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Londrina

AOS DOMINGOS PELLEGRINI

m de leitura Atualizado em 25/03/2022, 17:30

A grande pequena guerra e os motivos para lutar

PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de março de 2022

Domingos Pellegrini
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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Vladimir sentia-se imenso com tantas tropas e armas, e resolveu que alguém assim merecia mais terras. Disse ao povo que ia defender um pedaço ameaçado do reino, e se foi em seu traje negro e tantas tropas.

O pedaço do reino era na verdade um reino vizinho, menor mas não tanto de se tomar num ataque, então Vladimir deixou as tropas na fronteira ou já além, para que entrasse também naquele reino a peste do medo.

O vizinho rei Wolodymyr era como seu reino, nem grande nem pequeno, e enviou mensageiros aos reinos próximos, avisando estar ameaçada a paz da vizinhança, e que mandassem ajuda senão depois aquilo aconteceria também com eles.

O mensageiro foi capturado em seu retorno, e logo mensageiros de Vladimir iam aos reinos garantir que suas tropas estavam apenas treinando ou até caçando, o imenso rei tinha imenso respeito por fronteiras. Mas no mesmo dia ordenou a invasão, com tantos cavalos que trepidava o chão e tantas rodas erguendo poeirão. Assim que soube, Volodymyr vestiu-se de verde e passou a percorrer o reino pedindo ao povo que lutasse.

Vladimir estranhou não encontrar trincheiras nem fortificações, era como um reino querendo ser conquistado, então avançou com a calva rebrilhando ao sol, seu único defeito, que porém era devido a sua imensa inteligência, conforme os sábios da corte por ele nomeados .

Vladimir sonhava restaurar um imenso reino antigo unindo outros reinos, assim olhando tão longe que não viu que era inverno.

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Nas guerras antigas, rei Napoleão tinha invadido o reino do rei ancestral de Vladimir, que recuou e recuou até, com ajuda do general Inverno, passar da resistência para um contrataque que varreu os invasores. Depois, já no reinado do avô de Vladimir, um rei vizinho, Hitler, invadiu também e também foi varrido pelo general Inverno.

Agora a neve cobria tudo, como sempre no inverno, e as tropas se espremiam nas estradas, cercadas de brancos campos de onde surgiam os guerreiros de Volodymyr para ataques de surpresa e rápidas retiradas.

Eram tantos ataques que as tropas se sentiam aprisionadas, ainda mais depois que assim morreram muitos generais, coisa nunca acontecida em qualquer guerra passada, e por isso a peste do medo se voltou para os invasores.

Além disso, contaram os espiões, andava entre as tropas o desânimo, ou falta de coração para coragem na luta, enquanto os agressores, conforme Vladimir exigia que fossem chamados, os agressores atacavam com fúria e lutavam com garra que só vendo.

Os conselheiros muito discutiram quem levaria a Vladimir seu conselho: “Dê às tropas motivos para lutar!” Vladimir tanto entendeu que mandou prender os conselheiros, enquanto suas tropas avançavam com muito custo, sempre sofrendo emboscadas no campo e nas cidades, onde davam só com janelas fechadas.

No reino invadido, com Volodymyr no coração, o povo lutava com o que tinha à mão, paus e pedras, óleo fervente ou facão, envenenando os poços e queimando a lenha que tivessem de deixar. Vladimir viu que assim ia conquistar um reino sem povo nem riqueza, e retornou a seu reino com seu título de Imenso provocando riso em todos os reinos, enquanto Volodymyr Pequeno seria sempre lembrado com grande respeito. E aquela seria conhecida como A Grande Pequena Guerra, onde o grande saía pequenininho e o pequeno saía bem grande.

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A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina.

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