A Série C do Campeonato Brasileiro ainda não terminou, e o Londrina ainda disputará a final contra a Ponte Preta em dois jogos. Mesmo assim, o principal objetivo da temporada já foi alcançado: o retorno à Série B. A conquista, confirmada com a liderança do grupo B no quadrangular final, projeta um 2026 intenso e cheio de compromissos.
Com o acesso, o Londrina terá um calendário completo no próximo ano. A temporada começará em 7 de janeiro, com a abertura do Campeonato Paranaense, e se estenderá até o fim de novembro, com o encerramento da Série B. O clube também voltará a disputar a Copa do Brasil, o que representa o primeiro ciclo esportivo integral desde o início da gestão da Squadra Sports, de Guilherme Bellintani, à frente da SAF.
“Estou emocionado. Cheguei em Londrina há um ano e dez meses, um baiano que havia estado aqui apenas duas vezes antes, jogando por outro time (quando era presidente do Bahia). Decidi que, se fosse para fazer negócios, seriam negócios que impactassem pessoas e as deixassem felizes. Quis realizar um trabalho que fizesse a cidade feliz, e fui muito bem recebido. Agradeço a Londrina, que acreditou em nós e nos apoiou desde o início”, afirmou Bellintani, logo após o acesso ser confirmado com o empate por 1 a 1 com o São Bernardo, sábado (11), no Vitorino Gonçalves Dias (VGD).
Estrutura e finanças podem crescer
O salto de patamar esportivo virá acompanhado de avanços na estrutura. O Londrina prevê entregar, ainda no primeiro semestre de 2026, a primeira etapa de seu novo centro de treinamentos, o que permitirá à equipe deixar de treinar no Vitorino Gonçalves Dias (VGD). O estádio, que voltou a ser a casa do clube nesta temporada, também deve receber melhorias, com um projeto voltado a torná-lo mais acessível e confortável ao torcedor.
No aspecto financeiro, o salto será ainda mais expressivo. A cota paga aos clubes da Série C em 2025 foi de cerca de R$ 1,4 milhão, enquanto as equipes da Série B receberam cerca de R$ 14 milhões como garantia mínima das ligas, tanto a Liga Forte União (LFU), que o Londrina faz parte, quanto a Libra. A tendência é que os valores possam ser mantidos para 2026, consolidando uma nova realidade financeira para o clube.
Mesmo com o acesso e o fortalecimento da estrutura, Bellintani destaca que o Londrina ainda está em fase de reconstrução. “Quando chegamos, o clube não tinha um jogador sequer disponível para o Paranaense. Foram os funcionários que fizeram o Londrina forte, com dedicação. A partir dali, construímos um planejamento responsável. Este é só o começo. Conseguimos o acesso um ano antes do previsto, mas o foco agora é buscar estabilidade na Série B antes de sonhar mais alto”, afirmou o dirigente, que revelou que o projeto indicava que a briga pelo retorno à segunda divisão nacional seria a partir de 2026.
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A SAF do Londrina conduz o desenvolvimento do projeto com profissionalismo e planejamento, e é nesse ponto que Guilherme Bellintani insiste. O empresário reforça que o objetivo do clube não é chegar à Série B e, logo no primeiro ano, disputar o acesso à elite, mas sim consolidar-se como uma equipe forte e estável na segunda divisão, sem correr grandes riscos.
Vale lembrar que, entre 2015 e 2023, o LEC disputou seis temporadas de Série B: caiu em 2019, permaneceu por mais três anos na competição e retornou à Série C no último ano da gestão de Sérgio Malucelli, que deixou o clube em dezembro de 2023.

Planejamento técnico
O comando do futebol da Squadra Sports segue sob a responsabilidade de Dado Cavalcanti, diretor técnico da empresa que gere a plataforma multiclubes de Bellintani. Ao lado de Lucas Magalhães, executivo de futebol do LEC, e Gustavo Dias, analista de mercado do Tubarão, vai ser um dos responsáveis por formar o elenco do Londrina para a Série B. O dirigente reconhece que o desafio será diferente.
“Gosto de fazer uma analogia com o atletismo. Os estaduais são como uma prova de velocidade, um sprint. A Série C mistura sprint e consistência, como uma corrida de 800 metros. Já a Série B é uma corrida de resistência, longa, que exige compreensão do campeonato para não se perder ao longo dele”, explicou Dado, ex-treinador e hoje braço direito de Bellintani na Squadra.
Segundo ele, o sucesso na Série B dependerá da capacidade de avaliação e adaptação. “As análises não podem ignorar detalhes que fazem diferença lá na frente. Nem sempre, quando se vence, está tudo bem; e nem sempre, quando se perde, está tudo mal. Em um campeonato de pontos corridos, todas as equipes oscilam. O segredo é compreender isso para não se perder no meio do caminho. Teremos um período curto para avaliar e fazer ainda melhor do que neste ano”, pontuou.
O futuro de Roger
Uma das primeiras decisões do departamento de futebol será definir o futuro do técnico Roger Silva. O contrato do treinador, que conseguiu o acesso à Série B pelo segundo ano consecutivo, repetindo seu feito com o Athletic-MG em 2024, prevê renovação automática em caso de promoção. Mesmo assim, ele admite que sua permanência ainda será discutida.
“No meu contrato há uma cláusula de renovação automática, mas a decisão precisa ser boa para todos. Ficaria muito feliz em seguir, mas compreendo que é algo que deve ser decidido pela SAF. Se o projeto continuar sem o Roger, estará tudo certo, embora eu, claro, não fique feliz. Quem conquista o acesso merece ser valorizado, mas entendo como funcionam as etapas das SAFs”, disse Roger.
“Espero que terminemos essa história com um final feliz. Meu nome está gravado na história do Londrina. Toda vez que lembrarem do acesso de 2025, lembrarão que o Roger Silva era o treinador”, destacou ele, que assumiu a equipe após Claudinei Oliveira receber e aceitar proposta para dirigir o Paysandu na Série B. Vale destacar que Claudinei já foi desligado do Papão e está na Ferroviária, seu terceiro clube na temporada 2025.
Dado Cavalcanti confirmou que o clube ainda discutirá a continuidade de Roger. “O Roger é muito direto e nós também somos. A nova gestão do Londrina é firme nos princípios e na forma de gerir. Trabalhamos com responsabilidade, sem oba-oba e sem discurso para agradar a torcida. O projeto não é do Dado ou do Roger, é do Londrina. Vamos sentar, conversar e definir juntos os próximos passos”, afirmou.
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Em busca do título
A final contra a Ponte Preta representa mais do que uma taça: é a chance de o Londrina voltar a ser campeão brasileiro após 45 anos. Em 1980, o clube conquistou a Taça de Prata, equivalente à atual Série B. Agora, uma divisão abaixo, pode voltar a levantar uma taça nacional.
Roger, que é ídolo da Ponte Preta e maior artilheiro do clube neste século com 70 gols marcados, afirmou que quer encerrar a temporada com chave de ouro. “O Londrina merece. Essa SAF merece. Sempre houve respeito, sem interferências no trabalho. O mérito é coletivo, fruto de um projeto com os pés no chão. Quero vencer a final, não para provar algo, mas para coroar o trabalho. Vamos para realizar uma grande decisão”, finalizou o técnico.








