Marroquino pé-vermelho fica com coração dividido
Fal Mohamed, 51, nasceu no Marrocos e mora há 28 anos em Londrina: "Vou torcer para os dois, porque sou meio brasileiro, vivo mais tempo aqui do que onde que eu nasci"
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sábado, 13 de junho de 2026
Fal Mohamed, 51, nasceu no Marrocos e mora há 28 anos em Londrina: "Vou torcer para os dois, porque sou meio brasileiro, vivo mais tempo aqui do que onde que eu nasci"
Fabriccio Lucas* 

O Brasil estreia neste sábado (13) na Copa do Mundo contra o Marrocos, semifinalista da última edição do torneio em 2022. O time de Marrocos também vive grande fase atualmente, e chega como o principal adversário da seleção brasileira no grupo C, que também conta com Escócia e Haiti.
Assistir os melhores futebolistas do seu país lutando e competindo com os melhores jogadores do mundo em busca de uma conquista exclusiva a poucos na história do futebol fortalece o sentimento de cultura, pertencimento que temos com nossos países. Mas como torcer, comemorar e lamentar os feitos do seu país, estando a um oceano de distância e morando no país que joga contra a sua seleção na primeira rodada?
Essa é a situação de Fal Mohamed, marroquino que veio para Londrina 28 anos atrás, com o coração dividido entre Marrocos e Brasil nesta Copa. Atualmente com 51 anos, Fal vai assistir ao torneio com sua família, e falou sobre seu filho, de 13 anos de idade, brasileiro e que torce somente para o Brasil "Ele vai torcer para o Brasil, eu vou torcer para os dois, porque sou meio brasileiro, vivo mais tempo aqui do que onde que eu nasci."
Um torneio tão grande como a Copa do Mundo faz com que povos, culturas e países diferentes criem conexões e interações que só se tornam possíveis a cada 4 anos, e Fal fala da importância do torneio e do futebol como um todo "O futebol é um esporte que une os povos. Como que Deus criou todos? Da mesma fonte, então, apesar de diferenças culturais, linguísticas, acho que o mundo inteiro hoje em dia, os olhos estão na TV. Então, todo mundo começa a comentar sobre futebol, todo mundo começa a assistir futebol."
Com a tecnologia atual, pessoas como Fal Mohamed conseguem conversar com seus amigos e familiares de outros países mesmo a distância, e o marroquino fala sobre essa conexão em época de Copa, e como isso altera sua rotina e conversa com familiares "Tem irmãos que moram no Marrocos que, de vez em quando, passam informações sobre os jogadores. Da mesma forma, passo algumas informações aqui que não chegam para eles. Então, isso certeza vai ter uma influência no seu cotidiano."
Para manter a ligação com sua cultura e sua família, Fal também fala da importância da culinária, que o ajuda a criar novos laços e conversar com aqueles que estão longe. "Quando minha esposa faz algum prato, ela leva para a vizinha experimentar, e eles também fazem uma coisa e trazem para a gente."
O sucesso de Marrocos na última edição da Copa do Mundo aumentou ainda mais as expectativas do povo marroquino para o torneio na América do Norte, nutrindo a esperança de repetir a campanha histórica de 2022.
Fal também fala da comunidade marroquina nos Estados Unidos, e a festa que farão com os brasileiros "Eu morei perto aonde que eles vão jogar, você vai ver que a torcida marroquina é muito presente lá, mas o brasileiro também estava muito presente lá, então vai ser uma festa muito bacana."
O sentimento que cada povo nutre por suas seleções, e a união dessas diferentes culturas, apaixonadas por futebol, é um dos pontos centrais que fazem a Copa do Mundo um campeonato único e especial.
* Sob supervisão de Claudemir Scalone (editor de Esporte)


