LUTO -

Ex-técnico de Rosalina Machado em Londrina lamenta morte de atleta


Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

O consultor do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Antônio Carlos Gomes, lamentou a morte da atleta Roseli Machado. “Foi um dia muito duro para mim. Ela ainda era jovem, com pouco mais de 50 anos. O Brasil tem poucos ídolos e quando perde alguns, a gente fica sem referência.” Ele foi técnico dela em Londrina no fim dos anos 1980. “Eu era diretor técnico da Ametur (Autarquia Municipal de Esportes e Turismo) e treinador da seleção londrinense. Na época, Londrina possuía a melhor equipe de atletismo do Paraná. Ela me procurou dizendo que queria ser atleta. Eu confesso que quando a recebi não acreditei muito nela, porque era gordinha e pequena. Perguntei se ela tinha certeza de que queria participar da equipe de corrida e quando ela confirmou a levei para a pista de atletismo da UEL (Universidade Estadual de Londrina) para fazer um teste de 3 mil metros. Ela fez uma marca espetacular para quem não é atleta.”


 

Antônio Carlos Gomes treinou Rosalina Machado no fim dos anos 1980, em Londrina.
Antônio Carlos Gomes treinou Rosalina Machado no fim dos anos 1980, em Londrina. | Marcelo Ferrelli/CBAt
 


Segundo Gomes, a família dela era de outra cidade do interior e Gomes a convidou para integrar a equipe. “Ajeitei uma casa para ela morar e eu também consegui comida com um restaurante, com a Viação Garcia me ajudando.”, relembrou.  Ele se recorda que Rosalina era um ser humano muito educado, alegre e sarrista e tinha uma pegada muito grande. O meu treino é meio duro e ela conseguiu conviver comigo.  Ela aguentava meus berros nos treinos. Chorava no muro. Tudo isso levou onde ela chegou”, destacou.


Com um ano de treinamento a atleta começou a despontar no grupo, que tinha atletas como a Cleuza Maria Irineu e Célia Cristina de Souza. “Eram atletas experientes e de renome nacional e com pouco tempo a Rosalina começou a correr junto com elas. Ela foi campeã em uma série de provas e quando foi campeã brasileira, Londrina não tinha estrutura para segurá-la. Ela recebeu convite para ir a São Paulo, que oferecia uma equipe multidisciplinar que não tinha aqui e eu a incentivei a aceitar a proposta. Londrina e o Paraná perderam ela, mas ela pôde ter uma competitividade maior.”


Gomes ressaltou que ela ganhou a São Silvestre em um ano em que a prova foi muito forte. “Estavam presentes as campeãs quenianas e europeias. Uma das destaques naquela prova era a Rosa Mota, campeã da maratona. A Roseli correu e deu um show nessa prova e emocionou o País. Naquele ano ela fez o índice para a Olimpíada de Atlanta. Foi uma grande atleta. É difícil resumir uma vida  assim. Imagina o tanto de provas que ela ganhou?”

 


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