Coronavírus tira de cena dois gigantes do canto coral brasileiro
Naomi Munkata, maestrina titular do Theatro Municipal de São Paulo, e Martinho Lutero, fundador do Coro Luther King, morreram esta semana vítimas do Covid-19
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sexta-feira, 27 de março de 2020
Naomi Munkata, maestrina titular do Theatro Municipal de São Paulo, e Martinho Lutero, fundador do Coro Luther King, morreram esta semana vítimas do Covid-19
Marcos Roman - Grupo Folha 
A pandemia do novo coronavírus tirou de cena esta semana duas das maiores referências de canto coral no Brasil. Maestrina titular do Theatro Municipal de São Paulo, Naomi Munakata, morreu na quinta-feira (26), aos 64 anos, em decorrência de complicações da covid-19. Na madrugada do mesmo dia, o país perdeu Martinho Lutero Galati de Oliveira, maestro e criador da Rede Cultural Luther King, que faleceu aos 67 anos, e também havia sido contaminado pelo vírus.
Martinho Lutero dedicou-se durante cinco décadas ininterruptas à música coral. Criou em São Paulo, em 1970, o Coro Luther King, com o qual recebeu diversos prêmios, entre eles o da Associação Paulista de Críticos de Arte. Reconhecido internacionalmente, o coral se apresentou em países como a Itália, Portugal, França, Alemanha, Cuba, Angola e Tunísia. Paralelo ao Coro Luther King que completa 50 anos de atividade em 2020, o musicista também criou, em 2019, a Camerata Sé, orquestra de câmara sediada na Catedral da Sé, em São Paulo. O maestro que atuava como presidente da Associação Brasileira de Regentes Corais, também foi diretor artístico do Coral Paulistano entre 2013 e 2016 e regeu conjuntos corais na Itália e em Moçambique.
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Martinho estava internado em São Paulo desde o último dia 17. De acordo com informações da esposa do regente, o primeiro exame realizado para identificar a Covid-19 deu negativo. Porém uma segunda testagem confirmou a contaminação, mas o resultado foi informado à família somente durante o processo de certidão de óbito. A família relatou que na manhã quarta-feira (25) o maestro havia apresentado melhora no quadro de saúde, porém teve sofreu uma parada cardíaca durante a noite e acabou falecendo na madrugada de quinta-feira (26). Devido ao risco de contágio durante a pandemia do Covid-19, a família do músico pediu que amigos ficassem em casa e deixassem as homenagens ao maestro para um futuro próximo.
Naomi Munakata
A maestrina Naomi Munakata foi regente honorária do Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) por duas décadas e desde 2016 regia o Coral Paulistano Mário de Andrade. Iniciou o estudo de piano com apenas quatro anos de idade e começou a cantar aos sete, no coral regido por seu pai, Motoi Munakata. Estudou violino, harpa e formou-se em composição e regência em 1978 pela Faculdade de Música do Instituto Musical de São Paulo. Complementou sua formação com estudos de regência, análise e contraponto. Estudou na Suécia e aperfeiçoou-se em regência na Universidade de Tóquio. Foi diretora e professora da Escola Municipal de Música de São Paulo, diretora artística e regente do Coral Jovem do Estado e professora na Faculdade Santa Marcelina e na Faculdade de Artes Alcântara Machado.
A musicista estava internada na unidade de terapia intensiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz desde o último dia 16 devido a sintomas de insuficiência respiratória grave. Conforme nota emitida pelo hospital, ela apresentava comorbidades que resultaram na evolução desfavorável do quadro clínico e acabou falecendo na tarde da última quinta-feira (26), vítima de complicações causadas pelo novo coronavírus.


