Em cartaz, 'A Noiva!' é revolução feminista fora de controle
Estreia em Londrina filme de Maggie Gyllenhaal que tem como protagonista Jessie Buckley, forte concorrente ao Oscar 2026 por "Hamnet"
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quinta-feira, 05 de março de 2026
Estreia em Londrina filme de Maggie Gyllenhaal que tem como protagonista Jessie Buckley, forte concorrente ao Oscar 2026 por "Hamnet"
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

“A Noiva de Frankenstein” vive por apenas cinco minutos, mais ou menos, no clássico de 1935. Ela não diz uma palavra. Não dá um suspiro. Não solta um grito. E, assim, seus criadores reconhecem sua abominação e extinguem instantaneamente a existência que tanto se esforçaram para reviver. Se uma cineasta como Maggie Gyllenhaal fosse dar voz a essa mulher monstruosa, por que não seria a da estrela de sua boa estreia na direção, “A Filha Perdida”/The Lost Daughter” , 2021), e daqui a duas semanas a vencedora do Oscar, Jessie Buckley, de “Hamnet”?
Em “A Noiva!” lançamento mundial esta semana (observem o ponto de exclamação no título), Buckley é um ciclone destrutivo de fúria feminina, atacando, cuspindo, arrancando línguas, levantando a saia e apontando uma pistola para o céu com lágrimas nos olhos e uma mancha de tinta espalhada pelos lábios como um ferimento de bala.

Buckley descoloriu as sobrancelhas para o papel. Isso significa que não há escapatória daqueles olhos castanhos profundos. Você começa a se entregar a eles e não para mais até ser completamente consumido. Se “Hamnet” provou que o ator podia derrubar todas as barreiras entre si e a dor, então “A Noiva!” faz exatamente o mesmo. Mas com raiva.
Seu cadáver, gritando e ressuscitado, é trazido de volta à Chicago dos anos 1930 para corrigir o que Gyllenhaal argumentaria ser um erro cinematográfico. Ela não está perambulando por castelos góticos e moinhos de vento em chamas, mas agarrando o pulso de seu companheiro, Frank (nome emprestado de seu pai, interpretado por Christian Bale), em uma espécie de versão alternativa ao estilo “Bonnie e Clyde”.
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ESTALO NA MENTE DAS MULHERES
Antes de morrer, “A Noiva” era, ainda sem o ponto de exclamação, a típica namorada de um gangster. Mas, revivida pela Dra. Euphronious (Annette Bening) através de uma malha eletrificada, semelhante à de Joana d'Arc, ela se torna um símbolo do "estalo" que ocorre na mente das mulheres – uma explosão climática de sentimentos reprimidos que resulta no que Gyllenhaal chamou de "ataque cerebral".
“A Noiva!" retrata a fúria feminina como uma rebelião justa contra a ordem natural, em oposição à rebelião antinatural perseguida atrás de Frankenstein e outros. Ela é, como Euphronious descreve de forma agradável, uma peça de "geometria desobediente".
Dar voz à Noiva, e imaginar que essa voz pudesse ser de raiva, poderia resultar em um filme envolvente, impulsionado pelos vestidos de seda de Sandy Powell, os figurinos punk de Karen Murphy e a trilha sonora pungente de Hildur Guðnadóttir. Mas “A Noiva!” se distrai com muita facilidade com seu mundo de metralhadoras e letreiros luminosos – há toda uma subtrama policial liderada por Peter Sarsgaard e uma Penélope Cruz subaproveitada – para fazer muito sentido com seu próprio manifesto. Apresenta a fúria feminina de forma convincente. Mas o que tem a dizer sobre ela?
"A Noiva!", afinal, peca pelo excesso de jargões feministas e imagens de empoderamento feminino... Mas nunca chega a cumprir a promessa de uma demonstração radical de autonomia feminina.



