O sábado foi de glória. E o Londrina merecia. A cidade merecia. E não que os outros times não devessem sentir a mesma alegria de uma conquista, mas este momento era do Londrina.

Estádio cheio, cidade envolvida, atmosfera única e uma união que há muito não se via. O clima estava pronto para o acesso. E veio.

O Tubarão foi irregular quando era possível oscilar e foi regular quando era a hora de decidir.

Decidiu a classificação fora de casa. E confirmou diante do seu torcedor. Sim, teve um pouco de drama e susto, mas era parte de um contexto administrável. Londrinenses de nascimento, de coração ou de adoção vestiram azul e branco e foram ao VGD. Outros milhares ficaram à distância. E deu certo para todos.

Buzinaço, fogos e carreata. A cidade voltou a viver bons tempos de futebol, o Tubarão tornou-se o centro das conversas, bandeiras em janelas e carros. O time da cidade voltou a ter uma cidade que torce pelo seu time. E houve quem saiu de São Paulo, Minas Gerais e outros cantos para ser testemunha do sábado especial. E sorriu, e chorou. O alviceleste está novamente na Série B.

A principal meta do ano foi atingida. Planejamento com ajustes durante a rota foram cruciais para finalizar com roteiro perfeito. O LEC e Londrina não podem desperdiçar esse momento de retomada e reposicionamento. O time é único e histórico. A cidade é centro e forte. Esses dois“Londrinas” precisam se olhar e olhar juntos para um futuro de construção que fortaleça uma região e um negócio. Nada mais positivo que a imagem esportiva quando trabalhada com seriedade.

A cidade está pronta para abraçar essa nova fase, sem rancor ou mágoa com o passado recente. O time precisa “usar” a cidade e a cidade “usar” o time. Precisamos pensar em projetos maiores, mas que não seja para “eu” ganhar. Um negócio bom é quando muitos ganham, e o patrimônio do futebol não pode ser simplesmente tratado como propriedade deste ou daquele.

Ainda é tempo de comemoração, mas já é hora de pensar além.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina

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