terem “um teto todo seu” o que possibilita e lhes dá coragem para se posicionarem como escritoras.
Mediado por Marina Stuchi, que também desenvolve projetos de escrita afetiva para mulheres, o bate-papo aborda pessoas que, na história recente, se afirmam no movimento literário e tomam para si o poder da escrita. No entanto, nem sempre foi assim. As participantes do encontro citam Maria Firmina dos Reis, Julia Lopes de Almeida, Narcisa Amália, Gilka Machado e tantas outras - silenciadas pelo cânone e pela crítica.
Neste encontro, Layse Moraes e Amanda Damasio falarão sobre seus projetos e oficinas – de Escrita&Cura, de Escritas de Si, de Escrita e Afeto – que ampliam a criação literária feminina e que possibilitam, pela palavra e pelo afeto, que mulheres se encontrem no mesmo espaço e no mesmo texto. As oficinas de escrita se destacam, reunindo, cada vez mais mulheres, que querem ser estimuladas e que desejam compartilhar com outras suas experiências na literatura.
Elas destacam que o século XXI marca o posicionamento público, comercial e irrevogável da literatura feita por mulheres - em boa parte, nos movimentos coletivos, nos encontros encorajadores e nas trocas por meio da literatura.

MAIS ATRAÇÕES
No domingo (8), Dia Internacional da Mulher, às 17 horas, o público pode prestigiar o espetáculo: "PRET(A) – Resquícios de Uma Mulher Só", com Thainara Pereira. O espetáculo resgata histórias passadas de mãe para filha, para que nunca sejam esquecidas. No espetáculo, o presente é vivo e pulsa tanto quanto as canções que permeiam as cenas, fazendo o público olhar para trás e compreender melhor a própria história.
Inspirado no livro 'Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis', de Jarid Arraes, o livro retrata mulheres corajosas que não se entregaram à escravidão e à perseguição e traz à cena as vidas de Dandara, Mariana Criola e Zacimba. Publicada em 2017, a obra traz à luz as histórias destas representantes negras que a historiografia brasileira corrente colocou no esquecimento.
A autora abarca momentos distintos da história do Brasil em que estas mulheres estiveram ocultadas e destaca como a participação das mesmas nos eventos foi decisiva para alcançar os objetivos. A obra de Jarid Arraes traz à luz ainda as figuras femininas de Aqualtunue, Esperança Garcia, Laudelina de Campos, Mariana Crioula, Na Agontimé e Zacimba Gaba – mulheres que vivenciaram atrocidades e abusos em suas vidas, mas estas situações não foram impedimento para que se empoderassem e inscrevessem seus nomes na memória social negra brasileira.
Além das atrações acima, no sábado (7), às 10 horas, haverá aula de "Defesa Pessoal para Mulheres, com Ana Carolina Pereira, para mulheres a partir de 15 anos. Serão apresentadas técnicas de autoproteção, prevenção de riscos e fortalecimento da autoconfiança, focando em mulheres de todas as idades e biotipos, sem exigir experiência prévia em lutas.
Ainda no domingo, às 15 horas, acontece a oficina "Mulheres compositoras da música brasileira", para pessoas a partir de 14 anos. A oficina propõe uma vivência musical a partir da produção de mulheres. Dividida em dois momentos, a atividade convida o público a conhecer e experimentar diferentes formas de relação com a música, em que, além de uma escuta guiada e apreciação de obras e trajetórias, será realizada, também, uma experimentação de instrumentos de forma acessível, lúdica e colaborativa.
SERVIÇO
SESC MULHERES 2026
Quando: de 3 a 31de março
Onde: Sesc Cadeião Cultural - Rua Sergipe, 52 Centro
Valor: Atividades gratuitas. Pede-se doação de itens de higiene feminina para mulheres em vulnerabilidade social.
Mais informações: Fone: (43) 3572-7700
Programação completa: https://www.sescpr.com.br/projeto/sesc-mulheres/


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.



