Quem acompanha a série "Cem Anos de Solidão", na Netflix, terá nesta quarta-feira ( 26) o episódio final da produção que contemplou uma das obras literárias mais importantes do século 20.

Quando Gabriel García Márquez publicava livros em seu país, a Colômbia, eles eram vendidos aos milhares, até em bancas e semáforos, de mão em mão, de tão populares eram consagrados como novelas, dessas que ninguém quer perder. "Cem Anos de Solidão" transposto para o audiovisual é reflexo de um sucesso que explodiu primeiro nas páginas impressas.

A série corresponde ao grau de imaginação que o autor imprimiu à sua literatura fantástica e se o espectador foi surpreendido com passagens primorosas como a do Carnaval em Macondo, marcado por festa e tragédia, ou a ascensão de Remedios, a Bela, aos céus, ficará ainda mais deslumbrado com as cenas finais do último episódio.

Para quem leu o romance não será surpresa saber que as profecias finais do cigano Melquíades cumprem-se no último capítulo, dirigido por Laura Mora e que terá 1h45, a duração de um longa-metragem.

Melquíades é personagem-chave da obra, aquele que leva novidades e invenções - como imãs e lunetas coletadas em viagens pelo mundo - a José Arcádio Buendía no início da história e também escreve profecias em sânscrito sobre a família e o destino da cidade de Macondo.

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SPOILER

No último episódio - e aqui vem spoiler - o realismo mágico da obra de García Márquez - mistura de política, lendas e maldições - adquire contornos excepcionais.

Imagem ilustrativa da imagem 'Cem Anos de Solidão:' as profecias se cumprem no último episódio
| Foto: Netflix/ Divulgação

O ato incestuoso de Aureliano Babilonia e sua tia Amaranta Úrsula dá origem a um bebê que vem com a marca mais temida pela matriarca da família, Úrsula Iguarán: a criança nasce com um rabo de porco, um temor que vem desde a primeira geração. Na verdade Úrsula Iguarán e José Arcádio Buendía - o primeiro - eram primos. Essa maldição seria uma referência aos problemas da consanguinidade, comuns em famílias antigas.

Além disso, Macondo some da face da terra devastada por um furacão. A tragédia anunciada é descrita numa fala da série absolutamente literária: "um vento morno, cheio de vozes do passado, suspiros e desenganos anteriores das mais persistentes nostalgias."

Cumpre-se assim a maldição final dos Buendía, família cuja história acumula nomes masculinos e femininos repetidos por gerações a ponto dos leitores ou espectadores se confundirem.

Os Aurelianos e os José Arcádios - atravessados por mulheres de personalidades fortes - formam uma linhagem que está entre as maiores realizações literárias da América Latina e do mundo.

Que venham mais séries baseadas em livros, com o conteúdo aprimorado e profundo transposto para a potência do audiovisual.

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