O Londrina garantiu o acesso no último sábado (11), com o empate por 1 a 1 diante do São Bernardo, e diversas histórias marcaram a trajetória dos personagens do elenco do Tubarão nessa volta à Série B do Campeonato Brasileiro.
Alguns atletas enfrentaram problemas pessoais e superaram obstáculos para estarem em campo nos momentos decisivos da equipe. Outros precisaram se reinventar na carreira, e até dentro do próprio clube, para se tornarem peças fundamentais no retorno do LEC.
Dramas pessoais
O caso do goleiro Luiz Daniel foi emblemático no Londrina. No início do ano, perdeu a avó. Ele viajou ao interior de Pernambuco antes da estreia no Campeonato Paranaense para apoiar a família e retornou a tempo de atuar contra o Coritiba, no Couto Pereira.
“As lágrimas são de felicidade. Sai um peso das costas. Foi um ano difícil para mim e para minha esposa, mas, no final, fomos coroados com esse acesso”, comemorou Luiz Daniel, titular absoluto do LEC na campanha.
Quem também passou por um momento delicado foi o lateral João Vitor, cortado do jogo contra o Maringá, ainda no início da Série C, para acompanhar a filha recém-nascida ao hospital. A criança ficou internada por vários dias, e o jogador retornou ao time uma semana depois, justamente contra o São Bernardo.
“No fim, tudo valeu a pena”, afirmou o defensor alviceleste, que chegou a perder espaço ao longo da competição, mas cresceu na reta final e terminou como um dos destaques do time.
“Esse grupo merece: é um grupo trabalhador, guerreiro e unido. Sabíamos da dificuldade de conquistar o acesso, mas sempre falamos ‘vamos que dá’. O Londrina voltou para o lugar de onde nunca deveria ter saído”, comemorou João.
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Drama em campo
O meia Cristiano viveu uma situação diferente, com o drama dentro de campo. Destaque da Portuguesa na temporada até o duelo com o Mixto-MT, pelas oitavas de final da Série D, o jogador perdeu o pênalti que eliminou a Lusa e tirou o sonho do acesso. Consumido pela tristeza, aceitou o convite para defender o Londrina e reencontrou forças ao lado da mãe e do irmão, que moram em Cambé, mesmo distante da esposa e dos filhos.
“Pela minha idade, tudo no futebol se sente em dobro. O sentimento ruim na Portuguesa foi muito forte. Mas eu sou um cara abençoado. Tive o privilégio de estrear como profissional na cidade onde nasci (Campo Mourão), fiquei anos fora e volto agora para jogar na região onde morei na adolescência (Cambé). Ver o sorriso dos meus amigos aqui, da minha família… sou um cara abençoado”, contou o emocionado Cristiano.
“Nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria um fim de carreira assim. Claro que ainda tem coisas para acontecer, mas sei que está próximo o fim, e terminar vencendo, como sempre foi na minha trajetória, me deixa muito feliz. Dedico à minha esposa e aos meus filhos. Abri mão deles para estar aqui, fiquei longe para lutar por esse objetivo. É difícil abrir mão assim por um propósito, mas quando acontece uma situação como essa, a gente vê que tudo valeu a pena. Meus filhos estão aí, minha esposa, meu irmão, minha mãe, todos compartilhando isso comigo. É um sonho. Ainda mais depois de uma situação adversa, como vivi na Portuguesa. Senti muito. Agora, poder terminar dessa maneira… Deus me prometeu que tinha algo grande para mim, e está aqui”, comemorou o camisa 10.
Cria alviceleste
O atacante Quirino também deu a volta por cima. Revelado pelo Londrina, deixou o clube em 2016 sem destaque, mesmo integrando o elenco do acesso à Série B no ano anterior. Após rodar por diversos times, retornou com outro perfil: deixou de atuar como ponta e se firmou como centroavante. O camisa 9 superou uma fase ruim na Ferroviária, onde admitiu não estar feliz, enfrentou críticas de torcedores que lembravam de sua passagem anterior e se redimiu em grande estilo.
“Pela segunda vez subi com o Londrina e fico muito feliz com essa volta, por ter conquistado o acesso, recolocando o Londrina na Série B novamente, de onde nunca deveria ter saído. Agradeço à torcida pelo apoio e à equipe pela entrega em todos os jogos. Fomos coroados”, disse o centroavante, sem mágoas.
Do Peixe ao Tubarão
Outro nome que simboliza superação é o volante Alison, que passou por seis cirurgias nos joelhos ao longo da carreira. O jogador se reinventou na Série C e foi peça-chave na campanha. Aos 32 anos, após deixar o Santos com apenas uma partida em 2024, encontrou no LEC o espaço para retomar o protagonismo.
“A felicidade é enorme, e a sensação é de dever cumprido”, afirmou Alison após o acesso.
O camisa 5 ainda enfrentou um episódio lamentável: foi agredido por dois torcedores após o empate com o Floresta por 0 a 0, no quadrangular, caso que foi parar na polícia. Mesmo assim, não deixou de defender o clube com o mesmo empenho.
Filho da terra
Por fim, Robson Duarte também viveu uma retomada. O jogador começou a temporada sem espaço e chegou a não ser relacionado por Claudinei Oliveira em vários jogos. Natural de Londrina e torcedor do clube, viu na chegada de Roger uma chance de recomeçar. Como meia, passou a usar a camisa 10 e foi um dos heróis da classificação ao quadrangular ao marcar gol decisivo contra o Brusque, fora de casa.
“Todos sabem o que passei no começo do ano: fiquei meses treinando atrás do gol, mas Deus é fiel. Quando tem algo para a nossa vida, faz, não importa o tempo que leve. Esse é o nosso acesso, nossa felicidade por Londrina. Sou torcedor desde pequeno, são 32 anos morando aqui. Fico feliz com essa festa dentro de casa”, disse Robson. “Subimos pela nossa união. Quando um não jogava, o outro entrava e ajudava. Deus abençoou todo o grupo”, completou o meia.




