ROSELI MACHADO -

Morre de Covid corredora brasileira que venceu a São Silvestre em 1996


Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

Morreu nesta quinta-feira (8), aos 52 anos, a ex-fundista Roseli Aparecida Machado, vítima do novo coronavírus (Covid-19). Ela foi a segunda brasileira a vencer a Corrida Internacional de São Silvestre na história (72ª edição, em 1996), com o tempo de 52 minutos e 32 segundos e atleta olímpica nos Jogos de Atlanta (Estados Unidos), no mesmo ano, na prova de 5.000 metros, na qual ficou em 22º lugar.


 

Roseli Machado foi a segunda brasileira a vencer a Corrida Internacional de São Silvestre na história (72ª edição, em 1996) com o tempo de 52 minutos e 32 segundos.
Roseli Machado foi a segunda brasileira a vencer a Corrida Internacional de São Silvestre na história (72ª edição, em 1996) com o tempo de 52 minutos e 32 segundos. | Tião Moreira/CBAt
 


Roseli estava internada em Curitiba. Segundo a irmã dela, Rosana Cristina Aleixo Machado, foi a maior perda de suas vidas. “Ela começou com os sintomas há 20 dias. Foi internada no Hospital Nossa Senhora das Graças e logo depois foi transferida para o Hospital Angelina Caron. Estava há 15 dias sedada recebendo tratamento.” Mas ontem (7), às 9 horas da manhã, seu corpo não suportou o excesso de remédios. “Ela estava dependendo do coração, que não aguentou”, declarou. Segundo Rosana, Roseli sempre foi atleta. “Depois do atletismo ela foi empresária em Curitiba na área da construção civil, construía sobrados. No ano passado foi candidata a vereadora em Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba). Foi uma pessoa muito batalhadora, muito amiga e muito família. Ela deixou a história dela marcada no atletismo em 1000%. Acho que até hoje ninguém superou o recorde dela”, declarou. 


De acordo com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roseli Aparecida Machado teve uma carreira memorável no atletismo. "A CBAt registra o seu profundo pesar pela perda da Roseli e presta seus sentimentos aos familiares e amigos", lamentou a Confederação Brasileira de Atletismo, em nota.


TRAJETÓRIA

Uma das maiores fundistas da história do país, Roseli nasceu em Coronel Macedo, no interior de São Paulo, em 1968, e cresceu em Santana do Itararé (Norte Pioneiro). Mudou-se ainda na adolescência para Londrina com o objetivo de se tornar atleta e destacou-se nas provas de longa distância. Ela foi treinada pelo professor Antônio Carlos Gomes, que atualmente é consultor do COB (Comitê Olímpico do Brasil). “Fiz um teste e fiquei por um ano”, disse Roseli na época. Logo depois foi convidada para treinar em Sorocaba, depois de algum tempo foi embora para São Paulo, onde integrou as equipes de SESI São Caetano do Sul, SESI de Santo André e por fim na equipe Funilense. “Ali ganhei várias competições, seletivas mundiais de Cross. Meu primeiro Cross foi em Cali, na Colômbia, depois fui para o Mundial de revezamento em Seul, na Coreia do Sul, onde fui a melhor atleta da minha distância,  convidada então para treinar nos Estados Unidos, vivi lá de 1994 até 2002, ganhei várias corridas lá também”, relatou a atleta sobre esse período.


Na Olimpíada de Atlanta sofreu um pisão durante a prova que atrapalhou seu desempenho. Na época, Roseli Machado afirmou ainda que contusões e doenças prejudicaram o seu desempenho nos Jogos. 


SÃO SILVESTRE

Como mostrou reportagem da FOLHA à época, a vitória na São Silvestre brasileira foi uma mudança na vida da atleta, que dias depois já dizia estar negociando novos contratos de material esportivo. "A fama é passageira e precisamos aproveitar a boa fase para conseguir dinheiro", afirmou na ocasião.


Ex-trabalhadora rural em Santana do Itararé (que tinha à época 5.570 habitantes), ela buscava na sua infância difícil a motivação para "tentar ganhar um salário decente". Segundo dizia, por ter trabalhado na roça até os 15 anos, conhecia bem as dificuldades da luta pela sobrevivência.


Em 1997, uma cirurgia mal sucedida encerrou precocemente sua carreira no alto desempenho. Após isso, retomou os estudos. Machado se formou em Educação Física e trabalhou como treinadora.  “Antes de ir para os Estados Unidos já havia iniciado o curso de Educação Física, quando voltei conclui a faculdade e fiz pós graduação em Fisiologia do Exercício na UFPR, trabalhei durante 12 anos nos correios como treinadora, formei vários atletas no Paraná”, declarou a atleta quando se tornou candidata a vereadora de Almirante Tamandaré pelo PSL (Partido Social Liberal) nas eleições de 2020. Ela também declarou que deu aulas pelo estado. “Depois disso passei para a área da construção civil”, declarou no período em que foi candidata.


PAROU A CIDADE

O prefeito de Santana do Itararé, José Izac, relembrou do dia em que ela retornou ao município logo após o triunfo na São Silvestre. “Parou a cidade. Ela chegou à cidade por volta da meia-noite e uma grande festa estava à sua espera. Foi feito um cordão de pessoas em sua chegada”, destacou. O município decretou luto oficial de três dias. “A população de Santana de Itararé está muito triste. Ela nos deixou uma grande marca em nossa cidade. Várias coisas foram postadas em sua homenagem nas redes sociais por amigos, parentes e compadres.” Ela lutou tanto. Uma pessoa jovem. Foi mais uma pessoa que se foi. Eu falei com ela há 15 dias, foi para o internamento e acabou. Foi uma perda grande”, declarou. (Com Folhapress)


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