Assistir em primeira mão à estreia de 'Assalto à Brasileira', que teve cenas gravadas em Londrina no final de 2024, é o programa de muitos fãs de cinema neste fim de semana. Com uma história inspirada em fatos acontecidos na própria cidade em dezembro de 1987, o longa baseado na obra homônima do escritor londrinense Domingos Pellegrini, terá três sessões gratuitas.

No sábado, (25) a sessão, às 20h00, contará com a presença do ator Paulo Miklos - o ex-guitarrista e vocalista do Titãs que interpreta Fonseca, o policial negociador que tenta controlar a situação do lado de fora da agência bancária. Além de Miklos, os produtores Marcelo Braga e Clara Ramos também vão falar sobre o filme com a plateia após a sessão. O bate-papo será mediado pelo colunista da FOLHA e crítico de cinema Carlos Eduardo Lourenço Jorge.

Paulo Miklos, que interpreta o comandante Fonseca, está em Londrina para a estreia do filme
Paulo Miklos, que interpreta o comandante Fonseca, está em Londrina para a estreia do filme | Foto: Stella de Carvalho/ Divulgação

No domingo (26), serão duas sessões: a primeira às 18 horas e a seguinte às 20h00 com a presença do ator Robson Nunes e do diretor José Eduardo Belmonte. O colunista da FOLHA também mediará este debate. Não é necessário retirar ingresso para acessar a sala de exibição. A fila de entrada será organizada por ordem de chegada. Após a pré-estreia em Londrina, o longa-metragem estará presente na 49ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo nos dias 27 e 28 de outubro. Depois terá distribuição para as salas do circito comercial em todo o Brasil, sem data definida.

As exibições em Londrina integram o 27º Festival Kinoarte de Cinema e serão realizadas no Cine Villa Rica, de 23 de outubro a 2 de novembro. Além de 70 filmes, o evento oferece oficinas de formação, sessões para alunos da rede pública e para pessoas com necessidades especiais e promove encontros de artistas com a plateia.

Assista ao trailer:

UM ASSALTO ESPETACULAR

Dirigido pelo diretor José Eduardo Belmonte, o longa teve sua primeira exibição no Festival de Brasília no final de setembro e conquistou os prêmios de Melhor Ator para Murilo Benício, Ator Coadjuvante para Christian Malheiros e Prêmio do Público de Melhor Filme. Também foi exibido na 19ª edição do CineBH, m Belo Horizonte. “Assalto à Brasileira” é uma coprodução da Galeria Distribuidora, Santa Rita Filmes e Grupo Telefilms. O longa-metragem foi desenvolvido pela Galeria, com roteiro de L.G. Bayão

O produtor executivo da Santa Rita Filmes, Marcelo Baga, considera que a cobertura da imprensa sobre o assalto de 1987 foi fantástica. "Ainda hoje, quando pegamos a Folha de Londrina, confirmamos isso. No período de pré-produção, a equipe do filme recebeu todo o apoio da FOLHA, esteve na redação do jornal revendo exemplares nos quais foram noticiados todos os lances do assalto espetacular."

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A fachada da Folha de Londrina também entrou em cena no momento em que o protagonista e repórter Paulo, interpretado por Murilo Benício, deixa o jornal. O filme gira em torno da performance do jornalista perante à situação que parou a cidade. A redação da Folha de Londrina foi recriada em estúdio em São Paulo.

"Simplesmente colocar o Paulo numa cobertura jornalística seria o óbvio, então, criamos uma história: a chefe de redação o demite porque ele estava velho e não dava mais o sangue pelo jornal", explica. No último dia do prazo, ele se dirige ao banco para sacar o fundo de garantia e tudo acontece.

O filho de Paulo Ubiratan, Bruno, na época tinha um ano, mas no filme estará em fase gestacional. "Assim, há os fatos, mas a ficção tem um papel importante. Detalhes que mudamos para enriquecer o enredo, porque se trata de uma história baseada em fatos reais livremente inspirada", afirma Braga.

A redação da Folha de Londrina foi reproduzida em São Paulo para as filmagens de "Assalto à Brasileira"
A redação da Folha de Londrina foi reproduzida em São Paulo para as filmagens de "Assalto à Brasileira" | Foto: Stella de Carvalho/ Divulgação

LONDRINA: O BERÇO DA HISTÓRIA

Às vésperas da pré-estreia em Londrina, Braga concedeu entrevista novamente à FOLHA e contou que a exibição em Londrina tem um gosto especial, sobretudo por integrar o festival Kinoarte. "Londrina é o berço desta história, onde grande parte da população conhece o caso e, para nós, será muito importante perceber a reação do londrinense nestas sessões. Será um final de semana de muitas lembranças e espero que o público receba o filme com a mesma alegria com que o fizemos".

Satisfeito com os prêmios já recebidos em tão pouco tempo, considera incrível as conquistas no Festival de Brasilia. "Sabemos o quanto este Festival representa para o mercado . Além do prêmio de melhores atores para Murilo Benício e Christian Malheiros, o prêmio de melhor longa pelo júri popular é a glória para todo realizador. Estamos muito contentes".

Murilo Benício, que interpreta o ex-repórter da FOLHA, Paulo Ubiratan, conquistou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília
Murilo Benício, que interpreta o ex-repórter da FOLHA, Paulo Ubiratan, conquistou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília | Foto: Stella de Carvalho/ Divulgação

UM CURIOSO EM AÇÃO

Figurante e apaixonado por cinema, o londrinense Gustavo Dias, 30 anos, acompanhou praticamente todas as gravações da obra cinematográfica e atuou como figurante no período de produções na cidade. Do lado de fora da agência Banestado, remodelada para a captação das imagens, era um dos 3 mil presentes e pode sentir um pouco do que foi o acontecimento real mum tempo em que nem era nascido.

Na pele de um curioso, Dias pode entender melhor o que está memória de muitos londrinenses e compreender a dimensão das mais de sete horas negociações entre a polícia e os assaltantes, o drama dos 300 reféns, seus familiares, assim como é meticuloso um set de filmagem. Sobre o protagonismo de Murilo Benício, que faz o papel do jornalista Paulo Ubiratan, intermediador entre a polícia e os assaltantes, demonstra a expectativa para ver na telona, o que acompanhou dos bastidores.

A cena dos reféns deitados no chão da agência bancária num dos momentos de maior tensão no filme
A cena dos reféns deitados no chão da agência bancária num dos momentos de maior tensão no filme | Foto: Stella de Carvalho/ Divulgação

AÇÃO, TENSÃO E HUMOR

Vencedor de três prêmios na última edição do Festival de Brasília, 'Assalto à Brasileira' tem humor, tensão, ação e, sobretudo, ficção.

A reflexão social permeira o roteiro. Sete assaltantes, sete horas, 1987, 14 reféns, sete dias de assalto. Do lado de fora, contam populares, mais três mil pessoas gritaram a favor dos bandidos e contra o governo Sarney. Era uma época de inflação alta e muita insatisfação com a economia do país. O despreparo dos assaltantes em suas ações constrói a subjetividade da narrativa. De um jeito tipicamente brasileiro, os ditos meliantes exigiram 30 milhões de cruzados que precisaram ser recolhidos de vários bancos da cidade e fugiram com um valor próximo do exigido e os reféns. Algo tão absurdo que virou livro e agora um filme.

Em recente participação no podcast "Crônicas de Londrina e Outras Cidades", Domingos Pellegrini confirmou à jornalista Célia Musilli que o título da livro surgiu numa das entrevistas que ele fez com os assaltantes presos. Ao referir-se à falta de planejamento e improviso dos bandidos, uma das pessoas na cela comentou que tratava-se de um 'assalto à brasileira' e assim surgiu o nome do livro.

SERVIÇO

Pré-estreia do longa-metragem 'Assalto à Brasileira', dirigido por José Eduardo Belmonte

Quando: sábado (25) às 20h30; domingo (26), às 18h e 20h

Onde: Cine Villa Rica - Rui Piauí, 211 (Centro Histórico)

Não é necessário retirar ingresso para acessar a sala de exibição. Fila de entrada será organizada por ordem de chegada.

Programação completa: https://kinoarte.org/

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